Inflação: A Revanche

28 de março de 2016

Liquidez em local errado


Aconteceu a crise de 2009 e os bancos centrais imprimiram quantias elevadas de dinheiro. Para onde esse dinheiro foi, e por que não gerou crescimento global?

Com essa pergunta começa um relatório do Deustche Bank.

Um volume considerado de dinheiro criado desde de 2009, foi usado pelos bancos centrais na compra de ativos financeiros. Assim, uma resposta é que as autoridades monetárias derrubaram as taxas de juros e elevaram os preços das ações, de uma forma direta (Japão) ou indireta (USA e Europa).

Adicionalmente, uma boa quantidade de recursos criados, incentivou os empréstimos na economia. Entretanto, boa parte desse aumento foi originado pelas empresas e pouco pelos consumidores. Nesses empréstimos, as companhias ao invés de usarem para novos investimentos, o objetivo era recomprar suas próprias ações, o que ajudou na alta da bolsa.

Assim, a resposta à essa questão é que, a ação dos bancos centrais desde 2009, criou uma significativa inflação de ativos via compras diretas e via juros baixos.

Para dizer a verdade, a ação dos bancos centrais vêm ajudando as economias, mas não o quanto se esperava. A principal razão é que os ativos financeiros não são distribuídos de forma equânime. O primeiro gráfico é sobre a distribuição de renda em função do percentil da população.


O próximo mostra o incremento de riqueza pelo percentil de renda.


Já na Europa e Japão, os ativos financeiros estão menos nas mãos dos indivíduos e mais nas instituições, como os fundos de pensões e companhias seguradoras, que não gastam em consumo nem em investimentos diretos.

Como resultado, a principal razão que o dinheiro impresso pelos bancos centrais não gerou crescimento global, é que o efeito riqueza foi fraco, não só nos USA, mas também na Europa e Japão. Em outras palavras, a política monetária expansiva não criou o que o livro texto de economia prega: ..."juros baixos aumentam o consumo e empréstimos e por consequência  o PIB"... O que se viu, foi que o canal de transmissão se deu via elevação nos preços dos ativos, gerando efeito riqueza.

Olhando para frente, o que pode ser feito da próxima vez em que os USA entre em recessão? É incerto, se elevarem ainda mais os preços dos ativos irá ajudar muito mais, em particular se os valores das ações, títulos e imóveis, chegarem a um ponto que os investidores se tornem céticos quanto ao valor futuro desses ativos. Assim, só resta a política fiscal. Também é obscuro se mais gastos com infraestrutura é uma boa ideia, veja gráfico a seguir.


Por outro lado, os "helicópteros" - veja post helicópteros-sem-limites sobre o assunto - são uma opção. A resposta geral para o que se pode fazer da próxima vez, é que, qualquer política econômica, incluindo a política fiscal, de colocar mais dinheiro na mão das pessoas para gastar, será útil.

Como uma tese de investimentos, as ideias colocadas acima, são complicadas e desassociadas dos fundamentos tradicionais. Como resultado, observando os mercados atualmente, e considerando que os bancos centrais estão tão envolvidos em "controlar" os preços dos ativos, não se pode culpar os investidores de acompanhar com muita atenção, ativos mais simples como o petróleo.

Tenho observado vários analistas sugerindo que os bancos centrais tentem outra forma para buscar o crescimento da economia. De certa forma, está se criando um consenso que o que foi tentado não funcionou bem, e que é chegada a hora de usar a política fiscal. Se essa minha hipótese é verdadeira, qualquer ação por algum banco central usando as armas antigas será considerada pelo mercado como inútil, assim, não surtirá efeitos, só restando a última bala de prata que é a política fiscal.

Da próxima vez que viajarem para o exterior, fiquem atentos ao céu, pois quem sabe terão a sorte de capturar algumas notas de dólares, atiradas pelos helicópteros! Hahaha...

No post fed-para-ou-continua, dia da indicação de Lula para o Ministério, fiz os seguintes comentários sobre o índice Bovespa: ..."Certamente o mercado não gostou da indicação do Lula, não estava no programa, quando a bolsa subiu fortemente. Mas eu coloco mais ênfase no fato dos vendidos já terem liquidado suas posições, e depois disso, o mercado deve ter se posicionado comprado"... ..."mas não acredito que o mercado virou completamente, acho que deve ser uma realização mais forte, a bolsa subiu muito rapidamente. Eu apontei no gráfico abaixo, um intervalo que acredito ser importante no curto prazo, entre 44.500 - 45.500"...



A mínima de 46.500 foi atingida no dia seguinte a essa publicação, voltando a subir na sequência, como se pode verificar no gráfico abaixo.



Embora minha hipótese esteja correta ao não acreditar que a bolsa tinha virado, ainda permaneceremos sem posição. A recomendação de trade anotada acima está cancelada. Vou aguardar melhores momentos para comprar. Por enquanto, aconselho a acompanharem o desenrolar da situação política, que parece oferecer mais emoções! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.037, sem variação; o USDBRL a R$ 3,6227, com queda de 1,64%; o EURUSD a 1,1191, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.121, com lata de 0,41%.
Fique ligado!

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