Inflação: A Revanche

31 de março de 2016

Cabo de guerra

Antes de iniciar o assunto do post, queria comentar uma frase pronunciada pela Dilma hoje, no encontro com artistas e intelectuais – depois é bom verificar essa lista -, ao dizer que: ..."seus antecessores deveriam ter sofrido impeachment por pedaladas”... Ela provavelmente não percebeu, mas já assume ser destituída do cargo.

Em todo caso, a frase da Presidente me fez lembrar aquelas situações que nossos filhos, ao irem mal numa matéria, argumentavam que todos seus colegas também foram! Eu me recordo, que nessas situações dizia que esse argumento não interessava, pois eles não passariam de ano ao se compararem aos outros.

Para mim, a Dilma já era! O Temer pode se preparar para assumir, desde que não haja tempo hábil para julgar se houve recursos para a campanha que não foram declarados, o que sem dúvida existiu.

Vocês já brincaram de cabo de guerra? Claro que sim. Quando prestei serviço militar eram comuns estas disputas, quem perdia, tinha que pagar em flexões de braços, 20, 30, e etc... Não me recordo bem das disputas, mas ao lembrar bem do castigo, devo ter pago inúmeras! Hahaha...

Acho que eu descobri o que a Yelen quis dizer essa semana, quando mencionou estar preocupada com as incertezas globais. Enquanto a maioria dos analistas foi buscar onde e em que economias poderiam estar suas preocupações, ao examinar uma série de dados, uma hipótese surgiu.

Amanhã será publicado os dados de emprego, e ao esmiuçar uma batelada de informações, cheguei a conclusão que essa área vai bem obrigada. Selecionei alguns itens para justificar minha afirmação.

O gráfico a seguir mostra que a criação de empregos, que inicialmente estava concentrada nos postos de maiores salários, consequentemente de maior nível escolar, agora encontram-se distribuídas em todas as camadas.


Mas sem dúvida, essa foi uma recuperação onde os mais educados foram beneficiados.

O próximo gráfico é uma estatística de quantos candidatos disponíveis existem para cada posto de trabalho, ou seja, quanto menor, é mais difícil para as empresas contratarem.


O FED tem um mandato duplo, nível de emprego e inflação. Considerando que o primeiro não é sua preocupação no momento, o segundo passa a ser o foco, haja visto que, a inflação encontra-se abaixo do objetivo traçado de 2% a.a.

Eu já publiquei em alguns posts, ilustrações que apontam para uma elevação dos níveis inflacionários. Essa foi uma das razões que fez com que o FED elevasse a taxa de juros em dezembro último.


Mas então onde está o problema? Vejam a seguir os argumentos que estão influenciando os juros americanos:
  • As expectativas do FED, apresentada na probabilidade de seus membros (puxa os juros para cima)
  •  Injeções de liquidez – QE pelo ECB e BoJ (puxa os juros para baixo)
  • Demanda de investidores estrangeiros (puxa os juros para baixo)
  •  FED subir lentamente (puxa os juros longos para baixo)
As linhas em itálico mostram que o FED não teve outra alternativa, senão baixar suas expectativas nas altas de juros. Caso assim não o fizesse, poderia sofrer consequências negativas como: subida do dólar afetando a economia e possível queda das bolsas, entre outras.


Este é o cabo de guerra que se desenvolve no momento na área de juros, por um lado seria mais prudente elevar, uma vez que, a política monetária tem um efeito retardado, além dos juros atualmente estarem muito negativos, e por outro lado, a demanda dos investidores deprime os juros.

O gráfico a seguir mostra como a venda efetuada pelos bancos centrais vem sendo absorvida por investidores privados.


No post bipolar, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ..." Vou continuar com a hipótese que o ouro está consolidando, e fazer um pequeno ajuste na ordem original, onde o novo preço de compra passa para US$ 1.200, mantendo o stoploss a US$ 1.140. Por outro lado, não posso garantir que o metal chegue nesse nível, Pode ser que, o mesmo suba de um nível superior. Mas prefiro ficar com as evidências técnicas e estatísticas”...


Na última segunda-feira ele quase chegou lá com a mínima atingindo US$ 1.208, depois disso voltou a subir, e agora encontra-se no mesmo nível anterior. Eu mantenho o mesmo alerta grifado acima, mas ainda tenho confiança que compraremos no nível indicado. Se isso acontecer, evitamos um monte de sofrimento e frustrações destes últimos dias. O mercado está nitidamente consolidando. Stay Calm!



O dólar negociou hoje abaixo de R$ 3,57 citado no post alta-tensão. O fechamento de hoje, ao nível de R$ 3,5875, passa a ser importante na definição do que pode ocorrer daqui em diante, estamos alerta.

O SP500 fechou a 2.059, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 3,5890, com queda de 0,30%; o EURUSD a 1,1379, com alta de 0,37%, vamos considerar que a sugestão de compra está valendo; e o ouro a US$ 1.213, com alta de 0,56%.
Fique ligado!

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