Inflação: A Revanche

9 de março de 2016

Duro na queda


O título do post de hoje foi tema de uma série de televisão dos anos 80, onde um dublê de cinema, era caçador de recompensas nas horas vagas. As missões eram quase sempre proteger pessoas juradas de morte por quadrilhas, e a caçada de criminosos fugitivos. O protagonista dirigia uma caminhonete GMC Sierra marrom, com uma águia pintada no capô.

- David, vai me dizer que acharam essa caminhonete no lava-jato? Hahaha...
Você está ficando muito imaginativo! O duro na queda que trago hoje à vocês, e a inflação.  

O IPCA de fevereiro ficou em 0,90% e interrompeu a tendência de alta observada desde o ano passado, caindo de 10,7% para 10,4% em 12 meses.

As contribuições positivas foram: o grupo Alimentação (de 2,28% para 1,06%), com maior contribuição pelo seu elevado peso na composição do índice; seguido da Habitação que passou de 0,81% para -0,15%, principalmente pela queda da energia; e Transportes que saiu de 1,77% para 0,62%.

No lado da alta: a Educação lidera com 5,90% contra 0,31%. O mês de fevereiro é esperado elevações desta magnitude, uma vez que, as escolas reajustam suas mensalidades; Saúde e Cuidados Pessoais que passou de 0,81% para 0,94%; e por último Residência que foi de 0,45% para 1,01%.


Como havia comentado, os dois indicadores que considero importante para a inflação futura, são: O índice de difusão que permaneceu praticamente igual a 77,2% - anterior a 77,5%; e a inflação dos preços livres que subiu de 8,78% para 8,98%.

 
As projeções da Rosenberg para 2016 é de retração em termos anuais, terminando o ano em 8%.

Hoje, na reunião mensal da Rosenberg, participaram dois convidados da acadêmia, que apimentou as discussões. Especificamente quando o assunto foi inflação, um dos convidados ficou surpreso com as nossas projeções. Ele trabalha com níveis mais elevados, principalmente para 2017. Seu argumento é que, o Hiato do Produto - termo usado em economia para identificar a capacidade potencial de produção, vem sendo ajustando com a demanda.

Os empresários ao invés de diminuir os preços, em função da queda de demanda, estariam preferindo diminuir a oferta com encerramento de atividades e/ou demissões. Isso é o que justificaria a resiliência dos preços, mesmo com essa brutal recessão.

Em relação aos juros, o mesmo acredita que estejam baixos, pois como o juro real se encontra na casa dos 5% - 6% a.a., em seu modelo deveria estar mais próximo de 8%. Resumindo, ele acha que o "efeito BFB", descrito no post eu-serei-você-amanhã, pode estar acontecendo entre os economistas.

Bem até aí, pontos de vista diferentes de economistas é normal, o problema foi montar os cenários, se a Dilma fica ou não. Uma empresa de Consultoria deve oferecer alternativas quando uma mudança tão importante pode acontecer, inclusive com a probabilidade de cada um deles. Foi consenso que a probabilidade de cada hipótese vai depender muito das manifestações deste final de semana, se for um sucesso > 1,5 milhão de pessoas, a chance de impeachment se eleva. Caso contrário, < 500 mil, o impeachment perde força.

Como de hoje até segunda-feira, nada vai mudar muito, vou aguardar para publicar os cenários econômicos com suas probabilidades. Existe uma hipótese alternativa que seria a Dilma perder o mandato mais a frente, por provas do lava-jato. Como esse é totalmente incerto, e está nas mãos do Moro, vira "chutômetro".

Em todo caso, acho que vou sugerir a compra de uma GMC marrom com um dragão pintado no capô!

Eu fiquei surpreso que nenhum leitor perguntou sobre a sugestão de compra de ouro, que eu propus no post a-economia-está-zen: ..."David, espera um pouco, e se o ouro não chegar ao seu preço e subir acima de US$ 1.260? Vai ficar "chupando o dedo"! Hahaha...
Ótima pergunta. Caso isso aconteça estou colocando um ordem de compra a US$ 1.265 com stop a US$ 1.230"...

O ouro negociou acima de US$ 1.260 por cinco dias, porém em nenhum deles fechou acima de US$ 1.265. E o que é pior, no dia que ultrapassou essa marca, chegou a US$ 1.280, e fechou com pequena queda. O que estou enfatizando é que, o metal não teve força para romper esse nível.

O retângulo em azul é o intervalo entre US$ 1.260 e US$ 1.265, que comentei acima. Novamente a prudência teve seus benefícios, pois se tivéssemos comprado a "qualquer preço", estaríamos sujeitos a amargar uma correção e na pior hipótese ainda ser stopado com um prejuízo maior. 

Agora acredito que, o movimento que eu estava esperando, poderá ocorrer. Vale então a sugestão de trade antiga: ..."comprar o metal a US$ 1.190, com um stop a US$ 1.140"... Let's see!

O SP500 fechou a 1.989, com alta de 0,51%; o USDBRL a 3,6834, com queda de 1,90%; o EURUSD a 1,0997, sem variação; e o ouro a US$ 1,252, com queda de 0,72%.
Fique ligado!

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