2018: Vestibular Político

24 de agosto de 2017

Almoço indigesto


Certa vez fui convidado pelo diretor de open market do banco central para almoçar nas instalações do Rio de Janeiro. Inicialmente fiquei surpreso com o convite, mas depois soube que todos os tesoureiros de bancos estrangeiros receberam o mesmo convite.

Naquela época o Hedging do capital próprio do banco era feito através de títulos com rendimento indexado ao dólar, o que seria equivalente a NTNB atual com correção cambial mais juros, que na época eram de 6% a.a. Bons tempos! Assim, nós éramos os grandes players do mercado nesses papeis. Naturalmente, o volume que tínhamos em carteira era superior ao necessário para tal fim – Hedge –.

O tesoureiro do banco London Multiplic, que era conhecido como Tatá, tem um grande senso de humor. No meio do almoço, o diretor do banco central fez a seguinte pergunta “ O que vocês acham da ideia de emitir um título cambial de dois anos? ” Um silencio profundo na sala, afinal todos ali estavam carregados de papéis de cinco anos, e se o BC decidisse por essa medida, nossos títulos iriam despencar.

Isso aconteceu nos anos 80 e naquela época não havia celular, nessas ocasiões usávamos o orelhão. Todos estavam preocupados em quem poderia dar o sinal para suas mesas, bastava uma única palavra “detona”, que o pessoal do outro lado saberia o que fazer. Depois de algumas repostas evasivas e um clima tenso, o Tatá disparou “Ninguém levanta para ir ao banheiro, vamos sair todos juntos! ” E foi o que acabou acontecendo, todos sairam correndo do banco central a procura de um orelhão na Avenida Rio Branco. Detona .......

Amanhã Mario Draghi, presidente do ECB estará numa situação similar, ao discursar durante o almoço oferecido aos participantes do simpósio em Jackson Hole. A dúvida que paira, e se anunciará o termino da era dos helicópteros na Europa. As opiniões estão divididas, mas certamente se houver o anuncio terá impacto no mercado, principalmente no euro. Os dados da Europa têm vindo bem melhores, o gráfico abaixo da ideia da evolução do PIB nos principais países. Exceto a Grécia que ainda deverá demorar mais tempo para se recuperar, os outros países apresentam uma aceleração recente, onde se destaca a Espanha.


A alta nos preços das commodities impulsionada por compras especulativas feitas pelos chineses, também apontam para mesma direção. Não fiquem surpresos com o fato da especulação vir da China. Sendo o maior consumidor desses materiais no mundo, é natural que seja lá o novo centro de negócios.


Mas não é só a Europa que está melhorando, nos USA o PMI publicado pela Markit mostra mais ímpeto no setor de serviços, embora a manufatura não está na mesma sintonia, segundo esse levantamento. Com uma economia que depende 90% dos serviços, o primeiro importa mais que o segundo.

 
O índice de surpresas levantando pelo Citibank está em plena recuperação saindo da “zona de rebaixamento” vista no mês de junho. Naquele momento, era frequente o uso desse indicador para projetar uma queda da economia americana.


A Yellen também fará uma apresentação amanhã e os analistas especulam qual seria sua postura; a de reafirmar que em dezembro o FED aumentará os juros, ou os dados de inflação recente são suficientes para jogar mais para frente essa decisão. 

Em relação ao mercado de trabalho, a regra de Taylor, muito usada pelos bancos centrais para projetar o nível de juros, parece não funcionar mais em nenhum lugar. Como não dá mais para perguntar ao próprio o que aconteceu, é melhor esquecer no momento esse indicador.


No post o-que-fazer-Yellen, fiz os seguintes comentários obre o euro: ... “vou propor dois níveis de compra colocando ½ em cada um. O primeiro seria a € 1,157 enquanto o segundo a € 1,1370, e o stoploss colocado a € 1,10. Quero enfatizar que não tenho confirmação que essa correção acontecerá da maneira que estou esperando” ... ... “o Mosca está parado aguardando pacientemente seus níveis serem alcançados. No meu caso, comprar agora não seria uma boa decisão, pois teria que colocar o stoploss num nível muito baixo. Porém é importante que o leitor saiba que acredito em novas altas da moeda única mais à frente”...


Como o gráfico a seguir mostra, o movimento até agora do euro, nem pode ser considerado uma correção, no máximo uma escorregada! Talvez com as declarações de amanhã dos presidentes dos bancos centrais mais importantes, o euro possa decidir para qual lado deseja ir, ou novas altas acima de € 1,19 ou a tão esperada correção do Mosca.


- David, e se acontecer sua primeira hipótese e o euro subir, o que você vai fazer?
Vou reconhecer que a moeda única está mais forte que estatisticamente se poderia esperar pela análise técnica, em seguida, calcular qual seria seu novo target. Antes que você pergunte, não sei se compro no rompimento, prefiro aguardar o movimento para poder analisar.

A situação dos traders que acompanharão os eventos de amanhã no simpósio do FED, é semelhante à que comentei acima, a diferença é que hoje existe o celular e imagino que estarão com a tela pronta com dois botões BUY ou SELL. Só teria duas recomendações para eles, a primeira pode ser que o mercado reaja diferente do esperado, ou seja, a decisão já estaria nos preços, a segunda não aperte o botão errado, depois podem ir ao banheiro fazer o seu xixi tranquilo! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.438, com queda de 0,21%; o USDBRL a R$ 3,1415, com alta de 0,13: o EURUSD a € 1,1799, sem alteração; e o ouro a U$ 1.285, com queda de 0,31%.

Fique ligado!

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