2018: Vestibular Político

15 de agosto de 2017

Otimização


Avaliem quanto dos seus bens ficam ociosos a maior parte do tempo. Eu sempre digo que o custo mais baixo por hora de uso é dos meus óculos, custam caro, mas uso durante 16 horas/dia 7 dias por semana. Por curiosidade vamos calcular esse custo. Suponha que eu fique 3 anos com os mesmos óculos, seriam 17.520 horas de uso. Pago caro, mais dependo dele para tudo, imaginem se vocês recebessem o Mosca escrito sem óculos?  Muito bem, isso daria R$ 0,22/hora, de graça!

E o seu carro, quanto tempo fica na garagem? A coleção de malas que é sempre um problema onde guardar. Aqui em casa, esse estoque tende ao infinito, minha esposa sempre compra uma nova por viagem, os motivos são óbvios! O armário de roupas, principalmente de festa, e muitos outros itens.

Até alguns anos nem se poderia pensar em otimizar essa ociosidade, como conectar quem precisasse desses itens? Mas com o avanço da tecnologia tudo isso foi possível. Acredito que o Uber foi um dos pioneiros nessa área, transformou a locomoção numa forma barata. Questiona a necessidade de tantos carros por família.

Um princípio básico de economia diz que quando a oferta é maior que a demanda os preços tendem a cair, e é o que estamos presenciados em várias áreas.

Vou citar alguns exemplos que os analistas ficaram surpresos com os dados, mas eu não. O gráfico a seguir aponta os índices de inflação para carros novos. Como podem notar, depois da crise de 2008, onde sofreram uma queda importante em virtude da situação econômica, passaram por uma recuperação nos anos seguintes, até que mais recentemente entraram no campo da deflação. Minha explicação: Efeito Uber, a necessidade de um carro diminuiu com a oferta desse serviço. Por que deixar seu carro depreciar na garagem?


Outra categoria quem vem sofrendo queda de preços é o grupo de comunicações. Façam uma estatística de qual a proporção entre mensagens e ligações telefônicas, e como tem evoluindo no tempo. Se você é jovem então nem se fala, com meus filhos praticamente não uso mais o telefone, no máximo uma mensagem voz pelo WhatsApp. Aqui a capacidade ociosa é do tempo das pessoas, é muito mais eficiente se comunicar pelo WhatsApp, onde a pessoas respondem quando estiverem disponíveis.


O gasto com restaurantes também vem declinado consistentemente nos últimos 17 meses. Como se pode verificar no gráfico, tanto o tráfico quanto o faturamento. O analista que fez esse comentário buscou justificar a queda pela diminuição nos ganhos dos trabalhadores americanos, pode ser, mas acredito que o principal motivo é o aumento de empregos que são executados a distância, bem como aqueles que os americanos denominam de Gig workers, que são as pessoas que realizam trabalhos de forma individual como o Uber. No mínimo mudaram o local que fazem suas refeições e a frequência.

 
E assim seremos surpreendidos por mais e mais setores que serão afetados por essa tendência de otimizar os bens e serviços ociosos. Essa tendência é deflacionária e destruidora de empresas. O movimento com efeito secundário, não aparece de forma clara nas estatísticas, mas tem impacto no PIB. Difícil ter uma ideia das repercussões no futuro, e nem que setores serão mais ou menos impactados. Por outro lado, a direção é clara, bens de uma maneira geral tenderão a perder valor, pois mais pessoas irão compartilhar do mesmo bem.

No post pagamento-por-quilo, fiz os seguintes comentário sobre o dólar: ...” minha projeção de queda abaixo de R$ 3,10 ganha novamente força. Vou sugerir um trade para venda de dólar conforme anotado abaixo” ... ...” Venda o dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,22 com um stoploss a R$ 3,26, meu objetivo calculado é ao redor de R$ 3,00 – R$ 2,90, a ser melhor calculado” .... O dólar entrou na região de venda do trade e foi completado.


Vou fazer um ajuste que raramente faço, mas que nesse caso foi um erro na colocação do trade. O stoploss ao invés de R$ 3,26 passa a ser R$ 3,30. O motivo principal é a reta verde traçada acima onde o dólar poderá se aproximar.

Um fator que conta contra nosso trade é o volume de apostas contra o dólar no mercado internacional. A linha preta condensa todas as apostas, enquanto as barras identificam as moedas. Notem que o euro é o principal posicionamento contra o dólar enquanto o yen encontra-se posicionado de forma contrária – a favor do dólar.


 O SP500 fechou a 2.464, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1692, com queda de 0,86%; o EEURUSD a € 1,1733, com queda de 0,44%; e o ouro a U$ 1.271, com queda de 0,82%.

Fique ligado! 

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