2018: Vestibular Político

23 de agosto de 2017

SELIC 6%: Uma miragem?


Eu venho enfatizando que a inflação no Brasil está apresentando sinais de notável estabilidade. Isso seria suficiente para projetar juros nominais e reais mais baixos. O mercado trabalha com a taxa Selic entre 7% a 7,5% a.a. para o final de 2017. Essa taxa compreenderia uma inflação de 4% a.a. e um juro real de 3% a 3,5% a.a., podendo um compensar o outro.

Podem notar que ninguém prevê uma taxa de 7,25% e a razão é a mais esdruxula possível, o motivo é que seria igual a taxa mínima durante o governo da Dilma. Sendo assim, pode dar azar! Come on! Seu governo foi tão ruim que ninguém mais lembra, até sugiro que seja excluído do livro de história brasileira, talvez um parágrafo.

Hoje foi publicado o IPCA-15 correspondente a metade do mês de agosto, a variação ficou em 0,35%, abaixo de todas as expectativas do mercado, em 12 meses a taxa caiu mais um pouco para 2,68% a.a. É verdade que os alimentos estão em queda livre, com taxas negativas, não fosse a elevação dos impostos na gasolina seria bem provável um novo mês com deflação.


Por outro lado, ao se retirar os alimentos, a inflação estaria um pouco mais elevada, porém abaixo de 4%. O quadro a seguir mostra as principais categorias contendo a inflação em 12 meses. Chamo a atenção para os preços livres, bem como o índice de difusão. Naturalmente os monitorados sofrem a influência do aumento da gasolina, que no próximo mês já não terá mais nenhum impacto.


Não sei se vocês sabem, mas se a inflação terminar o ano abaixo de 3%, que é o limite inferior da banda, o presidente do banco central terá que dar explicações ao congresso. Se isso acontecer será um fato inédito.

Hoje em discussão na Rosenberg foi levantada a possibilidade de a desinflação vivida nos países desenvolvidos ter influência aqui também. Se esse for o caso, imaginem quanto a inflação poderá cair? A ineficiência aqui é muito grande, ocasionada pelo excesso de impostos, juros elevados e alta inflação.

Mesmo sem considerar isso, imaginado que a inflação permaneça nos patamares atuais. Não vejo porque não poderíamos ter daqui há um ano, uma taxa Selic de 6 % a.a. Parece insano, mas é o que se pode extrair do movimento de preços recentes, e mesmo assim, o juro real de 3% em relação aos 6%, seria elevado.

Agora se você é um aficionado da inflação e depende dela para seus negócios ou investimentos, sugiro que faça campanha de apoio ao Lula, pois só uma gestão dele, ou do pessoal mais de esquerda poderia trazer a inflação de volta, com suas ideias arcaicas sobre economia.

Foi publicado o resultado das contas externas brasileiras que apresentou um déficit de U$ 3,4 bilhões, o acumulado foi de U$ 13, 8 bilhões em 12 meses. Assim como o Corinthians que perdeu sua invencibilidade na última rodada, mas que de nada afetou sua superioridade numérica, as contas externas brasileiras mantêm sua excelente performance, mesmo apresentando déficit este mês.

Antigamente, esses dados cobriam o material inteiro do post, agora vou me limitar aos principais, todos expressos em 12 meses: Investimento Direto acumula U$ 84, 5 bilhões; a Balança Comercial atingiu U$ 59,5 bilhões; a Conta de Serviços U$ 31,9 bilhões de déficit, destacando a despesa com viagens de brasileiros com despesas líquidas de U$ 1,7 bilhão mantendo-se em alta nos últimos onze meses; conta de rendas com déficit de U$ 43,7 bilhões, cuja remessa de lucros ao exterior apresentou alta de 29% em relação a julho de 2016; ingresso em carteira de U$ 3,7 bilhões no mês mantendo a conta com um déficit de U$ 14,8 bilhões em 12 meses; as reservas se encontram agora um pouco mais elevadas em U$ 381 bilhões. Um show!

 
No post o-ultimo-bonde-para-lapa, fiz os seguintes comentários sobre o ouro:  ... “Permaneço com as seguintes hipóteses:

1.       Sobe um pouco mais não atinge U$ 1.300 – provavelmente vou comprar na próxima correção.
2.       Sobe e ultrapassa U$ 1.300 – compro no rompimento.
3.       Não aguenta e retrocede, onde o dia de hoje seria considerado como um false break -  voltamos à estaca zero” ...

... A opção 2 caminha para se concretizar e por essa razão vou deixar um trade condicional. Comprar ouro a U$ 1.305, desde que, feche nesse preço ou acima, nessa situação o stoploss ficará em U$ 1.270” ...

Na última sexta-feira o ouro atingiu U$ 1.300, porém fechou nas mínimas do dia a U$ 1.283 – em verde, denotando a possibilidade de ter sido um false break. No momento se encontra a US$ 1.290.


Na próxima sexta-feira acontece a conferência anual de Jackson Hole, onde os bancos centrais do mundo se encontram para discutir diversos aspectos da política monetária. A presidente do FED, Janet Yellen, e o presidente do ECB, Mario Draghi, farão a abertura do evento. Não sei se a Yellen irá reforçar a ideia de “aumento já” dos juros programado para dezembro, e/ou Mario Draghi vai avisar que o gato subiu no telhado para a mamata de juros negativos.  O que parece certo é que até lá o ouro defina sua trajetória. Desta forma, ficam abertas as três possibilidades que indiquei acima.

O SP500 fechou a 2.444, com queda de 0,35%; o EURUSD a € 1,1810, com alta de 0,42%; o USDBRL a R$ 3,1403, com queda de 0,62%; e o ouro a U$ 1.290, com alta de 0,46%.

Fique ligado!

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