2018: Vestibular Político

28 de agosto de 2017

Trajetória inquietante


Quando a riqueza é mal distribuída num país, o populismo tende a ganhar força causando a ruptura em algum momento.  Um trabalho feito pelo Deutsche Bank mostra que a desigualdade é uma razão importante do populismo recente, e esse fator vem crescendo ao redor do mundo sem nenhum sinal de mudança no horizonte.

A ilustração a seguir apresenta quais são os pontos que vem ocasionado essas desigualdades: Tecnologia, globalização de mercadorias e financeira, mercado de trabalho, política de impostos e educação.


Para medir a distribuição de riqueza utiliza-se um parâmetro denominado de índice de Gini que consiste num número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade (no caso do rendimento, toda a população recebe o mesmo salário) e 1 corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa recebe todo o rendimento e as demais nada recebem).

O gráfico a seguir apresenta a evolução desse índice em vários países desenvolvidos. Nota-se que em todos eles houve uma piora nos últimos anos com os EUA tendo a pior avaliação desta amostra.


Os rendimentos recebidos pelos americanos em 2014 dão conta desse resultado, 50% recebe U$ 16 mil por ano, enquanto 1% recebe U$ 1,3 milhão, ou seja, 81 vezes maior!


Em relação aos ativos detidos pelos americanos a concentração não poderia ser diferente, 10% das famílias detêm 75% da riqueza equivalente a U$ 51 trilhões.


Porém esse fenômeno não é observado somente nos EUA, é mundial. A próxima ilustração mostra como evoluiu a riqueza dos 1% mais ricos em cada década desde 1980. Se pode extrair que os EUA, Grã-Bretanha e África do Sul foram os que mais cresceram, enquanto a França e Alemanha quase não sofreram evolução. É importante ressaltar que alguns países emergentes, onde a China se inclui, já possuem concentração de renda semelhante aos países europeus.


O mais alarmante é que a renda dos 20% mais ricos cresceu nos últimos 20 anos enquanto a dos 20% mais pobres decresceu, mesmo nos países emergentes.


Essa trajetória leva a uma situação denominada em física de equilíbrio instável quando um objeto, após afastado de sua posição de equilíbrio, continua se afastando cada vez mais da sua posição inicial. Assim, a elevação da disparidade de riqueza, que tende a aumentar, origina o crescimento de movimentos populistas que ganham mais força conforme esse fenômeno cresce.

Mas como poderia essa diferença diminuir? A forma saudável seria o aumento dos ganhos do grupo mais pobre em detrimento dos ricos, porém não é o que vem acontecendo e nem parece ser possível atualmente onde uma força deflacionária causa exatamente o inverso. Outra forma seria uma queda da riqueza, ou através de intervenções do governo como acontece recentemente na Venezuela, onde simplesmente eles se apropriam de fábricas e instalações; ou pela desvalorização ocasionada pela queda de preço dos ativos, que pode acontecer de diversas formas. Para quem quer se proteger desse risco o ouro é o refúgio que resguarda na maioria dos casos.

Como havia prometido, o comentário técnico será sobre o euro. No post almoço-indigesto, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “Como o gráfico a seguir mostra, o movimento até agora do euro, nem pode ser considerado uma correção, no máximo uma escorregada! Talvez com as declarações de amanhã dos presidentes dos bancos centrais mais importantes, o euro possa decidir para qual lado deseja ir, ou novas altas acima de € 1,19 ou a tão esperada correção do Mosca” ...


Na última sexta-feira, o euro seguiu pela primeira opção sem que seja caracterizando como um false break. O que podemos esperar daqui em diante? Quando um mercado acaba reagindo de forma diferente da esperada pela estatística, a tendência e tornar-se mais cauteloso, principalmente nesse caso onde a alta do euro foi robusta. No gráfico a seguir assinalei os dois pontos onde poderia dar início a tão esperada correção.


O mais provável seria ao redor de € 1,2150 que se ultrapassado, tenderia ao segundo nível à € 1,245. No primeiro caso uma alta de 1,8% e no segundo 4,2%.

- David, porque não toma coragem e sugere um trade de compra, afinal o risco de perda é pequeno.
Aparentemente você tem razão, se eu me envolvesse nesse trade o stoploss seria a € 1,18 equivalente a uma queda de 1,2%. Porém tenho três considerações a fazer: o mais provável é que aconteça a correção a partir do primeiro ponto, nesse caso o risco x retorno não parece atrativo, o segundo, é o que anotei em verde, dois pontos possíveis de reversão - € 1,1950 e € 1,2050 – menos provável, mais possíveis; e por último o euro subiu muito rápido com um posicionamento bem elevado.

Emocionalmente existe uma tendência a acompanhar o mercado em situações como essas. O que quero dizer é que, quando a direção que se imagina está correta, e você aguarda um preço para entrar que não acontece, a ganancia junto com o ego, podem te dirigir nesse sentido. Às vezes é isso mesmo o que se tem a fazer, manda comprar e acabo! Mas não é o que parece nesse caso.

Muito importante distinguir essas situações, nem sempre comprar no rompimento é o adequado. Vamos ver o que acontece nos próximos dias. Em todo caso, se algum dos leitores quiser comprar, use os parâmetros acima.

O SP500 fechou a 2.444, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1634, com alta de 0,14%; o EURUSD a € 1,9177, com alta de 0,43%; e o ouro a U$ 1.310, com alta de 1,50%.

Fique ligado!

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