2018: Vestibular Político

16 de agosto de 2017

O último bonde para a Lapa


O governo anunciou hoje uma elevação do déficit das contas federais neste e nos próximos três anos. Agora as contas só voltarão para o azul em 2021. Tudo isso ainda sujeito a aprovações pelo Congresso de uma série de mediadas de aumento de receitas e cortes de despesas.

Na reunião de Comitê de Investimentos da Rosenberg, esses números foram detalhados. Ao analisar a tabela abaixo, elaborada pela equipe técnica, percebi a quase impossibilidade de solucionar o déficit. Se vocês observarem as receitas são da ordem de R$ 1,1 trilhão enquanto as despesas de R$ 1,2 trilhões, e as discussões das medidas são da ordem de frações de bilhões – R$ 10 bilhões aqui, R$ 3,0 bilhões lá e etc ...

Esses debates mais parecem uma família que tem gastos enormes de empregados, motoristas, almoços no Fasano, viagens de primeira classe e pretendem cortar as despesas diminuindo um ponto da NET e cancelando um dia por semana a diarista. O governo, com receitas que dependem da atividade econômica – supondo que não haja aumento de impostos - e despesas 90% não discricionárias subindo pelo menos com a inflação, como se poderia cortar o déficit? Qualquer variação de 1% leva as economias pretendidas para o saco, diminuir o déficit nem se fala!

Uma projeção da dívida em relação ao PIB começa a incomodar os participantes, ao invés de estancar deverá chegar a 90% em 2027, e crescendo. A pergunta que não quer calar, e porque o mercado não está penalizando o Brasil? O cenário externo positivo é naturalmente uma resposta, mas isso é suficiente? A tabela acima com muita boa vontade expressa um déficit constante em 2017 e 2018 de R$ 159 bilhões. Entretanto, só a despesa da previdência cuja participação é de 50% do total, sobe 4% acima da inflação.

Mas tudo bem, até 2027 tem muito tempo, será esse o pensamento do mercado? Eu sugeri uma hipótese: 100% dos brasileiros – e estrangeiros? – Tem uma confiança enorme que 2018 tudo será diferente. Porque essa esperança? Porque 100% dos brasileiros não querem o governo atual, basta ver a rejeição do presidente Temer.

De repente aparece o slide abaixo, mostrando a evolução das intenções de voto para 2018, segundo a pesquisa da DataPoder360

Essa pesquisa tem também o resultado caso o candidato do PSDB fosse o prefeito de São Paulo, João Doria. O resultado se modifica muito pouco, apenas uma maior acomodação entre esse candidato e Bolsonaro.


Broxou total e não foi por conta da idade! Hahaha .... Por mais que esse instituto possa não ser confiável - um voto do Alckmin conta como um voto do Lula - o que eu não acredito, como se pode explicar a alta do Lula. Que Alckmin, Ciro e Marina tivessem caído eu entendo, mas o Lula ter capitalizado tudo?

Essa possível miragem que as pessoas estão enxergando pode cair na realidade de um extenso deserto. Se existe alguma chance de nossa dívida não continuar subindo de forma incessante é fundamental que o próximo presidente faça um corte expressivos das despesas e principalmente na previdência. Mas os brasileiros querem isso? Não parece, mesmo! Veja quantas pessoas de elevado nível de instrução são contra as mudanças na Previdência. Existe a ideia que o governo não é comigo e problema “deles”. Deles quem? Somos nós!

Foi quando Luis Paulo Rosenberg disse: “2018 é o último bonde para a Lapa”. Eu já tinha ouvido mas fui procurar no Google. Se refere ao bonde de Santa Teresa no Rio de Janeiro que ficou desativado por 50 anos. É exatamente isso, se o presidente eleito em 2018 não fizer as reformas, ou achar desnecessário cortar despesas melhor taxar os ricos (Lula), a dívida pública irá explodir e o bonde só voltará em 2068!

No post dois-brasis, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” como anotei no gráfico abaixo é bem provável que o ouro cheque a U$ 1.300, daí em diante se passar por essa barreira forte calculo que poderia ir até U$ 1.370” ... ...Permaneço com as seguintes hipóteses:

1.       Sobe um pouco mais não atinge U$ 1.300 – provavelmente vou comprar na próxima correção.
2.       Sobe e ultrapassa U$ 1.300 – compro no rompimento.
3.       Não aguenta e retrocede, onde o dia de hoje seria considerado como um false break -  voltamos à estaca zero” ...


As cotações chegaram a máxima de U$ 1.291 e nos próximos dias retrocederam. Hoje, após o anuncio da ata do FOMC, os preços voltaram a subir e encontram-se próximos da máxima, mostrando um sinal de força. A opção 2 caminha para se concretizar e por essa razão vou deixar um trade condicional. Comprar ouro a U$ 1.305, desde que, feche nesse preço ou acima, nessa situação o stoploss ficará em U$ 1.270.

- David, larga de ser teimoso e compra agora.
Vou mudar a sua frase, ao invés de teimoso estou sendo disciplinado. Enquanto não houver o rompimento, as três opções acima continuam validas, mesmo a terceira. Em investimentos a última percepção tem uma forte influência no comportamento. Se um mercado está caindo, as pessoas acreditam que continuara caindo, e vice-versa. Por essa razão, as confirmações são importantes, elas reafirmam a tendência através de novas ordens naquela direção.

O SP500 fechou a 2.468, com alta de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1509, com queda de 0,58%; o EURUSD a 1,1767, com alta de 0,27%; e o ouro a U$ 1.282, com alta de 0,86%.

Fique ligado!

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