2018: Vestibular Político

30 de agosto de 2017

Inflação sem inflação!


Hoje pela manhã foi publicado o IGPM do mês de agosto cuja taxa mensal ficou em 0,10%, enquanto a taxa anual segue no campo da deflação em -1,72%. Vários contratos são reajustados por esse indicador inclusive os de aluguel. Outro dia foi noticiado no Jornal Nacional que os locatários tinham dificuldade em praticar a diminuição dos valores pagos na data do reajuste. É verdade que esse é um fato raro, as pessoas estão acostumadas a reajustar para mais e não para menos. Se eu fosse um desses inquilinos aplicaria a redução, afinal as NTNB’s descontam do rendimento esse percentual, por que não os alugueis?

A sua composição é feita através de três componentes: preços no atacado (IPA) com peso de 60%; preços ao consumidor (IPC) com peso de 30%; e preços da construção civil (INCC) peso de 10%. Não bastasse isso, o IPA é composto por três outros subitens: Bens Finais, Bens intermediários e Matérias-Primas Brutas. Notem no gráfico a seguir a volatilidade desses últimos componentes.


Este não é o melhor indexador para contratos de aluguel, muito melhor seria o IPCA que usa a inflação de bens e serviços de consumo. Mas essa tradição remonta ao passado quando as pessoas tinham receio de usar um índice produzido pelo governo temendo algum tipo de manipulação.


Mas não se deve esperar um resultado muito diferente do IPCA para agosto em relação ao IPC contido no IGPM - 0,33%. O primeiro deverá apresentar uma inflação para agosto entre 0,25% e 0,30%. Em sendo assim, a inflação de 12 meses vai beirar os 2,5%, abaixo da banda inferior estipulada em 3% no sistema de metas.

Podemos afirmar com um certo grau de certeza que vivemos num período de estabilidade de preços, com níveis de inflação bastante baixos quando comparados com os padrões dos últimos anos. Porém algo interessante ocorre na estrutura de juros futuros. O gráfico a seguir enfatiza a queda das taxas nos últimos 30 dias – rosa versus a azul.

 
Na parte inferior do gráfico é apontado a diferença entre essas duas datas. Como se pode notar, as taxas tiveram quedas nos contratos de vencimento mais curto, e nos mais longos se mantiveram ou até sofreram uma leve alta a partir do sétimo ano. O que isso significa? Em termos matemáticos simples, o mercado espera que após o ciclo de queda de juros que estamos vivendo atualmente, os juros deverão subir a partir do final de 2018, algo como 300 pontos.

Mas por que os juros poderiam subir? Um primeiro argumento é baseado na ideia que terminado a recessão e com o país voltando a crescer, a economia ficaria aquecida, o que levaria a uma alta de preços – Como assim, e toda a capacidade ociosa que se criou tanto em termos de máquinas quanto de pessoal? No meu entender só faria sentido através de um choque exógeno, que não deveria estar expresso nas taxas, dado a sua imprevisibilidade; outro argumento é a insegurança em as eleições de 2018, caso um candidato resolva mandar as favas as reformas – este é mais palatável, com um Ciro Gomes da vida, tudo é possível.

Agora para quem acredita que esse governo vai conseguir passar a reforma da previdência, e tem gente que acredita que passará ainda este ano, a oportunidade de ganho é enorme, comprar papeis pré-fixados com vencimentos mais longos pode garantir a aposentadoria.

- David, e o que você recomenda?
A situação fiscal é horrorosa, se nada for feito a inflação vai voltar. Mas a chance de passar a reforma já nesse governo existe. Neste caso, o déficit não será mais meu problema e sim dos meus filhos. Uma LTN vencendo em 2023 parece ter um prêmio que vale o risco. Um pouco!

No post superstição, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” desde a última atualização o dólar sofreu leve queda e agora está mais próximo do limite inferior. Mas não abra a Champanhe, existe uma chance de as cotações visitarem o nível de R$ 3,25 antecedo a queda esperada” ... ...”ou o dólar está rumo a testar o nível de R$ 3,10 ou uma nova alta poderá ocorrer” ...


Passados oito dias desde a última atualização, a cotação se encontra no mesmo patamar, a R$ 3,16. O gráfico a seguir tem uma visão de longo prazo. Notem dois momentos interessantes, primeiro a queda promovida pela repatriação ocorrida no ano passado e recentemente o estrago feito pelo evento Joesley.


Do ponto de vista técnico, o dólar já preencheu todos os requisitos de um triângulo terminado. Mas isso é uma condição necessária, mas não suficiente, pode ser que o triângulo se estenderá no tempo, característica observada nessas configurações. Mas conforme o tempo passa, o triângulo se afunila indicando a hora da decisão. Não tenho nada a acrescentar a não ser que é preciso paciência.  

O SP500 fechou a 2.457, com alta de 0,46%; o USDBRL a R$ 3,1564, com queda de 0,26%; o EURUSD a € 1,1882, com queda de 0,75%; e o ouro a U$ 1.307, com queda de 0,13%.

Fique ligado!

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