Será inflação algo do passado?



A inflação pode acontecer por vários motivos, pois é um fenômeno monetário como se estuda em economia. Vou citar alguns deles: As mais comuns são através da elevação de demanda sem que haja um aumento da oferta, esse tipo tende a se corrigir no tempo, desde que não haja escassez, e através do choque da oferta, caso clássico que ocorre no petróleo. O mais devassante acontece quando existe o descrédito da moeda, esse caso se encaixa perfeitamente na Venezuela, como muitos outros que aconteceram na história.

O motivo dessa introdução é um questionamento que existe atualmente nas economias desenvolvidas, haja visto os resultados inflacionários baixos. Assim, é justo se perguntar: Será a inflação coisa do passado? Tenho dificuldades em aceitar como verdadeira, talvez por ter vivido no passado aqui no Brasil momentos crucias, onde beiramos a hiperinflação. Mas não posso negar que a “Uberização” do século XXI, disponibilizou uma oferta enorme de bens, diminuindo como contrapartida a demanda. Tudo isso não só no setor de bens como também no de serviços.

Ninguém tem a resposta, e tampouco vamos ficar imobilizados. O melhor a fazer é acompanhar o desenrolar dos fatos.

A publicação do CPI – índice de inflação de abril, ficou abaixo da expectativa dos analistas em 0,2 % no mês e 2,5% em 12 meses, enquanto a inflação core – a que exclui alimentos e energia ficou em 0,1% no mês e 2,1% em 12 meses. Embora ambas estejam acima do objetivo do FED, eram esperados percentuais mais elevados. Esse resultado teve um pequeno impacto positivo no mercado de juros de 10 anos. O gráfico a seguir aponta para a desaceleração nesse mês tanto nesse indicador como o PPI – preços ao produtor que foi publicado ontem, também abaixo do esperado.



O vilão (vilão! Hahaha ...) que acabou influenciando esse indicador para baixo foi o preço de carros e caminhões usados, com uma queda de 1,6%. Me lembro que no ano anterior, nessa época do ano, o problema foi a queda nos preços das comunicações, esse ano, os veículos. Embora suas participações do índice sejam baixas, com a magnitude da queda acaba impactando.

O que mais surpreendeu os analistas foi a desaceleração do CPI em períodos mais curtos, em 3 meses e 6 meses. Eu já publiquei esse gráfico algumas vezes, e o mesmo era usado para justificar o temor da inflação ascendente. Como podem verificar a seguir, a desse mês aclama os ânimos, pelos menos por enquanto.


Coincidentemente o IPCA foi publicado hoje, apontando uma inflação para o mês de abril em 0,22% e 2,76% em 12 meses. Notem que não existe muita diferença entre a inflação anual nos EUA e no Brasil, apenas 0,26% a.a. A única diferença é que lá ninguém acha que vai subir, e aqui ninguém (com algumas exceções) acha que pode se sustentar nesses níveis.

Ontem na reunião da Rosenberg, Luis Paulo Rosenberg apontou para a estabilidade da inflação quando medido na média, para acompanhamentos semanais. O slide mostrava 0,35% a.m., durante nas últimas 5 semanas, até parecia que tinha um erro.

Já para quem está preocupado com a elevação do câmbio e do petróleo, na inflação brasileira, no caso do primeiro, além da percentagem de alta do dólar ser baixa – aproximadamente 10%, estudos recentes apontam que existe apenas uma pequena transmissão do câmbio aos preços. Quanto ao segundo, como no combustível se mistura álcool na gasolina, a queda nos preços desse último, está compensando a alta do petróleo. 

Na tabela a seguir, se nota uma estabilidade confortável nos preços dos diversos componentes. Padrão de primeiro mundo.


Na verdade, não fosse a queda prolongada no preço dos alimentos, o resultado da inflação estaria mais próxima dos 3,5% a.a. E, é esse o nível esperado pela Rosenberg para 2018. Notem no gráfico a seguir, o que venho enfatizando há tempos, já faz um ano que vivemos com uma inflação bastante baixa para nosso padrão.


Eu recomendo a compra de papeis em taxas pré-fixadas, pois nelas estão embutidas elevações da taxa SELIC que não parecessem plausíveis. Só para dar um parâmetro, quando comparadas as taxas implícitas entre o vértice de 2025 com o de 2021, se chega a níveis superiores à 11% a.a. de juros. São tão elevados que parece aguentar cenários como Ciro Gomes presidente. Deus me livre! Hahaha ...

No post retorica-do-fed, fiz os seguintes comentários sobre o ouro:  …” os leitores do Mosca sabem que eu quero comprar ouro, mas nenhuma das minhas condições foi satisfeita: ou superar o nível de U$ 1.370, ou retornar a U$ 1.310, sendo que esse último pode estender a queda até U$ 1.280. Porém, o viés é de compra” ...  ...” uma dessas condições foi atingida no dia 01, onde o ouro negociou na mínima a U$ 1.301” ...” Vou aguardar o mercado me dar mais dicas, embora eu sei que, corro o risco de pagar mais caro, porém com indicações mais claras” ...


Agora a cotação se encontra em U$ 1.320 fazendo com que o Mosca permaneça inerte. Tenho que confessar que essa situação me incomoda, afinal estou regateando no preço, e se eu estiver certo no longo prazo, não vai fazer muita diferença. Para me distanciar do efeito de curto prazo resolvi publicar o gráfico de prazo mais longo.


Do ponto de vista técnico ainda falta uma “quedinha” para que o movimento completasse o movimento segundo o livro texto. É esse o motivo que me faz esperar. Por outro lado, consigo aceitar como terminado o movimento de queda que se iniciou em 2011.

- David, se está tão convencido, e acredita que não vai fazer diferença, por que não compra?
E seu eu estiver errado? Note que o ouro não vai passar pela barreira dos U$ 1.370/ 1.380 numa boa. Vai ter muita briga. Vou manter a disciplina e aguardar, na maioria das vezes que não agi assim me arrependi, e as outras, tive sorte e não competência!

O SP500 fechou a 2.723, com alta de 0,94%; o USDBRL a R$ 3,55, com queda de 1,21%; o EURUSD a 1,1913, com alta de 0,53%; e o ouro a U$ 1.321, com alta de 0,69%.

Fique ligado!

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