2018: Vestibular Político

8 de maio de 2018

Trancado na defesa



Quando 2018 começou, os investidores apostavam que o mundo cresceria em uníssono, caso raro de acontecer. Assim, bastava colocar seus recursos nas bolsas de valores e ir para praia. Os mercados emergentes eram considerados a bola da vez, com P/L – preço sobre lucros, em níveis bastante convidativos, preços da commodities subindo e o dólar caindo, que mais era necessário para mergulhar fundo?

No Brasil então nem se fala, com a taxa de juros caindo à menos da metade em um ano, economia recuperando do tombo dos últimos anos, cenário externo em céu de brigadeiro, Lula fora das eleições, só um desinformado não tiraria seus investimentos da renda fixa, no confortável CDI dos últimos anos, para entrar na bolsa e fundos multimercados. Já não era tão importante quem seria o próximo presidente nem se ele estaria comprometido em fazer ajustes profundos e crucias das contas públicas. Como se diz em inglês “pedal to the metal”

Mas esqueceram de combinar com os Russos, como diria Feola. Todo esse otimismo implica numa retirada de estímulos dos bancos centrais, que até o momento, somente o FED está nessa direção. Ah, não se pode esquecer, com juros ridiculamente baixos, seria necessário coloca-los em níveis normais.

Hoje pela manhã, ouvi a entrevista de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, que reforçou os pontos anotados acima. Quando foi perguntado sobre os juros, disse não estar preocupado, se os títulos de 10 anos alcançarem 4% a.a., afinal seria pelo bom motivo como diria o Mosca. O que ele não disse é se os juros subirem pelo mal motivo, a inflação. Neste caso, o cenário muda 360º! Hahaha ....

Os gráficos nos dizem que o último cenário não pode ser descartado assim numa boa. Se o Mosca estiver correto, acreditando que os juros estão num movimento de alta importante e o preço do ouro deve subir, essa combinação só faz sentido se a inflação subir, pois caso contrário, o ouro deveria cair! Assim, vou eleger o ouro e os juros de 10 anos, os ativos que devem ser seguidos de perto, o restante dos ativos serão consequência.

Mas vamos verificar os impactos que ocorreram nos mercados emergentes ultimamente. Incialmente notem o comportamento da bolsa de valores na Argentina e Turquia. Nada desastroso, mas tão pouco prazeroso, principalmente a dos Hermanos cuja queda do pico é de 30%.


O dólar vem se valorizando desde 2013 contra todas as moedas, e em especial a dos países emergentes. O próximo gráfico mostra esta trajetória onde parece uma corrida de quem cai mais. Notem que até 2016 nós éramos os campeões, e depois da saída da Dilma (nossa que delicia não ter que conviver mais com ela!), houve uma recuperação. Mas não tem o que comemorar, apenas o menos pior.


Em relação a dívida geral, onde se inclui a corporativa, governo e indivíduos, a China está com a medalha de ouro. Esse dado confirma o risco existente, haja visto que a grande maioria são dívidas de empresas. No caso brasileiro, a dívida é elevada, porém a concentração é governamental. Os Hermanos estão bem melhor, mas o real motivo é que só recentemente esse país ganhou acesso aos mercados internacionais. 


O investimento dos estrangeiros nos países emergentes vem sofrendo seguidos resgates nos últimos 30 dias, incluindo ativos de bolsa e renda fixa. Também, não poderia ser diferente, pois essa é a razão que impactou os preços.


E por último, uma medida de risco, onde se leva em consideração, vários fatores de forma qualitativa: necessidade de financiamento, adequação das reservas, exposição ao mercado dos EUA, valor dos ativos e qualidade institucional.


É, parece que o cenário mudou bastante, porém por enquanto acredito que seja um movimento originado pela cautela. Se o cenário for o que Jamie Dimon espera, essa volatilidade deve parar depois de um ajuste de preços dos ativos, principalmente os de renda fixa, que venho enfatizando desde o começo do ano. Agora se for por causa da inflação estamos só no começo, muito mais sofrimento está à frente. Conselho: siga o Mosca, pois fazendo assim, estará “ouvindo” o mercado ao invés de ficar estáticos em cima de projeções que podem não se concretizar.

No post barbeiragem-economica, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Como se pode verificar a seguir, o triangulo “quase” retângulo está sendo respeitado, e até que não ocorra uma violação das linhas cinzas, é com essa hipótese que vou caminhar. A venda no nível sugerido foi em função desse argumento. Mas podem acontecer outras configurações, onde uma delas está traçado em verde claro no gráfico” ...


Como podem verificar a seguir, o mercado resolveu respeitar o triângulo traçado. Como sou macaco velho, sei que respeita até a hora que não respeita mais.

Um assíduo leitor do Mosca, enviou uma mensagem na semana passada contendo um gráfico, que mostrava o rompimento “definitivo” de um suporte. Sua dúvida era saber se a queda que eu estou esperando, já estaria acontecendo (anotei em verde o dia que isso aconteceu). Ao observar o seu gráfico, parecia que era isso mesmo. Acontece que não estava no escritório e pedi um tempo para analisar.


Não preciso dizer que essa quebra foi rejeitada e nesse dia fechou na máxima, indicando que esse não seria o momento. Outro fator que também conta, é que ele usou uma outra forma de indicar o rompimento, pois no meu caso não aconteceu.

Eu conto essas passagens para ilustrar como é difícil acerta na mosca, quando tudo parece certo, lá vai o mercado e nos prega uma peça. Não se pode baixar a guarda, somente porque uma das condições que você previa, acontece. É necessário verificar se confirma.

Em relação as previsões, não existe nenhuma alteração do que está explicitado acima, trabalho com uma queda de 7% a 10%, desde que, o nível de 2.800 e principalmente, 2.830, não seja rompido. Esse evento descrito acima, mostra que o caminho ainda será bastante tortuoso, isso se acontecer!

O SP500 fechou a 2.671, sem variação; o USDBRL a R$ 3,57, com alta de 0,47%; o EURUSD a 1,1861, com queda de 0,49%; e o ouro a U$ 1.314, sem alteração.

Fique ligado!

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