2018: Vestibular Político

9 de agosto de 2018

As armadilhas do mercado acionário



Em 2015, quando eu frequentava a FEA no curso de pós-graduação, realizei um estudo sobre os IPO – Initial Public Offer - sigla usada para identificar a abertura de capital, de nove bancos brasileiros. Transcrevo a seguir parte das conclusões desse estudo: Motivações divergentes para os bancos que fizeram IPOs no Brasil.

“Quando uma empresa decide pela abertura de seu capital, a vida de seus acionistas controladores não será mais a mesma. A partir desse momento uma série de compromissos passam a fazer parte do seu dia a dia. A começar pelas condições de governança a que se submete, divulgação de sua estratégia futura, compromissos de crescimento desejados pelos novos investidores, e porque não, a eventual troca de todo o comando diretivo da empresa, inclusive de seu CEO”

“Um subproduto que se extrai desse trabalho é que nem sempre abrir o capital é a melhor alternativa para as empresas”

“Na oferta pública inicial (IPO), os investidores são motivados a comprar ações, uma vez que, são lançadas com um desconto sobre o preço “justo”. Por outro lado, os acionistas controladores aceitam dar este desconto, vislumbrando maiores lucros futuros. Entretanto, se passado o tempo os acionistas ficarem frustrados, o mais provável é que os preços das ações terão descontos sobre o valor patrimonial”

“Nessa situação tudo é uma enorme dor de cabeça para os acionistas majoritários que serão colocados num novo dilema: se devem fechar o capital; ou vender ações a preços desvalorizados, caso necessitem de novos recursos para investir; ou vender compulsoriamente a empresa para outro grupo ”

Nos últimos tempos, não passa um dia sem que, Elon Musk, CEO da Tesla - empresa pioneira na fabricação de automóveis elétricos - esteja na mídia, procurando se defender de uma onda negativa que assola sua companhia. Dias atrás, publiquei um post sobre esse assunto contribuição-quase-compulsória, onde esse empresário solicita a devolução de parte dos pagamentos feitos a seus fornecedores no passado.

Mas qual é o problema principal de companhia tão arrojada e com produtos de vanguarda? Seus resultados estão muito aquém do que foi prometido quando do IPO. Na verdade, a Tesla é uma consumidora de caixa.

Nessa semana, sugeriu uma cartada que enfureceu seus acionistas. Uma reportagem do Wall Street Journal comenta sobre esse assunto.

O mercado de ações tem sido gentil com Elon Musk, que usou e abusou de Wall Street. Sua última peça de carisma - uma oferta para levar a fabricante de carros elétricos Tesla a se tornar privada, representa um tapa na cara dos acionistas.

O argumento básico é cada vez mais utilizado por executivos frustrados e grupos de private equity: as empresas estão fazendo coisas estúpidas para atender às expectativas trimestrais do mercado e prejudicando suas perspectivas de longo prazo como resultado. A empresa permanecendo privada, os executivos não precisam mais se preocupar com o curto prazo, permitindo que invistam no longo prazo e ajudem a companhia, seus acionistas fiéis e a sociedade em geral.

O problema é que nada disso se aplica a Tesla.

É difícil pensar em uma empresa que se importe menos com a cartilha de Wall Street do que com a Tesla. O Sr. Musk no início deste ano rejeitou "perguntas enfadonhas” de detentores de bonds, sobre sua divulgação de resultados trimestrais; a empresa não oferece orientação sobre ganhos trimestrais; e tem relatado com frequência e sem desculpas perdas muito piores do que o esperado.

A Tesla também faz parte de um seleto grupo de empresas listadas cujos acionistas apoiam fortemente o investimento de longo prazo. As ações da Tesla saltaram de uma oferta pública inicial de US $ 17 em 2010 para US $ 370 na quarta-feira, mesmo quando Musk, investiu ou perdeu bilhões de dólares do dinheiro da empresa. Repetidamente vendeu novas ações e diluiu investidores pagando parte da equipe em ações. O pensamento de curto prazo não é compatível com o acionista da Tesla. De fato, é difícil imaginar que muitos grupos de capital privado ou de capital de risco teriam ficado com a Tesla por oito anos, já que gastaram tanto dinheiro.


A sugestão enganosa é que o que ele chama de "oscilações violentas" no preço das ações, distrai a equipe de funcionários, que são acionistas. Tornando-se uma companhia privada, mudaria isso apenas escondendo a volatilidade: em vez de ser capaz de comprar ou vender todos os dias, eles poderiam fazê-lo apenas duas vezes por ano. O verdadeiro valor da empresa ainda oscilaria descontroladamente, mas ninguém saberia. Talvez a linha de produção da Tesla esteja tão atrasada porque os trabalhadores gastam seu tempo negociando as ações e fofocando sobre as últimas movimentações de preços. Nesse caso, a privatização resolveria o problema. Mas é difícil acreditar.

A ideia improvável é que os vendedores a descoberto estão prejudicando os negócios. Musk disse que a Tesla é a empresa mais encurralada da história, e todos que apostam na queda do preço das ações têm um incentivo para atacá-la.

Os vendedores a descoberto espalhando falsos rumores ou tentando ativamente encontrar e divulgar problemas com os carros poderiam, em princípio, prejudicar o negócio. Mas os grandes problemas da Tesla não foram secretos, com dificuldades de fabricação altamente públicas, baixa qualidade de produção e uma necessidade constante de novos recursos. O Sr. Musk também não ajudou, publicando uma piada em abril no Twitter dizendo que a empresa estava falida.

A ideia idiota foi a sugestão de que a Tesla se tornasse privada com os mesmos acionistas de hoje. Neste momento, os acionistas podem vender quando quiserem. Restringir a opção de vender para duas vezes por ano pode ser bom para a guerra do Sr. Musk contra os investidores vendidos a descoberto, mas deve tornar as ações muito menos atraentes para os acionistas atuais.

Há uma possível razão para se tornar privada que pode fazer sentido, mas que o Sr. Musk não pode mencionar. Os mercados privados estão cheios de dinheiro, permitindo que startups como a Uber, a Airbnb, e a própria SpaceX de Musk se mantenham privadas por muito mais tempo do que no passado, levantando grandes quantias, em preços elevados.

A Tesla não é o tipo certo de empresa para atrair grupos de private equity comuns, que preferem lucros constantes e indústrias economicamente insensíveis às quais possam adicionar muita alavancagem. Mas os unicórnios do Vale do Silício se mostraram atraentes para os fundos soberanos e para um punhado de grandes fundos privados que buscam crescimento.

O problema é que os encantos de Musk podem não ter a mesma magia sobre eles do que nos mercados públicos.

Se notarem os problemas da Tesla e as conclusões do meu trabalho podem verificar que nem sempre a abertura de capital é o melhor caminho. Os empresários são levados a esse caminho, ou pelo “efeito manada” – definido como: um momento do mercado de ações, onde uma onda de abertura de capital se torna moda, fazendo com que os empresários sejam compelidos a fazer o mesmo. As razões são: “todo mundo” está abrindo o capital; ou por acreditar que é uma forma de monetizar seu patrimônio e ainda permanecer com o controle de sua companhia.

Os dois casos parecem muito bonito incialmente, mas podem colocar em risco uma empresa que era muito boa. Ter acionistas cujo objetivo é somente o lucro de curto prazo, pode destruir seu negócio!

No post estão-vendo-fantasma, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” propus dois trades do qual um exclui o outro se atingindo.1) vender euro a € 1,185 com stoploss € 1,1980, desde que, não negocie antes disso abaixo de € 1, 1505. 2)  vender euro a € 1,1500 com stoploss a € 1,1650” ... ...” em algum momento esse trade será executado, ou pelo “bom” preço € 1,1850, ou pelo “mal” preço € 1,1550. Como se diz em linguagem coloquial: Fica frio! ” ...


Parece que nosso trade, que prevalece desde o final de junho, deverá ser executado pelo “mal preço”.


Ao observar o gráfico atualizado, dá vontade de vender já, pois parece “obvio” que vai romper a cotação de 1,15. Mas não vou entrar nessa, já fiz antes e algumas vezes não deu certo. Fiquei tão irritado e perplexo que acabei não entrando novamente quando deveria, ficando naqueles só com a parte ruim do prejuízo.


Como é sabido, no mês de agosto, a liquidez dos mercados internacionais ficam bem limitadas, pois boa parte das mesas de operações e os investidores, estão de férias.

Como apontei no gráfico, aparentemente está se formando um triângulo. Nessas condições, 2/3 das vezes, rompe para baixo que é a nossa aposta.

Mesmo com uma forte indicação que agora vai, vou permanecer quieto, esperando uma das duas situações ocorrerem. Além do argumento mencionado acima, devo ressaltar que: primeiro a diferença é pequena – entre o nível atual de 1,1550 e 1,15 - 0,45%, segundo que, se for esse o caso, o rompimento deveria acontecer muito rápido. Estou frio! Hahahaha ....

O SP500 fechou a 2.853, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,7936, com alta de 0,59%; e o ouro a U$ 1.212, com queda de 0,10%.

Fique ligado!

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