2019: Quem dá menos!

12 de fevereiro de 2019

Parabéns a você ...



Hoje poderia ser um dia de comemoração no mercado financeiro mundial, algo como: um plano que propiciou um crescimento econômico ímpar; ou o termino de um longo período de recessão. Mas não é esse o caso, hoje se comemora (comemora?) 20 anos que o banco central japonês fixou o juro em 0%. Se esse movimento tivesse posto a economia japonesa nos trilhos depois de um tempo, tudo bem, valeria a pena, porém não foi o que aconteceu, e pior, ainda prevalece a estagnação.

Nos anais do moderno planejamento central (bancário), hoje é um dia trágico, o início de duas décadas de política monetária extrema da qual nem o Japão, nem qualquer outro país, conseguiu escapar.

Este é um "modelo preocupante para a Europa ", segundo o analista do Deutsche Bank, e acrescenta que o Japão também iniciou o que se tornou uma forma mais comum de política monetária após o GFC em todo o mundo.

Para os historiadores econômicos, o Japão é realmente um caso fascinante. Se você tirasse uma foto das finanças e da demografia do país hoje, sem ter conhecimento prévio da jornada do país nos últimos 30 anos, desde a explosão de sua bolha de ativos, você se perguntaria como o país não está em crise constante. A dívida para o PIB é a mais alta do mundo desenvolvido, com 236%. O BoJ detém cerca de 43% de todos os títulos emitidos pelo governo.




Os principais preços no Japão também são praticamente idênticos aos de 20 anos atrás. Os juros do JGB (títulos do governo Japonês), caíram de 2,21% para -0,03% nesse período. Mesmo assim, o Japão é um exemplo de quanto tempo uma crise pode ser evitada sob medidas extremas.

Interessante é verificar qual foi a repercussão dessa medida ousada naquela época. A citação da revista The Economist, há 20 anos, foi: "Sem disciplina fiscal, dizem autoridades do Banco do Japão, o governo corre o risco de perder o controle dos gastos públicos, convidando a hiperinflação na segunda maior economia do mundo".

A conclusão do Deutsche Bank: "um aniversário infeliz hoje em muitos aspectos, mas também é perceptível que depois de 20 anos de altos gastos fiscais, os japoneses não têm populismo. Talvez seja uma mensagem para a Europa".

Ontem frisei a dependência do crescimento econômico mundial, na economia americana. Num passado recente, existia uma correspondência deste país e a Europa, ou seja, com uma determinada defasagem, quando um crescia o outro correspondia. Essa sincronia era observada nos preços das ações entre essas regiões. Porém, desde o início desta década, essa concordância foi quebrada. As ações europeias hoje estão bem mais baratas que seus pares americanos. Será que é para sempre?




Esse modelo adotado pelo BOJ foi seguido por diversos bancos centrais depois da crise de 2008. Já se passaram mais de 10 anos desse evento, e como se pode ver no gráfico abaixo, enquanto o Fed parou de expandir seu balanço, todos os outros ainda permanecem em excesso.




Será que o mundo está preso ao que se chama de armadilha de liquidez? A definição dessa situação econômica é:

“Uma armadilha de liquidez é uma situação descrita na economia keynesiana na qual, "depois que a taxa de juros caiu a um certo nível, a preferência pela liquidez pode se tornar virtualmente absoluta no sentido de que quase todo mundo prefere uma dívida que rende uma taxa de juros tão baixa”

“Uma armadilha de liquidez é causada quando as pessoas acumulam dinheiro porque esperam um evento adverso como deflação, demanda agregada insuficiente ou guerra. De acordo com a teoria dominante, entre as características de uma armadilha de liquidez estão as taxas de juros próximas de zero e mudanças na oferta de moeda que não se traduzem em mudanças no nível de preços”.

Não parece ser exatamente a situação que vivemos atualmente, mas como então explicar a manutenção de taxas de juros tão baixas, atividade econômica insuficiente e sem inflação? Tudo isso acontecendo não num período curto, um a dois anos, mas por 10 anos!

Melhor comemorar os 20 anos do BOJ, quem sabe isso não é só o começo. Como se costuma dizer em comemorações da religião judaica, “que viva até os 120”. Nesse caso, Deus nos livre! Hahaha ....

No post final-de-carreira, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” O movimento traçado pela bolsa (mesmo antes do evento de Brumadinho), já dava sinais de “cansaço”. Isso normalmente acontece depois de um período mais longo de alta. Destaquei em vermelho os principais níveis para uma eventual reversão: 96.500 – 100.000 – 105.500” ...


A máxima atingida foi de 98.550, praticamente no meio do intervalo entre 96.500 e 100.000, para depois sofrer uma queda abrupta. No post citado acima, também anotei quais seriam os níveis onde a correção poderia atingir: ...” Vou mostrar a seguir, com um gráfico de prazo mais longo, o que poderia acontecer com o Ibovespa nos próximos meses, caso essa correção tome pulso da maneira exposta acima” ...


Muito bem, podemos considerar que a correção está em curso? Tudo indica que sim, mas é necessário ainda uma confirmação: que os preços caiam abaixo de 93.400, além do nível de 98.500 não seja atingido. Complicado? Siga o Mosca.



O SP500 fechou a 2.744, com alta de 1,28%; o USDBRL a R$ 3,7106, com queda de 1,25%; o EURUSD a 1,1331, com alta de 0,49%; e o ouro a U$ 1.310, com alta de 0,18%.

Fique ligado!

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