Bota fogo!



Um estudo elaborado pelo Centro Alemão para a Política Europeia (CEP), aponta que o euro, tem sido um sério obstáculo para o crescimento econômico de quase todos seus membros.

A Alemanha e a Holanda, no entanto, se beneficiaram enormemente do euro nos 20 anos desde o seu lançamento, mostrou o estudo. O crédito acionado pela moeda e o investimento crescem, ampliando os benefícios do ambiente de taxas de juros baixas da Alemanha em toda a periferia do bloco. No entanto, essas dívidas tornaram-se difíceis de sustentar após a crise financeira de 2008, com a Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Chipre forçadas a buscar ajuda financeira à medida que o crescimento desacelerou e o financiamento tornou-se escasso.

De acordo com o CEP, durante todo o período desde 1999, os alemães ficaram cumulativamente mais ricos em € 23.000, do que teriam sido, enquanto os holandeses em € 21.000, mais ricos também. Para comparar, italianos e franceses ficaram cada um € 74.000 e € 56.000 mais pobres, respectivamente.




A pesquisa não incluiu uma das economias que mais crescem na Europa, a Irlanda, devido à falta de dados apropriados.

Os autores do estudo, Alessandro Gasparotti e Matthias Kullas, disseram que a maioria dos membros da zona do euro desfrutou de períodos durante os quais a união monetária havia sido positiva, mas estes foram superados em muito pelos períodos em que perderam o crescimento. A Grécia foi uma exceção parcial, acrescentaram.

"Nos primeiros anos após sua introdução, a Grécia ganhou imensamente do euro, mas desde 2011 sofreu enormes perdas", escreveram os autores, explicando que durante todo o período, os gregos ficaram 190 mais ricos, do que teriam sido”.

O estudo concluiu que, como os países perdedores não podiam mais restaurar sua competitividade desvalorizando suas moedas, tiveram que dobrar suas reformas estruturais. A Espanha foi destacada como um país que estava prestes a eliminar o déficit de crescimento que havia acumulado desde a introdução do euro.

Desde 2011, a adesão ao euro resultou numa redução da prosperidade. As perdas atingiram o pico em 2014. Desde então, elas vêm caindo constantemente ”, disse o relatório, acrescentando: “ As reformas que foram realizadas estão valendo a pena ”.

A decisão de criar uma moeda única sem as instituições que fariam isso funcionar era "fatal" para a zona do euro, diz o economista ganhador do Prêmio Nobel, Joseph Stiglitz, acrescentando que a "zona do euro deve abandonar agora para sobreviver".

“O euro é frequentemente descrito como um casamento ruim. Um casamento ruim envolve duas pessoas que nunca deveriam ter se unido fazendo promessas supostamente indissolúveis. O euro é mais complicado: é uma união de 19 países marcadamente diferentes que se unem ”.

Segundo o economista, uma moeda única destinada a unir uma região com enorme diversidade econômica e política é quase incapaz de funcionar. O euro não conseguiu atingir nenhum dos seus dois principais objetivos de prosperidade e integração política. Como resultado desse fracasso, os países europeus agora se veem com desconfiança e raiva.

Ele critica os líderes da zona do euro, alegando que eles não tinham uma compreensão adequada do que uma união monetária significava. A estrutura da zona do euro - suas regras e regulamentos - não foi projetada para promover o crescimento, o emprego e a estabilidade.

O gráfico a seguir não deixa nenhuma dúvida sobre a ineficiência do euro como moeda única. Até um pouco antes da sua introdução, a Itália tinha uma taxa de crescimento semelhante à da Alemanha. Isso era factível em função de uma política cambial flexível, onde a lira italiana sofria desvalorizações perante o marco alemão. A partir do euro o descolamento é praticamente instantâneo, haja visto que, a circulação começou em 2001.




Em relação ao emprego as consequências não poderiam ser diferentes, enquanto na Alemanha a taxa de desemprego vem retrocedendo, a dos outros países vão em sentido inverso.




Os leitores podem achar que eu tenho uma razão especifica ao tecer comentários tão ácidos em relação ao euro, mas não sou só eu. Na verdade, os números são inequívocos.

As vezes penso se daqui a 10 anos o euro ainda vai existir, ou mesmo se algum membro resolva abandonar. A probabilidade de acontecer não é tão baixa, uma vez que, não existe solução simples para esse gap que se abriu entre os países eficientes em relação aos ineficientes.

- Legal David, entendi seu ponto, mas poderia explicar o título do post: bota fogo?
Ah, ia quase me esquecendo, bem lembrado. Sugiro que os alemães botem fogo no artigo, só vai criar problemas para eles! Hahaha ...

Hoje vou bater ponto na análise técnica, termo que usei na última reunião da Rosenberg para descrever o euro. No post confusão-na-área, fiz os seguintes comentários sobre a moeda única: ... “Fixaria os níveis de € 1,12 e € 1,155 como delimitadores entre elas, ou seja, acima de € 1,155 vale o verde, abaixo de € 1,12 o vermelho”...



Em mais que 2/3 das vezes, quando o mercado se encontram numa conjuntura semelhante à atual do euro, as chances são maiores de queda, conforme apontei no gráfico abaixo em marrom. Em isso acontecendo, podemos esperar cotações ao redor € 1,06 / € 1,05.



Mas um bom analista também deve analisar qual seria o cenário alternativo, e nesse caso pode ser uma alta do euro. Embora pouco provável, esta chance existe. A moeda única poderia muito bem passar por um false break, para baixo, para em seguida ser rejeitado e começar a subir. Como mencionei acima em vermelho “pregaria uma peça no mercado”.

Caso o mercado rompa para baixo e o Mosca sugerir um trade de venda, iremos nos proteger dessa possibilidade adversa com um stoploss “curto” como costumo dizer. Santo stoploss!

Antes que meu amigo pergunte, estou batendo ponto no euro, porque não está acontecendo po&*a nenhuma!

O SP500 fechou a 2.792, sem variação; o USDBRL a R$ 3,7285, com queda de 0,54%; o EURUSD a 1,1373, com queda de 0,12%; o ouro a U$ 1.319, com queda de 0,67%.

Fique ligado!

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