2020: O risco vai compensar?

15 de agosto de 2019

Onde os narcisistas falham



Dar muito poder a quem não avalia corretamente os riscos é um perigo. O grande assedio ao poder, normalmente levam a esses cargos pessoas com qualidades nem sempre benignas cujo discurso não é o que realmente tencionam. Coisas da psicologia humana.

Já mencionei diversas vezes o perigo que Donald Trump representa para os EUA e para o resto do mundo. Um empresário malsucedido em sua vida profissional, cuja riqueza foi obtida através da assunção de riscos enormes que, quando deram errado, passou seu prejuízo para os bancos, e não foram poucos, quebrou 4 vezes! Mas é inegável seu poder de persuasão pois conseguiu credito mesmo depois desses eventos.

Como presidente da maior economia do mundo, acredita que pode usar estratégias semelhantes, a de intimidar quem considera que atrapalha seus objetivos e crenças. Como mote de campanha disse que iria trazer de volta as fábricas para seu país, imaginado que ganharia suporte de eleitores que sofreram com a globalização. Para atingir esse objetivo mirou nos maiores exportadores de produtos para os EUA: China e Europa (Alemanha). A estratégia de elevar as alíquotas de importação todos nós conhecemos seu andamento.

Os economistas de renome sabiam das condições frágeis em que o mundo se encontrava e que um movimento dessa dimensão poderia ocasionar efeitos colaterais no globo, atingindo a todos. Mas um bom narcisista não escolhe pessoas que são contra suas ideias, ao contrário as destrói, busca os yes men.

Começou sua empreitada de forma arrogante contra a China. No início os chineses até poderiam dar um voto de confiança, pois uma batalha nesse front seria muito ruim para eles. Mas com o passar do tempo, perceberam que era tempo perdido e buscaram outras alternativas para algo que consideram inevitável.

Mas Trump acha que consegue tudo e foi em frente com suas ameaças. É natural que os efeitos imediatos seriam sentidos nesses dois países, afinal o mundo estava num movimento de globalização já havia muito tempo.

A Alemanha hoje se encontra a beira de uma recessão enquanto a China sofre com a desaceleração da sua economia. Agora, um país não morre, se adapta as novas condições, e é o que cada um está fazendo agora, pois já assumem que a globalização é coisa do passado, pelo menos para eles.

Acredito que outra intenção de Trump, e talvez a principal, seja o risco de a China ameaçar a soberania americana. Esse país tem os quesitos básicos para ocupar esse lugar: uma economia forte; território e grande população. Esse seguramente é seu objetivo.

Qual foi então a estratégia do Trump? Enfraquece a economia chinesa através das restrições as suas importações, e como a economia americana se encontrava em boas condições, crescendo, era questão de tempo para reassumir o controle. Sendo assim, se reelegeria com tranquilidade no próximo ano.

Porém, a reação dos mercados ultimamente não está respondendo bem as ameaças econômicas, bastou apenas uma pequena amostra do que uma recessão norte-americana poderia ser para o presidente Donald Trump sugerir que ele quer um acordo comercial com a China.

Sempre sensível aos movimentos da bolsa, o presidente tentou acalmar os mercados após o encerramento. Abandonando sua falsa retórica comercial, Trump estendeu um ramo de flores ao presidente chinês Xi Jinping em uma série de tweets, chamando-o de "grande líder" e "bom homem". Ele terminou seus posts com "Encontro pessoal", sem especificar se ele estava propondo uma cúpula.

A questão é como, Xi Jinping responderá à proposta de Trump. Quem está mais desesperado por um acordo comercial agora?

Desde o início da guerra comercial, os consumidores americanos sentaram-se bem e desfrutaram de sua prosperidade - assim como Trump se gabou. A economia da China, ao contrário, vem passando por um período muito mais difícil. No último ano e meio, Pequim teve que lidar com todos os tipos de problemas de crédito que poderiam se transformar em uma crise econômica mais ampla.

Isso pode parecer ruim, mas ajuda a China agora. Se um bombeiro tem que apagar incêndios todos os dias durante um ano, ele fica mais eficiente. É aí que Pequim está agora.

O mesmo não pode ser dito dos EUA. O declínio de seus rendimentos soberanos de títulos de longo prazo - uma medida de confiança dos investidores - tem sido rápido e furioso.

Com certeza, a economia da China está desacelerando: o crescimento da produção industrial está mais fraco desde 2002. Mas, mergulhando fundo nos dados, o quadro que emerge é de um governo que é comedido e confiante.
O PBOC não mostrava sinais de pânico. O banco central rolou mais de 383 bilhões de yuans (US $ 54 bilhões) em empréstimos para financiamentos de médio prazo com taxas de juros inalteradas. Enquanto os maiores bancos centrais do mundo estão correndo em direção a taxas zero, o PBOC tem ficado à margem, economizando seu poder de fogo para mais tarde.

O sistema da China tem suas vantagens quando se trata de gerenciamento econômico. A capacidade dos ministérios de coordenar suas respostas políticas significa que a China pode praticar o que há de mais moderno na teoria monetária, que é provavelmente o que os EUA precisam agora para restaurar sua curva de juros.

Então, enquanto Trump pode pensar que seu ramo de flores é um grande negócio, a mensagem para Washington é: não pense que você tem a China nas cordas. Xi estava em pânico há um ano; ele pode se dar ao luxo de esperar agora.

A China já entendeu que está negociando com um narcisista, sendo assim, não confia em nenhuma palavra do que Trump diz. De agora em diante, somente acordos depois de assinados e implementados terão valor, e ainda serão minuciosamente verificados. Além do mais, sabem que o Trump quer ser reeleito, e farão de tudo para atrapalhar suas intenções. 

O mundo espera que um retrocesso dos EUA na batalha contra esses países possa ser revertido, mas isso nem sempre é possível, pois os consumidores são movidos por fatores econômicos, mas também são sensíveis aos seus receios, e do jeito que o noticiário se encontra inundando sobre o tema recessão, assunto do Mosca amanhã, teremos que observar.


No post armadilhas-nas-decisões, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Como apontei no gráfico acima, a estrutura de ondas ainda não permite uma conclusão mais segura. Além do mais, esse movimento pode durar por mais alguns dias, antes de voltar a subir” ...


No gráfico a seguir se pode notar um movimento semelhante ao que está marcado acima, o que não permite confirmar que essa é a correção que se desenha a frente. Sugiro que os leitores visitem a publicação acima para relembrar as outras possibilidades. Vou seguir com a premissa básica traçada.

Também tinha fornecido um limite máximo de queda nesse caso em 2.840, porém vou estender até 2.730, haja visto que, poderia estar formando um Expanded Flat, que segundo a teoria de Elliot Wave, tem a seguinte configuração.


No próximo tracei em branco esse movimento que também valida o movimento de alta. Segundo cálculos auxiliares, a queda deveria se restringir ao nível de 2.820 ou 2.730.


Amanhã vou tratar sobre as chances de a economia americana poder entrar numa recessão mais a frente, usando alguns indicadores que funcionaram no passado que atribuem uma determinada probabilidade. Como não é só o Mosca que tem acesso a essas informações, o mercado já sofre esse impacto, ou em outras palavras, parte já se encontra nos preços.

É bem verdade que, o mercado de ações, com uma distância mínima de queda sobre o recorde histórico, poderia sofrer muito mais, caso esse evento aconteça. Por enquanto, do ponto de vista técnico, não se pode nem afirmar ou recusar que esse risco é possível, os vários cenários contemplam ambas hipóteses. O que posso dizer é que o mercado de juros de 10 anos aponta a recessão com mais veemência que o SP500.

Sendo assim, se alguém quer apostar num cenário recessivo a bolsa oferece um melhor retorno que os juros, em contrapartida, no caso inverso se aconselha uma aposta na elevação dos juros de 10 anos. Como o Mosca não está aberto para apostas sobre palpites, vai usar os mercados para se posicionar.

Outro dia encontrei essa ilustração apontando de maneira elucidativa como é gasto o seu tempo nas várias etapas de um investimento. Talvez esteja um pouco exagerado, mais tem um recado bem interessante como outros fatores impactam esse assunto.


O SP500 fechou a 2.847, com alta de 0,25%; o USDBRL a R$ 3,9903, com queda de 1,31%; o EURUSD a 1,1112, com queda de 0,23%; e o ouro a U$ 1.523, com alta de 0,48%.

Fique ligado!

Um comentário:

  1. Se há uma coisa que estremece a China é a possibilidade de uma recessão nos EUA.
    Se os EUA pegarem um resfriado, a China pega uma pneumonia.
    A China adotou um modelo de crescimento econômico nos últimos anos que é insustentável. Investimento maciço em infraestrutura a base de endividamento. Investimentos com retornos bastantes duvidosos.
    O setor exportador chinês com seu grande superávit e vantagens competitivas é que está mantendo tudo de pé. Mas uma queda brusca nas exportações pode fazer ruir o castelo de cartas. Apesar de ser a 2a economia do mundo, a renda per capita da China ainda é muito baixa, não tem como o mercado absorver uma queda nas exportações.

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