2020: O risco vai compensar?

8 de agosto de 2019

Sem limites da lógica



O tema do Mosca para 2019 não podia ser melhor, “ Quem dá menos” ganhou durante o ano, proporções impensadas naquele momento, transcendendo o mercado americano se tornando global. Sem falar da Europa e Japão, que já estão muito adiantados neste tema, dando literalmente menos juros, outros bancos centrais ao redor do mundo se juntaram a essa nova moda.

Ontem foi a vez da Índia e da Tailândia cortar os juros. Além de dos cortes realizados recentemente pelo banco central da Austrália e Nova Zelândia, sendo que, esse primeiro, o mercado espera novas quedas ainda em 2019, como se pode verificar nos gráficos a seguir.


Todo esse movimento observado no exterior me leva a seguinte dúvida: Até aonde pode cair os juros no Brasil?

Hoje foi publicado o IPCA de julho em 0,19% ficando abaixo da expectativa do mercado (0,25%). Em 12 meses o índice recou para 3,22%, abaixo do limite inferior fixado pelo banco central. Ainda tem um detalhe, não fosse a energia elétrica que contribuiu com + 0,17% no índice, em função da adoção da bandeira vermelha, o IPCA estaria beirando a estabilidade.


Atentem-se aos vários subitens da tabela acima e notem que a grande maioria se encontra contida em níveis bastante baixos. Isso por si só indica a estabilidade na inflação.

A Rosenberg projeta uma leve ascensão da inflação até o final de 2019, consequência dos alimentos enquanto os combustíveis devem deixar o campo deflacionário (a ainda se considerar a recente elevação do dólar). O item energia elétrica deve exercer pressão nos próximos meses, em função da cobrança de tarifa extra. Mesmo com todas essas pressões é esperado que 2019 termine em 3,9%, repetindo o mesmo nível para 2020.



Passada a reforma da Previdência cujo resultado ficou acima do esperado, quando o processo se iniciou, as condições para um controle mais seguro da evolução da dívida pública ficou factíveis. Tudo isso com a economia em ritmo ainda muito baixo. Considerando um crescimento conservador de 2,5% a.a., no próximo ano, a Dívida/PIB vai alterar sua trajetória. Acrescente-se as privatizações que o governo está empenhando que aconteça, não haveria motivos para que os juros permanecessem tão elevados.

Muitos poupadores devem estar se deparando com a dura realidade da queda de seus rendimentos de renda fixa. Acostumados a receber juros com títulos de risco zero, como os do tesouro, estão sentindo na pele uma queda de 50% em seu rendimento, que ocorreu nos últimos anos.

Para essas pessoas que acabaram não migrando para outros títulos com prazo mais longo e com rendimento não indexado ao CDI, não tenho boas notícias para o futuro. Porém, ainda estão muito melhores que seus semelhantes no exterior. Imaginem o desespero de um alemão que ao pedir uma cotação de investimento no prazo de ano, recebe a notícia que vai receber menos que aplicou.

Eu tenho poucas dúvidas, em se continuando o ambiente mundial de quedas dos juros, e com as reformas em andamento no Brasil, os estrangeiros acharão a remuneração por aqui maravilhosa, enorme. Essa pressão poderá comprimir ainda mais os juros no Brasil. Somem se a esse potencial fluxo, o proveniente dos brasileiros que irão abandonar as operações indexadas ao CDI para títulos mais longos indexados ao IPCA ou mesmo pré-fixados.

Para se ter uma ideia, o título do governo vencendo em 2026 propiciam agora, um rendimento de IPCA + 3% a.a., enquanto uma LTN pré-fixada encontra-se ao redor de 7% a.a. É pouco? Se a resposta é baseada no passado, é muito pouco, mas se levarmos em consideração os dados recentes e a pressão do exterior, que eu acredito irá acontecer, é muito alto ainda.

É de se esperar que o BCB esteja observando tudo isso, sendo assim, não vejo porque a taxa SELIC não poderia cair para algo em torno de 4% a 5%. Minha estimativa baseia-se no fato de a inflação estar rondando 3,5 %, e com a ociosidade existente, não justifica juros reais, na taxa de curto prazo, acima de 1% a.a. Mas mesmo que o BCB demore para agir, as taxas longas deverão continuar caindo ocasionando o que se denomina no mercado a inversão da curva.

- David, acho que você está beirando a loucura, estamos no Brasil!
Sabia que você levantaria questão. A pergunta que todo leitor deve estar se fazendo é até onde os juros poderão cair? Para responder eu pergunto quem poderia imaginar há um ano, que os juros dos títulos da Alemanha com vencimento em 10 anos estaria em – 0,50%. Um investimento de 100 resgatara 95 (tive dificuldade de introduzir os dados, não é logico). 

Sendo assim, para responder sua pergunta, posso calcular uma taxa que seria lógica em termos de estrutura de juros, mas se os estrangeiros vierem mamar por aqui, os juros podem cair sem limites da lógica!

O que pode dar errado? O riso maior vem do exterior com um movimento de aversão ao risco. Nesta situação, os ativos brasileiros deverão sofrer, ocasionado também, impacto na moeda. Mas por enquanto, existe mais o temor que uma evidencia nesse sentido.

No post o-cala-boca, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “Agora que houve o rompimento da linha superior do triângulo, o primeiro objetivo se encontra em U$ 1.475, e caso seja rompido o próximo nível seria U$ 1.520” ...


Desde a última postagem, eu estava imaginado reentrar no trade para comprar ouro ao redor de U$ 1.380, porém a mínima atingida nessa janela foi de U$ 1.400 e rapidamente o metal subiu. O gráfico a seguir aponta para os níveis onde uma reversão poderia acontecer.

Como havia mencionado no post acima, o segundo objetivo poderia alcançar U$ 1.520. Caso seja ultrapassado, posso esperar o próximo ponto ao redor de U$ 1.580.

Antes que meu amigo pergunte, não vou sugerir venda do ouro. Embora seja razoável supor que uma correção ocorra depois de tamanha alta. Para entrar num trade contra a tendência que se formou recentemente é necessário mais evidencias.

Por enquanto vamos ficar de espectador do ouro, pois está entrando na área crítica de longo prazo, conforme se pode verificar no gráfico a seguir, publicado anteriormente no Mosca.

O SP500 fechou a 2.938, com alta de 1,88%; o USDBRL a R$ 3,9195, com queda de 1,27%; o EURUSD a 1,1182, com queda de 0,13%; e o ouro a U$ 1.502, com alta de 0,12%.

Fique ligado!

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