2020: O risco vai compensar?

9 de agosto de 2019

Quando a principal falha



As grandes equipes de futebol têm um jogador que se destaca e normalmente se trata de um atacante. Atualmente poderia citar o Messi na seleção argentina e o Neymar na brasileira. Inconscientemente, se o jogo está difícil, os jogadores tendem a canalizar as jogadas nesses craques, afinal, raciocinam que eles podem dar um outro rumo a partida.

É dessa forma que a economia Alemã é encarada pela Europa. Os ventos contrários resultantes atingiram a Alemanha de maneira mais forte, pois as exportações representam 47% do PIB; além disso, há agora sinais de um transbordamento para os serviços. Como a Alemanha tem uma cadeia de fornecimento a nível continental e representa 29% do PIB da zona euro, deslizar para a recessão afetaria duramente outras economias da Europa ocidental.

Os pedidos de fábrica alemães subiram 2,5% em junho, mas retirados os itens excepcionais a variação mensal cairia para uma média -0,4%. Adicionando ao cenário sombrio, o PMI industrial da semana passada caiu para 43,2, a leitura mais baixa desde meados de 2012. Da mesma forma, a última pesquisa do IFO mostrou grandes e crescentes estoques versus queda de pedidos.

A fabricação de automóveis mais parece a ação de uma empresa que colapsou. O nível atual de 4,5 milhões anuais, é 25% inferior aos atingidos em 2015/2016 e similar aos volumes durante a crise de 2009.


Em outros lugares da zona do euro, a situação é menos severa. Na França, a manufatura representa apenas 10% do PIB, contra 20% na Alemanha, e os seu grande setor público oferece um amortecedor para a demanda externa mais fraca. O crescimento francês desacelerou para 0,2% no 2T19, apesar dos cortes de impostos inspirados em protestos de Emmanuel Macron, as pesquisas são mais positivas e mostram maior resiliência a uma recessão.

No sul da Itália, as pesquisas do setor de serviços mostraram vida, que pode ser até uma consequência da nova política de renda mínima garantida, reforçando a demanda. Ainda nas regiões industriais do Noroeste, o sentimento do setor de serviços continua a enfraquecer. A Itália registrou um crescimento de apenas 0,1%nos últimos 12 meses e será difícil eliminar uma contaminação da Alemanha, bem como, a desaceleração global.
Então, o que tudo isso significa para o crescimento? Mesmo antes da semana passada - a escalada da guerra comercial EUA-China, a área da moeda única tinha uma previsão de crescimento de 1%, agora parece mais razoável esperar 0,5%. No entanto, dado o acumulo de preocupações, uma recessão da zona do euro é agora uma possibilidade distinta.


A aposta é que mesmo uma outra ação do BCE não poderá compensar o dano de uma guerra comercial aprofundada e um Brexit desordenado. Ao contrário do que se espera, em vez de uma curva de juros com retornos negativos em todos os vencimentos, estimular a demanda, reduzem os incentivos para assumir mais riscos.

A Alemanha é um pais que tem um parque industrial muito eficiente fruto de uma população instruída e disciplinada. Nos últimos anos se aproveitou da fraqueza dos países membros da União Europeia, e graças a uma política monetária frouxa implementada pelo BCE, surfou num euro depreciado. Como consequência, e num mundo globalizado, se voltou para as exportações.

Mas a situação mudou e está mudando, com o embate traçado pelo EUA e China, esse modelo tem seus dias contados. Mesmo não estando ainda na linha de tiro, Trump já avisou que pretende se voltar contra a Europa e especialmente a Alemanha. Talvez, a Alemanha esteja sentindo mais as consequências dessa guerra que a própria China. Assim, quando a principal falha a periferia sofre.

No post nem-Freud-explica, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “Meus novos cálculos apontam para dois objetivos inicias, o primeiro em 1,73% e o segundo 1,65%. Em atingindo algum desses pontos, eu ficaria na observação de uma reversão. Caso isso não aconteça, o próximo nível seria nas mínimas históricas em 1,32%” ...

Com a confusão dos últimos dias a queda de taxas de juros ganharam mais um empurrão. Durante a semana chegaram a atingir 1,6% e depois se recuperam levemente, situando-se ao redor de 1,7%.

Chamo a atenção para a area demarcada em azul, notem que o shape desse movimento é impulsivo. Se o nível de 1,35% não for rompido, é possível uma análise não tão desastrosa para o futuro, porém se romper, níveis inferiores ficam expostos (vejam gráfico abaixo).


Até o momento nada indica que a queda terminou, apenas parece estar ganhando um pouco mais de folego para voltar a cair. Tenho observado alguns artigos que começam a levantar a hipótese de os juros americanos ficarem negativos. Esse raciocínio parece lógico, se a Alemanha, Suíça e o Japão estão nesta situação, porque não os EUA? Do ponto de vista fundamentalista não acredito que seja o caso, somente se uma recessão acontecer.

O SP500 fechou a 2.918, com queda de 0,66%; o USDBRL a R$ 9,9398, com alta de 0,52%; o EURUSD a 1,1202, com alta de 0,21%; e o ouro a U$ 1.498, com queda de 0,12%.

Fique ligado!

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