2020: O risco vai compensar?

14 de agosto de 2019

Eu não avisei!



Enquanto os mercados financeiros encontram-se numa moda frenética de apostar qual será o próximo pais cujos bonds ficarão com taxas negativas, oriundo do receio cada vez mais forte, que uma recessão está nas cartas, os resultados ainda não indicam esse temor da forma mais realista.

Depois que a Europa e o Japão, estes sim, com graves problemas em suas economias, têm a maior parte de seus títulos com juros negativos, parece que os investidores escolheram os EUA com a nova presa. Não quero dizer que isso não poderá acontecer, mas o posicionamento do mercado está cegamente voltado neste sentido, o que poderá colocar o Fed numa situação desconfortável.


O mandato do Fed se resume a duas variáveis: emprego e inflação, a atividade econômica é secundária. Naturalmente, outras variáveis podem influenciar o futuro desses dois indicadores, e hoje em dia com a globalização, o que acontece no exterior pode impactar. Mas no final do dia é sobre os dois que será avaliada a sua performance.

Em relação a inflação, ontem foi publicado o CPI do mês de julho, cuja alta de 0,3%, foi a maior desde 2016, em 12 meses a elevação foi de 1,8%, se encontrando abaixo do objetivo do Fed. O índice que exclui gasolina e alimentos, também subiu 0,3%, e em 12 meses 2,2%.


Economistas viram algumas evidências nos dados de terça-feira de que um mercado de trabalho restrito e as tarifas impostas pela administração Trump em muitos bens importados estão começando a elevar a inflação. O aumento nos preços do consumidor central excedeu a previsão dos economistas em um décimo de ponto percentual.

Considerando um período mais curto de 3 meses, a inflação continua em sua trajetória ascendente. Com essa métrica o resultado é de 2,8%. O Mosca vem acompanhando esse indicador e como se pode notar, não parece haver nenhum arrefecimento.

E por último, quero trazer uma projeção feita pelo Nomura que indica níveis crescentes de inflação, que atingiriam 2,4% a.a. no 1º trimestre de 2020.


Não gostaria que o leitor interpretasse minhas colocações como se houvesse uma alarmante alta da inflação, mas sim, como nessa situação, onde a inflação está subindo, o Fed pode se sentir confortável cortando os juros. Seria ilógico e imprudente pelos padrões normais de política monetária.

Em relação a outra variável, o emprego, que esse sim, é atrasado em relação a atividade econômica, também não se pode observar nenhuma folga. Os EUA continuam em pleno emprego, e as empresas estão reportando estar cada vez mais difícil encontrar funcionários com o nível de qualificação necessária.

O mercado já colocou como certo que o Fed irá reduzir os juros na próxima reunião em setembro. Não acredito que a autoridade monetária vai ter o guts de peitar o mercado, e provavelmente irá reduzir os juros.

Vocês devem se recordar que na última reunião houveram 2 dissidentes que não concordavam com a redução, e pode ser que esse número cresça na próxima reunião, levando os agentes a perceber que, por enquanto, o Fed não deveria entrar na onda do mercado indicando mais cortes. Caso isso aconteça, irá chacoalhar as apostas que predominam nos mercados, a de que, nem o chão é limite para a queda de juros.


Mas vamos supor que nem isso aconteça e os membros decidam manter a tendência de queda de juros, isso vai originar um maior desacordo dentro do Fed, que já é elevado como se pode verificar no gráfico de dissidência abaixo.  E caso algum descontrole acontecer no futuro, porque a inflação ficaria em níveis desconfortáveis, os dissidentes repetirão a frase que todo pai disse a seu filho “ eu não avisei! ”

No post alem-do-retorno-passado, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “O euro mais parece um doente terminal que não consegue melhorar, mas que continua sobrevivendo” ...  Acredito que essa afirmação não poderia ser mais verdade. Numa trajetória levemente declinante, segue de forma lenta com as características técnicas de um ativo em queda.

Nestes últimos 360 dias, o euro ficou restrito a um “funil” descendente, onde a cada nova queda, seu mínimo era inferior ao anterior (laranja,) e a cada alta abaixo da anterior (azul). Essa configuração indica que continuará em queda até que essa dinâmica seja quebrada. Por outro lado, o fato de afunilar indica que o movimento está “cansado” e que o mais provável é que ocorra um rompimento no sentido inverso ao que vem ocorrendo, que nesse caso é de alta.

No mês de junho, o Mosca sugeriu um trade de compra que acabou se mostrando improdutivo, depois disso, resolvi permanecer como observador. Por outro lado, não vejo um trade de venda com um bom risco x retorno. Sendo assim, público de tempos em tempos uma atualização e tenho a impressão que meus argumentos se tornam repetitivos.

O euro teria tudo para estar caindo pelas tabelas, com a Europa a beira de uma recessão e o BCE pronto para cortar mais os juros, somente o diferencial entre os juros dos EUA e do euro diminuíram, mais pela queda mais acentuada dos americanos, conforme se nota no gráfico a seguir, que compara a diferença de juros entre os dois vis-à-vis o euro.


Fora isso, não sou compelido a fazer nada no momento. Esse lero lero pode demorar algum tempo, ou não. Eu não sei, só sei que não tem nenhum atrativo no momento.

O SP500 fechou a 2.840, com queda de 2,93%; o USDBRL a R$ 4,04, com alta de 1,92%; o EURUSD a 1,1133, com queda de 0,34%; e o ouro a U$ 1.513, com alta de 0,85%.

Fique ligado!

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