2020: O risco vai compensar?

5 de agosto de 2019

Lei de Newton



Todo mundo conhece a terceira Lei de Newton “ a toda ação corresponde uma reação contrária de igual intensidade”. Depois da atitude do presidente Trump, impondo novas tarifas aos produtos chineses, o governo desse último país resolveu tomar mediadas, que não são surpresa: “pediu” para que as empresas do governo diminuíssem a importação de soja dos EUA; e deixou sua moeda, o Yuan, escorregar abaixo do nível de 7,00, que do ponto de vista técnico, é bem perigoso.


O receber essa informação, o presidente Trump foi direto ao seu Twitter e aproveitou para tuitar que: esse movimento da China é chamado de “manipulação da moeda”. Se parasse por aí, seria compreensível, porem completou “ você está ouvindo Fed? ”. Essa última é uma ameaça, ou só estava avisando o banco central mais poderoso do mundo sobre a ação dos chineses? Parece brincadeira a forma que o presidente se comunica com órgãos do seu próprio governo.

A tabela a seguir aponta para as diversas possibilidade que o governo tem para intervir na moeda em conjunto com as probabilidades e seus efeitos.


A China já deve ter perdido a esperança de qualquer acordo e deve reagir a cada vez que o presidente americano impõe algum tipo de penalidade. A defesa da China nesta ocasião, foi intervir no câmbio onde diretamente pode minimizar a elevação de tarifas. Isso não acontece sem custo, de imediato sofrerá impacto no fluxo de recursos, haja visto que, os ativos expressos em Yuan (renda fixa e bolsa) perdem valor.

As moedas asiáticas também sofreram o impacto da medida chinesa, apresentando uma queda de forma generalizada. É percebido um efeito em cascata, dado a dependência desses países no fornecimento de componentes usados na fabricação dos produtos, que a China exporta.



As taxas de juros que estavam baixas, e muitas delas negativas, foram empurradas ainda mais para baixo. Os títulos em franco suíço foram os primeiros a apresentar uma curva de juros totalmente com taxas negativas, até os longínquos papeis de 50 anos. Na semana passada foi a vez dos alemães que agora se encontram da mesma forma.



Existe uma frase muito usada quando um ambiente de risco se assola. Quando o risco de quebradeira aumenta se busca “the return of capital instead of the return on the capital”. Com taxas de juros negativas, nem isso é mais válido! Se o Fed não quiser bater de frente com o mercado terá que baixar os juros em mais 0,25% na próxima reunião, pois o mesmo já atribui uma probabilidade de 100% de isso ocorrer.




Agora não estranhe se daqui a pouco, Trump anunciar que as negociações estão muito avançadas, e que os chineses são muito legais. Sendo assim, resolve postergar a imposição dessas tarifas. O motivo para essa atitude, seriam eventuais quedas da bolsa americana, algo que ele realmente tem muito medo. Vamos acompanhar qual é o seu stoploss!

No post whats-going-on, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “na opção do triângulo, é necessário o rompimento de R$ 3,80; no caso da continuidade, será possível abaixo de R$ 3,72. Entre essas cotações é terra de ninguém” ...



O mercado respeitou o nível de R$ 3,72 conforme eu vinha alertando. Essa era a razão que eu não queria me envolver com um trade de venda naqueles níveis. Na semana passada, o patamar de R$ 3,80 foi rompido, abrindo a possibilidade de estar se formando um triângulo. Para dizer a verdade, o último movimento me faz suspeitar de uma outra possibilidade, a de que a correção terminou e o dólar caminha para romper a máxima de R$ 4,20.

- Como assim David, você me pegou de surpresa!
Não queria te assustar, mas a alta dos últimos dias me obriga a não descartar essa hipótese, mas ainda não trabalho como sendo essa a principal. Vejam a seguir o gráfico contendo os cenários possíveis:

1)      Ainda tem chance – Nessa opção, o dólar poderia subir até R$ 4,03 para em seguida iniciar um movimento de queda que o levaria até o nível de R$ 3,55.


2)      Triângulo – Essa possibilidade difere pouco da próxima, pois ambas têm como objetivo níveis superiores a R$ 4,20.



(*) Dentro dessa opção é possível que o triângulo rompa para baixo, negando esse argumento. É importante notar que, esse é o cenário de menor probabilidade, 1/3 das situações. Caso o triângulo passe a ser a opção mais considerada, vamos apontar os níveis para cada um dos casos citados.


3)      Novos Horizontes – Por fim, esse seria o cenário que implica em mercados bem estressados. Como comentei acima, o dólar deveria acelerar a partir de agora, rompendo a máxima de R$ 4,22 que ocorreu um ano atrás. Naquele momento, a razão era bem diferente da atual, pois havia dúvidas quem seria o presidente do Brasil, agora é por causa das loucuras do Trump.


- Legal David, agora que você colocou esse monte de cenários, com certeza vai acertar na Mosca!
Hoje você está terrível. Muito bem, vou colocar alguns níveis que identificam cada um deles.

[ R$ 3,97 – R$ 4,04 ] – Esse seria o máximo aceitável para o cenário1 – Ainda tem chance. Em se atingindo esse nível, uma reversão deveria acontecer.

[ Até R$ R$ 4,10 ] – Caso as cotações se estendam até esse nível, o caso Triangulo estaria em voga. Em seguida, uma reversão deve acontecer levando o dólar até R$ 3,80. Não vou complicar com outras considerações depois disso para não confundir a cabeça dos leitores. Nesse o caso, teremos tempo para expor esses pontos.

[ Acima de R$ 4,12 e depois de romper R$ 4,22 ] - o cenário Novos Horizontes toma pulso, sendo assim, novas máximas deverão acontecer com o dólar.

As vezes se torna muito difícil expor um cenário quando as ondas de Elliott Wave não estão definidas, mais difícil ainda quando o caso é uma correção, o que acontece na maioria desses casos. Nessas situações existem duas possibilidades de ação: escolhe-se uma opção considerada mais factível. Sugere-se o uso de um stoploss curto; ou se opta por ficar observando até que o movimento indique algo mais claro. No caso do dólar, o Mosca optou pelo último.

O SP500 fechou a 2.844, com queda de 2,98%; o USDBRL a R$ 3,9625, com alta de 1,92%; o EURUSD a 1,1198, com alta de 0,82%; e o ouro a U$ 1.462, com alta de 1,52%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário