2020: O risco vai compensar?

26 de agosto de 2019

Cego em tiroteio



A conhecida frase “mais perdido que cego em tiroteio” se aplica bem ao momento que vivemos atualmente. Se o mundo depende de um acordo minimo entre China e EUA para não entrar numa recessão, ou desaceleração mais forte, está praticamente impossível saber qual será seu desfecho.

Este final de semana foi um exemplo dessa desordem. Na reunião do G7, O presidente Trump entrou em choque com líderes mundiais sobre a guerra comercial dos EUA com a China e uma série de questões de política externa, em uma cúpula do Grupo dos Sete que mostrou seu isolamento no cenário mundial. Ele reafirmou seu compromisso com uma guerra comercial com a China e afirmou seu direito de declarar uma emergência nacional sobre o assunto.

Em determinado momento, Trump sugeriu que estava tendo “dúvidas” sobre a escalada da guerra comercial com a China - comentários que foram vistos inicialmente como uma espécie de concessão do presidente para os outros líderes presentes no G-7, que pediram o fim da guerra comercial, dizendo que está prejudicando a economia global e enfraquecendo alianças. "Eu tenho dúvidas sobre tudo", disse Trump aos repórteres.

Horas depois, no entanto, a secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, divulgou um comunicado dizendo que a resposta do presidente havia sido "muito mal interpretada" e que ele lamentava apenas que, não "elevasse as tarifas".

Outra situação embaraçosa aconteceu sobre o Irã. No sábado, o Presidente Macron convidou Trump para um almoço e lá discutiram a situação desse país. O Presidente francês arranjou uma visita de última hora do Ministro das Relações Internacionais do Irã para o domingo. O que acabou acontecendo é que Zarif se reuniu com o presidente francês, mas não com o americano. Parece que Trump mudou de ideia e deixou o mandante francês com a broxa na mão! Pois perguntado sobre a vinda de Zarif, disse que estava ciente, mas não deu explicações sobre a chegada surpresa.

Na abertura do mercado na Ásia, as bolsas começaram em queda e parecia que o dia seria mais uma continuação da última sexta-feira, quando de repente, Trump publicou um Tweet dizendo que a China quer recomeçar as conversas, revertendo as quedas inicias, e acusando pequena alta na abertura.

Segundo Trump, as autoridades americanas receberam dois telefonemas "muito produtivos" dos chineses, mas se recusaram a dizer se ele havia falado diretamente com Xi. "Eles querem fazer um acordo", disse ele, acrescentando que os EUA aceitariam o convite chinês e retornariam às negociações.


"Vamos começar muito em breve, negociar e ver o que acontece, mas acho que vamos fazer um acordo".

Havia apenas um pequeno problema: nada disso aconteceu de acordo com a China.

Questionado pelos repórteres sobre as declarações de Trump logo após a fala do presidente americano, Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Pequim, disse que não estava ciente de nenhuma ligação telefônica entre EUA e China no fim de semana

Então, pouco antes das 6h, o editor-chefe do Global Times na China, Hu Xijin, confirmou que "com base no que ele sabe", não houve telefonemas entre os EUA e a China nos últimos dias, sugerindo que Trump realmente "alucinou" os dois telefonemas, que só ocorreu em sua cabeça na esperança de impedir que as ações despencassem.

As declarações de Trump estão causando grande impacto nos mercados, se ele fosse um operador de curto prazo poderia ganhar uma nota dessa forma.  Mas os trades de Wall Street estão se irritando muito com essas idas e vindas, ficam mais perdidos que cego em tiroteio!

Como sempre enfatizei no Mosca, que completa 8 anos de existência hoje (mais sobre o assunto abaixo), o mercado precisa de uma explicação sempre, mesmo que não seja a real. Nesse caso, a cada dia que passa a eventual recessão que poderá ocorrer no futuro está marcada pela guerra comercial entre China e EUA, e se por acaso acontecer, Trump será taxado como culpado, por mais que ele queira se desassociar.

As vezes tenho dúvida se o Presidente americano tem alguma estratégia ou vai tomando medias a esmo de forma emocional. Se for o primeiro caso, deve perceber que um acordo é fundamental para sua reeleição, pois se existe algo que precisa evitar a todo custo é uma recessão mundial durante sua campanha. Agora se for o segundo caso, tudo é possível!

Como comentado acima, o Mosca completa 8 anos de existência com as seguintes estatísticas:

Total de posts: 1.914
Total de visualizações: 272.671. Sendo: Brasil 52%, EUA: 26%, Outros: 22% (entre Rússia, França, Alemanha, Portugal, Ucrânia, Reino Unido)

Agradeço a assiduidade dos leitores e vamos em frente aos dois próximos objetivos: 2.000 posts e 300.000 visualizações.

No post é-para-comprar-ou-para-vender, fiz os seguintes comentário sobre o dólar: ... “Na semana passada, depois de ameaçar uma queda, as cotações voltaram a subir hoje, colocando a opção que tracei anteriormente, de alta do dólar, como vigente. Sendo assim, estou abandonado a possibilidade de queda do dólar e vou trabalhar daqui em diante com alta, estabelecendo o primeiro objetivo em R$ 4,45 e caso seja ultrapassado R$ 4,85” ... ... “Vou aguardar uma pequena correção que deve acontecer dentro em breve, que levaria as cotações, calculadas de hoje, entre R$ 3,94/3,90” ...


Na semana o dólar ganhou mais ímpeto, e hoje atingiu a máxima dos últimos meses atingindo R$ 4,1620, muito próximo do auge histórico em R$ 4,2140, durante as eleições do ano passado, e hoje por motivos diferentes. Como vocês podem notar a seguir, acredito que estamos próximo do esgotamento do movimento que levou a moeda americana de R$ 3,71 em julho, o que sugere uma queda entre R$ 3,99 – R$ 3,94.


- David, como pode estar tão convencido da alta? Você não tem segundos pensamentos? (Se o Trump tem, o Mosca também pode ter! Hahaha ...)
Achei interessante sua colocação, inclusive um leitor me perguntou se não seria o momento de vender dólar pois em sua visão o nível oferece um bom risco x retorno.

Pelos ângulos que eu observo o mais provável é que a correção já terminou e estamos entrando nos primeiros movimentos de alta, para atingir os objetivos que coloquei acima. Mas existe algumas poucas possibilidades de uma queda do dólar mais expressiva que a apontada acima. Para que essa hipótese ganhe tração é necessário que o dólar caia abaixo de R$ 3,89.

Mas não vou me estender nessa hipótese agora, se acontecer vou refazer meus planos. No momento, vou aguardar para saber se a alta de hoje vai reverter, ou novas acontecerão nos próximos dias.

O SP500 fechou a 2.878, com alta de 1,10%; o USDBRL a R$ 4,1523, com alta de 0,81%; o EURUSD a 1,1098, com queda de 0,42%; e o ouro a U$ 1.529, com alta de 0,19%.

Fique ligado!

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