2020: O risco vai compensar?

11 de setembro de 2020

Desta vez é diferente?

 

Os renomados economistas, Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, com a publicação do livro This time is Different, lançado logo após a recessão de 2009, obtiveram uma grande repercussão no médio acadêmico.

O teor desse livro pode ser resumido da seguinte forma; Ao longo da história, países ricos e pobres vêm emprestando, tomando emprestado, quebrando - e recuperando - seu caminho através de uma série extraordinária de crises financeiras. A cada vez, os especialistas afirmam: "desta vez é diferente" - alegando que as velhas regras de avaliação não se aplicam mais e que a nova situação tem pouca semelhança com desastres anteriores. Com este estudo inovador provam que estão errados.

O que aconteceu na bolsa americana na pandemia, merece uma reflexão, se o que ocorreu não é algo visto no passado. A maioria das ações obteve desempenho inferior ao do mercado este ano. Para piorar a situação, elas também experimentaram baixas mais profundas.

66% das ações do S&P 500 tiveram desempenho inferior, no ano passado, enquanto 76% tiveram uma queda mais profunda, como se pode ver no gráfico abaixo.


Se você estivesse escolhendo aleatoriamente ações do S&P 500 no último ano, tinha oito vezes mais probabilidade de acertar uma ação com queda máxima de mais de 60%, do que acertar uma ação com queda máxima de menos de 20%. Apenas 10 ações * evitaram o território de mercado em baixa, enquanto 81 caíram 60% ou mais.

*Costco, Walmart, Clorox, Hormel Foods, Dollar General, Verizon, Eli Lilly, Vertex, NortonLifeLock, Citrix Systems

Este ano foi único em muitos aspectos, mas as ações com desempenho inferior ao do índice não são um deles. Em um artigo publicado em 2017, por Hendrik Bessembinder, reportou o seguinte:

“Quatro em cada sete ações ordinárias que apareceram no banco de dados desde 1926 têm retornos de compra e manutenção vitalícios inferiores a títulos do Tesouro de um mês.”

Então, se você sabe que a maioria das ações é uma droga, deveria ter algum tipo de estratégia de gerenciamento de risco, que deve ser implementado em títulos individuais.

Antes de comprar, você deve planejar sua saída caso as coisas deem errado. Pode ser algo simples como uma média móvel, ou uma quantia máxima que você está disposto a perder ou talvez uma margem de segurança onde você paga tão pouco em relação aos fundamentos subjacentes, que você não pode perder dinheiro. Sim, essa última parte foi uma piada. Em outras palavras, estabelecer um stoploss.

 As cinco palavras mais caras no dicionário do investidor são "Eu saio quando estiver zerado". Eliminar essa linha de pensamento tornará sua jornada de investimento muito mais lucrativa e muito menos frustrante.

Não tenho as estatísticas para a bolsa brasileira, porém imagino que a proporção aqui deve ser ainda pior, lembre que o CDI ficou elevado por muitos anos. Me recordo certa vez, quando a inflação era bem elevada, fui visitar um estande de vendas de uma imobiliária. O corretor loco para fazer a venda disse “Esse é o melhor investimento que se pode fazer”. Eu perguntei se ultrapassaria o CDI. Sua resposta “Um investimento imobiliário não se pode comparar com o CDI”. Sabem o que eu fiz? Deixei o dinheiro no CDI!

Com as taxas hoje em dia muito baixas, bater o CDI é mais fácil, porém, não se pode esquecer que, o CDI só anda para frente, enquanto as ações podem andar para traz. Por esse motivo, um investimento de risco deve ter uma perspectiva de retorno tipo 300 a 400 bps acima do juro básico.

Outro dia, estava olhando meu Twitter e um gestor de fundo, bastante conhecido nessa rede social, fez a seguinte postagem “desempenho do fundo “X” 132,7% do CDI e no ano 120,8% mantemos a estratégia focada em riscos baixo”. Não sei que fundo é esse, mas para anunciar com precisão com uma casa decimal do CDI, cuja diferença no total é de 0,054%. Vale a pena? Já descartei esse gestor, pois um fundo desses serve para quem? Para obter esse nível de ganho e pagar suas taxas, em algum momento, o cliente que estava acostumado a ganhar pouquinho vai perder muito. Fujam de qualquer investimento que esteja vinculado ao CDI, pois muito de nada continua sendo nada!

Hoje foi publicado a taxa de inflação dos EUA, o CPI em 0,4% a.m., em 12 meses 1,3% a.a. Excluindo os itens voláteis, gasolina e alimentos, também subiu 0,4%. a.m. O culpado esse mês foram os carros usados com uma alta de 5,4% no mês, sendo responsável por 40% do aumento.


Vocês devem se perguntar por que os carros usados tiveram uma variação tão forte durante a pandemia. No começo a queda se deveu a uma interpretação que as pessoas iriam usar menos carros por ficarem em casa, depois os consumidores ao invés de usarem transporte público, estão preferindo se locomover com automóveis próprios, razão da alta. Distorções da pandemia.

Por último, tenho observado alguns países onde a inflação tem subido, e não posso deixar de destacar o resultado preocupante do IGPM-10 publicado ontem em 4,41%, enquanto outros países isso não vem acontecendo. Sempre existem culpados pela alta e espero que ninguém use o argumento de expurgar do índice, como fez Mario Henrique Simonsen na década de 70. Foi um escândalo na época, aplicando o que chamou de Índice de Acidentalidade aos cálculos da inflação. Se a moda pega....

No post você-esta-torcendo-para-2020-acabar, fiz os seguintes comntraios sobre o Ibovespa: ...” a correção poderia ser mais extensa e atingir os níveis apontados acima (97.5/93.0/89 mil), sendo o mais provável os dois primeiros. Não gostaria de ver abaixo do último, pois mesmo não invalidando a continuidade da alta, recuaria mais que o esperado” ...


O Ibovespa continua sem definição com uma leve tendência de queda, configurando o que se denomina de flag em análise técnica. No gráfico a seguir, anotei um nível onde ocorre uma confluência de duas medidas, ao redor de 96,3 mil. Quando isso ocorre, a probabilidade de ser esse o local de reversão é maior.

Nossa posição foi liquidada nesta semana no dia 09 de setembro. Embora minha previsão seja de alta da bolsa, vou aguardar sem posição até o momento que exista indicações do retorno do movimento de alta.

O SP500 fechou a 3.340, sem variação; o USDBRL a R$ 5,3370, com alta de 0,27%; o EURUSD a € 1,1837, com alta de 0,21%; e o ouro a U$ 1.942, com queda de 0,62%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário