2020: O risco vai compensar?

1 de setembro de 2020

A teimosia é pior que a ignorância

Existem situações que nos deparamos onde não conseguimos explicar os motivos de um determinado comportamento do mercado, nos sentimos ignorantes. Ou podemos adotar uma outra atitude muito mais danosa negando os fatos, assumindo uma postura de teimosia.

No mundo dos investimentos e mesmo na economia, sua postura poderá definir seu sucesso ou insucesso, quando situações que diferem do passado, ocorrem.

O gráfico a seguir produzido pelo Our World data em dados apresentado pela Invictus. Conta uma história incrível da evolução da tecnologia no mundo.


Demorou quase um século para que o autoclismo atingisse 80% de penetração doméstica. A eletricidade levou 30 anos para chegar a 80%; Geladeiras 20 anos; telefones celulares 15 anos; Redes sociais 12 anos.

O ritmo de adoção apenas acelerou com o tempo. Cada nova tecnologia inovadora que atinge um apelo de mercado de massa simplesmente desaparece em segundo plano em nossas vidas.

É fácil esquecer que cada uma dessas coisas, ao mesmo tempo são maneiras totalmente novas de fazer algo que foi feito de maneira diferente, por incontáveis ​​milênios. Eles alteram a forma como vivemos e trabalhamos, modificam nossas rotinas diárias, mudam o tecido de nossas vidas.

E então, eles se tornam invisíveis.

Eles se tornam comuns, tomados como certos, parte do pano de fundo ignorado - simplesmente ali.

A menos que estejam quebrados, você já pensou em eletricidade, água corrente, encanamento interno? Quando foi a última vez que você pensou em seu aquecedor ou aquecedor de água? Antibióticos? Ar condicionado? Streaming de vídeo, planilhas, publicação pessoal? Para não falar dos supercomputadores no seu bolso? A câmera na qual você nem pensa duas vezes, é melhor do que, a mais bem fabricada em unidades profissionais de alta tecnologia, produzida há uma década. Isso para não falar da qualidade do estúdio de televisão portátil com o qual você anda.

Nós nem mesmo pensamos sobre essas coisas ou como viveríamos sem elas. Assista a qualquer filme da década de 1990 ou início de 2000 e você não poderá deixar de notar a falta de smartphones. Sem mapas do Google, sem mensagens de texto, sem mídia social. Linhas inteiras da trama se desfazem: preso em algum lugar? Basta ligar para um Uber.

Essas novas tecnologias representam não um pequeno avanço incremental, mas uma debandada total para um admirável mundo novo e diferente. Normalmente melhor, às vezes não, mas ainda um mundo que seria irreconhecível para alguém de apenas 30 anos atrás.

Conforme observado anteriormente, a pandemia pegou as tendências de adaptação existentes e as sobrecarregou. A Covid-19 pode até ter antecipado o futuro em 3-5 anos.

É de se admirar que, nos últimos 6 meses, o Nasdaq 100 tenha subido como um foguete?

 Porque hoje em dia, eufemismos como “Sem precedentes” e “Incerteza” são tão usados ​​que perdem o sentido. Essas palavras às vezes permitem evitar inconscientemente verdades duras, e contar a nós mesmos, narrativas reconfortantes.

A palavra “Incerteza” é frequentemente usada por especialistas do mercado para justificar situações que não se consegue explicar seus motivos, aí ele se torna incerto; mas o trabalho que é fascinante ultimamente, é como se intensificou situações “Sem precedentes”.

Não porque nada hoje em dia é sem precedentes; mas sim, porque coisas sem precedentes ocorrem o tempo todo. Se o inédito fosse realmente raro, estaríamos vivendo em um mundo que operaria dentro da gama de ocorrências anteriores, e sabemos que isso não é totalmente verdade. Pense na frequência com que os registros são definidos para os mais rápidos / maiores / mais fortes / mais caros / mais longos, e você verá que o sem precedentes ocorre com uma regularidade alarmante.

O risco de usarmos erroneamente palavras como essa é que, quando algo é verdadeiramente, excepcionalmente fora das cartas, sem precedentes, podemos perder o quão poderoso isso é.

O que leva ao gráfico a seguir mostrando a falta total de correlação entre os mercados e a economia.


O sem precedentes ocorre o tempo todo, mas se você quiser ver algo que está fora da escala do usual, a não correlação entre ações e a economia, essa correlação negativa é realmente outra coisa.

Como se poderia explicar tamanha aberração? Uma primeira postura seria negar a realidade e assumir que o mercado está errado e daqui a pouco vai despencar, afinal o livro texto de economia ensina que se a economia vai mal, a bolsa deve cair. Outra forma e assumir que o que está ocorrendo é sem precedentes e merece uma análise, uma pesquisa mais aprofundada.

Indo pelo segundo caminho, percebemos que a revolução digital, nome usado pelo Mosca, se acelerou de forma expressiva depois da Covid-19, e, portanto, algumas empresas foram muito beneficiadas, enquanto outras irão desaparecer.

Aliado a isso, os governos para evitar uma disruptura na sociedade, agiu injetando quantias enormes de recursos, através dos seus bancos centrais e políticas fiscais expansionistas.

Seguindo esse raciocínio, o índice SP500 tem uma metade composta por essas empresas muito beneficiadas, reforçadas por uma participação global de 50%, porque então não poderia subir, mesmo com uma queda gigante do PIB?

Ficar teimando que a bolsa deve cair é buscar não aceitar as mudanças que estamos vivendo e que ela terá impacto, que de certa forma, não tem muita previsão. O que ontem parecia impossível, hoje é menos impossível e como será amanhã? Não estou advogando que o céu é o limite para as bolsas, pois elas estão performando de forma diferente, em função da sua composição. Veja a seguir, o retorno das bolsas latinas em relação aos mercados emergentes (assunto do post de ontem mudanças-despercebidas). Não é só o Ibovespa que busca se recuperar, são todas as bolsas dessa região. É um problema brasileiro, ou porque os índices dessa região têm as ações “erradas”?


O JPMorgan criou um tipo de recuperação diferente. As existentes até hoje eram: V, W, U e outras letras do alfabeto. Mas essa K espelha exatamente o que está ocorrendo com a economia e permite entender o comportamento das bolsas.

Pessoal, o segundo trimestre de 2020 é o outlier de todos os outliers.

 No post ex-post-e-facil, fiz os seguintes comentários sobre o Nasdaq 100: ...” O gráfico a seguir tem janela semanal, como podem notar o índice teria um objetivo de 14.000, onde depois deveria ocorrer uma correção razoável, algo em torno de 10.600 (25%) podendo chegar a 9.000 (35%). Uallll nada trivial. Mas como poderia ocorrer isso num mercado que está dia após dia batendo recordes? O motivo é que, esse movimento começou em 6.500 e foi até 14.000, uma alta de 115%. Observando sob esse prisma nem parece tanto” ...

A bolsa de tecnologia não está dando nenhum refresco, com alta após alta, vai quebrando recordes diário, que nem fazem mais parte do noticiário. Na teoria de Elliot Wave, uma clássica onda 3. Hoje está ultrapassando uma das marcas estabelecidas pelo modelo de 12.246, que se confirmada, ruma para 13.000. Se esse movimento não denota um Bull Market, não sei o que seria então!


Como mencionado acima, se a marca atual for ultrapassada com “folga”, o próximo objetivo estaria localizado em 13.000, que se respeitado, levaria a uma pequena retração, para em seguida atingir 13.400.

Se não fosse a análise técnica, dificilmente estaríamos posicionados, pois que fundamento estaria dando suporte.? Talvez esse seja um exemplo prático de como esses dois modelos podem diferir em suas decisões.

Por outro lado, reconheço que, para quem não conhece as regras da técnica, ou sem experiencia, seria difícil de seguir de forma cega. Neste momento em que, existe em abundância de capital, e muito, tudo deve ficar caro, uma regra simples da economia sobre oferta e demanda. Como um fundamentalista poderá sugerir comprar alguma coisa? A tendência é ficar imobilizado, pois o momento de ficar vendido já passou, pelo menos esse analista que assim fez, entendeu de forma custosa que não é recomendado nessa situação.

Uma outra tendência nesse momento é buscar ativos baratos, e existem, por exemplo: Companhias áreas, setor de bancos, setor de energia, estão largados. Na figura acima, que identifica o tipo de recuperação em K, e dependendo do futuro, pode ser uma boa, mas até lá, o setor de tecnologia, que é mais obvio, está na dianteira.

O SP500 fechou a 3.526, com alta de 0,75%; o USDBRL a R$ 5,3665, com queda de 2,27%; o EURUSD a 1,1915, com queda de 0,18%; e o ouro a U$ 1.968, sem variação.

Fique ligado!

3 comentários:

  1. A humanidade persegue objetivos nem sempre visíveis mas reais inexoráveis! A frase Ou futuro a Deus pertence é exemplo de falta de reconhecimento desse destino progressista dos humanos! Não se trata aqui de otimismo ou pessimismo, mas de puro realismo! A pandemia trouxe males, as guerras também mas a inventividade humana agrega benefícios advindos de eventos extremamente danosos que resultam em progressos inegáveis. A tecnologia avança em progressão geométrica e vai se projetar no tempo! O futuro pertence aos homens de boa vontade e são eles filhos de Deus! As empresas de alta tecnologia vão prosperar por longos anos! Não há nada de irracional nos índices da Nasdaq , simplesmente a adaptabilidade humana insuperável!

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  2. No momento de euforia, tudo se explica...O mercado do mundo inteiro só está comprando essas 5 empresas. Lei da oferta e da procura, fica obvio que os ativos ficam caros. Minha questão é se essas empresas terão capacidade de gerar valor ao longo dos próximos 50 anos como estão indicando os principais indicadores? Elas estão SUPER esticadas. Considero a tese posta no blog excelente para surfar essa onda e identificar o momento de saída. Abraços

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