2020: O risco vai compensar?

16 de setembro de 2020

Trabalhando de pijama

 

Sabemos que desde a eclosão da pandemia Covid-19, muitos trabalhos profissionais são feitos em casa, o que se denominou de WFH. As empresas e pessoas descobriram que é possível essa forma de executar seus trabalhos, e mais, sem muito problema. Agora que as atividades estão voltando a normalidade, os empresários estão se questionando se é melhor continuar dessa forma ou seus empregados deveriam voltar aos escritórios.

Um artigo publicado pela Revista Economist, através de uma pesquisa efetuada em Harvard, elenca alguns resultados para reflexão.

Pegue os elementos básicos da rotina de um escritório moderno: reuniões, e-mails e tempo gasto no trabalho. De acordo com esse estudo, os funcionários têm participado de mais reuniões - por videoconferência, em vez de pessoalmente - enviando mais e-mails e dedicando mais horas desde a mudança generalizada para o trabalho doméstico em março. A equipe analisou dados anônimos, adquiridos de um provedor de serviços de tecnologia da informação, cobrindo mais de 3 milhões de pessoas em 16 cidades da América, Europa e Oriente Médio. Eles descobriram que, em comparação com os níveis pré-bloqueio, o número de reuniões que um trabalhador médio participa aumentou 13% (ver gráfico). O número de pessoas na reunião média também aumentou, 13,5%, talvez porque as videoconferências, ao contrário das reuniões em escritório, não são limitadas pelo espaço. Um raio de esperança é que as reuniões sejam mais curtas, cerca de 20%, ou 12 minutos, em média. Os europeus têm sido mais ávidos do que os americanos para encurtar as reuniões: a tendência é mais acentuada em Bruxelas, Oslo e Zurique.


Certamente, a falta de deslocamento pelo menos significa que os trabalhadores têm mais tempo para si próprios. Em uma variante moderna da Lei de Parkinson, as horas de trabalho foram expandidas para absorver os minutos extras e muito mais. Isso ocorre em todas as 16 cidades. Em média, as pessoas acumularam 48,5 minutos extras por dia - mais do que o tempo médio de deslocamento na América ou na Europa. Isso se deve em grande parte ao aumento de 8% no número de e-mails enviados após o horário comercial normal. O envio de e-mails internos durante o horário normal também aumentou, junto com o número médio de destinatários, presumivelmente como um substituto para falar cara a cara (veja o gráfico a seguir). O número real de horas de trabalho pode ser superior. NordVPN, um provedor de rede virtual privada, calculou em abril que, os dias de trabalho haviam se expandido em uma média de três horas. Como esses dados se confrontam com a sua realidade? Aqui no Mosca nada mudou, o trabalho já era assim antes! Hahaha ...

Um padrão preocupante surgiu quando a maioria dos funcionários do JPMorgan trabalhava em casa para conter a disseminação da Covid-19: a produtividade caiu.

 A produção do trabalho foi particularmente afetada às segundas e sextas-feiras, de acordo com as conclusões discutidas pelo CEO Jamie Dimon. Isso, junto com as preocupações de que o trabalho remoto não substitua a interação orgânica, é parte do motivo pelo qual o maior banco dos EUA está pedindo que mais funcionários retornem aos escritórios nas próximas semanas.

“O estilo de vida WFH parece ter impactado os funcionários mais jovens, e a produtividade geral e combustão criativa ’foram atingidas”, escreveu Brian Kleinhanzl da KBW.

O banco notou o declínio da produtividade entre “funcionários em geral, não apenas funcionários mais jovens”, o porta-voz do JPMorgan, Michael Fusco, esclareceu em um comunicado por e-mail, acrescentando que os trabalhadores mais jovens “podem ser prejudicados pela perda de oportunidades de aprendizagem” por não estarem nos escritórios.

As descobertas do JPMorgan fornecem um ponto de dados no debate sobre se os funcionários têm um desempenho tão bom na mesa da cozinha quanto no local de trabalho, mostrando que o trabalho remoto estendido pode não ser tudo o que parece, pelo menos para algumas funções de trabalho. Embora estudos pré-pandêmicos tenham revelado que os trabalhadores remotos eram tão eficientes quanto os que trabalham em escritórios, havia dúvidas sobre como os funcionários se comportariam sob restrições compulsórias.

O JPMorgan disse na semana passada aos seus funcionários mais experientes e trading que eles seriam obrigados a retornar aos seus escritórios em 21 de setembro, a medida mais forte de um banco americano para restaurar seus locais de trabalho. Trabalhadores em outras funções também estão sendo incentivados a retornar, até uma capacidade máxima de 50% do espaço em Nova York.

No mercado imobiliário americano o impacto já pode ser visto no total de espaço disponível, uma pesquisa efetuada pela Moody’s Analytics, aponta para a direção de WFH, é verdade que esse dado a seguir, pode ter influência de empresas que tiveram impacto na diminuição em sua demanda.


Esse assunto envolve diversos interesses tanto das empresas como de seus funcionários. Do lado da empresa seu custo será menor quanto menos funcionários estiverem presentes, além do fato que, num mesmo espaço do passado, haverá menos funcionários, em função das novas condições de separação, limpeza e outros protocolos. O relacionamento entre os funcionários tende a ser mais distante, o que tem um lado bom (menos bate-papo), mas tem um lado ruim colocado pelo JPMorgan. Já para os funcionários talvez a maior vantagem seja a flexibilidade de horários, com mais tempo com a família, bem como a otimização de seu tempo (quem mora em São Paulo sabe bem disso).

Mas existem muitos pontos obscuros: como será feita a avaliação dos funcionários? Como disseminar a cultura da empresa? E tantos outros aspectos. O Assunto é muito complexo, para se ter uma opinião definitiva, e acredito que ninguém sabe responder.

No post sexto-sentido, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “Como podem notar a seguir, tudo indica que o ouro formou um triangulo tipo “livro texto”, dessa forma, sugiro um trade de compra do metal a U$ 1.930. Para estabelecer o stoploss surgiu um dilema: aplicando um nível mais restrito levaria a U$ 1.900 (↓ 1,5%); já um critério mais amplo o stoploss deveria ser U$ 1.860 (↓ 3,7%)” ...


O triangulo ainda não pode ser confirmado, pois o ouro não rompeu para baixo - U$ 1.902, nem para cima – U$ 1.992. Uma formação de triangulo pode demorar mais tempo que a figura pode indicar, pois na verdade a mesma aponta indecisão do mercado. Os que acreditam em novas altas mantem seu interesse de compra, enquanto, os que acreditam na queda, vendem suas posições. Mas nenhum dos dois grupos está muito convencido de sua tese, razão pela qual, os preços ficam contidos num intervalo cada vez mais estreito, até que algum catalizador faz com que haja um rompimento numa das duas direções.


O SP500 fechou a 3.385, com queda de 0,46%; o USDBRL a R$ 5,2381, com queda de 0,70%; o EURUSD a € 1,1798, com queda de 0,41%; e o ouro a U$ 1.958, com alta de 0,15%.

Fique ligado!

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