2020: O risco vai compensar?

10 de setembro de 2020

O novo vírus


 Não precisa ficar preocupado, o novo vírus que comento não afeta a saúde, mas pode afetar as finanças. Uma matéria que não tem tido muito destaque, são as eleições americanas, acredito que o sofrimento ocasionado pelo Covid-19 foi tão grande que as pessoas deixaram de lado esse assunto.

O candidato democrata Biden tem liderado as pesquisas de intenção de voto, consequência da administração desastrosa de Trump, em relação a pandemia. Se as eleições fossem hoje, sua chance de perder seria considerável, entretanto, até novembro ainda terá tempo de reverter esse quadro.

Um relatório publicado pelo JP Morgan analisa as implicações de uma vitória do candidato democrata.

É de conhecimento geral que os déficits públicos se elevaram significativamente em 2020. Os diversos programas sem precedentes implementados por quase todos os países, em especial os EUA, fizeram a dívida pública crescer a níveis históricos.

Para ser claro, os níveis da dívida federal dos EUA podem aumentar ainda mais. Trump teve déficits enormes em uma época de pleno emprego (antes do vírus) e espera-se que continue assim, enquanto a agenda de Biden poderia adicionar outros US $ 3 trilhões à dívida federal dos EUA, dada a lacuna entre seus impostos e gastos propostas. O gráfico à esquerda resume as iniciativas de Biden.


Embora os impostos e planos de gastos de Biden sejam grandes, não se considera um negativo, a priori, para um crescimento da economia. Uma grande parte da agenda de gastos de Biden está focada em itens com altos multiplicadores de crescimento (o segundo gráfico mostra as estimativas do multiplicador CBO, e embora você pudesse dirigir um grande caminhão por eles, dada a largura do intervalos, eles apontam na direção do que funcionou no passado). Essa agenda pode ser positiva para a economia, mas negativo no curto prazo para lucros corporativos e avaliações de patrimônio, dado o grande aumento em impostos sobre as empresas. Embora Biden proponha a remoção de apenas metade do corte de impostos corporativos de Trump, sua base de propostas fiscais ampliadas e específicas para setores somam US $ 2,5 trilhões em novos impostos corporativos. Esses múltiplos são maiores do que o tamanho dos cortes de impostos corporativos de Trump aprovados em 2017.

Outro assunto de importância é sobre as políticas antitruste que pode ganhar pulso se Biden for eleito. Se eleito, deve aumentar a fiscalização antitruste (via Sherman e Clayton Anti-Trust Acts), e para melhorar o poder de barganha para os trabalhadores da gig economia (contratantes independentes sem saúde ou benefícios da aposentadoria). Biden também mencionou a revogação da Seção 230 da Decência nas Comunicações dos EUA Act (disposições de porto seguro protegendo o Facebook e outras plataformas de serem responsabilizados por comentários de usuários postados). No entanto, Biden considerou "prematuros" os apelos para separar grandes empresas de tecnologia e, até agora, as declarações antitruste citam principalmente preocupações sobre agricultura, hospitais, seguros e produtos farmacêuticos.

Todas essas mediadas podem afetar a performance das bolsas americanas, e principalmente o setor de tecnologia, o preferido dos investidores este ano. Para que vocês tenham uma ideia em números, vejam a seguir a diferença entre as ações denominados como Value em relação as denominadas como Growth.


Para complementar esse assunto, um risco de desempenho relativo das ações megacap: a descoberta da vacina pode valorizar as empresas Value, que sofreram com a diminuição da mobilidade. Pode levar meses para os benefícios de uma vacina se materialize, mas esperamos que os mercados se antecipem. Retornos relativos sobre ações de Growth têm correlação positiva com notícias sobre o Fed e inflação, e negativamente correlacionado com histórias sobre eleição, estímulo fiscal e vacina.

Resumindo todas essas considerações, uma vitória do candidato democrata poderá ser como um vírus para a bolsa americana. Embora a diferença entre os candidatos vem diminuindo. O que vai decidir será a economia, como sempre!

No post dont-panic, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “A bolsa caminha lentamente para o objetivo indicado acima entre 3.520 e 3.560. Porém, note que frisei em vermelho, um aviso do sistema que algo não está correto. Esse aviso se refere ao limite de 3.511” ...


Os leitores devem ter percebido que em termos de bolsa americana, o Mosca optou por trades no índice Nasdaq100. Neste momento, essa opção permite uma melhor assunção de risco x retorno.

No dia 02 de setembro, o SP500 atingiu a máxima de 3.588, um pouco acima do target mencionado acima, indicando que a análise técnica, especialmente Elliot Wave, tem se mostrado uma ferramenta técnica muito útil. Vejamos quais são os parâmetros nesse cenário:


Nessa hipótese, eu espero alguns dias de correção, onde o SP500 deveria ficar contido entre 3.280 – 3.350, a partir daí, teria um objetivo entre 3.700 – 3.800. Antes que meu amigo pergunte, dependendo do que ocorrer nessa correção, talvez eu vá sugerir um trade de compra.

- David, nesses limites pode configurar um ganho de 10%. Não é bom?

Claro que sim, mas tenho que considerar alguns pontos: primeiro essa opção está dentro da correção Pequena, não posso ter convicção ainda que é ela que vai prevalecer; segundo este seria o movimento final dessa primeira fase, depois chegaria uma correção grande, bem grande, haja visto que, dentro desses parâmetros, a bolsa subiu 71% (de 2.191 para 3.750). Não vai set nada agradável!

O SP500 fechou a 3.339, com queda de 1,76%; o USDBRL a R$ 5,3199, com alta de 0,23%; o EURUSD a 1,1813, sem variação; e o ouro a U$ 1.943, com queda de 0,18%.

Fique ligado!

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