2020: O risco vai compensar?

2 de setembro de 2020

Você está torcendo para 2020 acabar?

 

Esse ano tem sido desafiador, muitas coisas aconteceram durante em 2020, mas sem dúvida a Covid-19 foi de maior impacto. Mas não podemos esquecer outros eventos. Uma análise feita por Micahel Batnick, identificou uma lista de semelhanças, a saber:

A desigualdade na era dourada


O Pânico de 1893, a pior crise até hoje na história americana, afetou a economia. Mas, poucos anos depois, os ricos se recuperaram totalmente, enquanto o resto do país ainda estava se recuperando. Em 1897, as 4.000 famílias mais ricas dos EUA (representando menos de 1% da população) tinham quase tanta riqueza quanto o resto do país combinado.

Nunca pensei sobre porque se chamava “A Era Dourada” até que li este artigo na Time, que explica perfeitamente seu significado:

O baile realizado na cidade de Nova York em 1897 exemplificou os dois lados do período em que foi realizado. Os muito ricos ostentavam seu novo estilo de vida extravagante, vendo suas riquezas - um resultado das grandes mudanças sociais e tecnológicas daquele século - como prova de que os EUA estavam no caminho certo. Enquanto isso, outros na cidade lutavam para sobreviver.

É por isso que esse termo, para aquele período do final do século 19 na história americana - a Era Dourada - é tão adequado. Como explica o historiador Nell Irvin Painter, “‘ Dourado ’não é ouro. ‘Dourado’ tem a sensação de uma pátina cobrindo outra coisa. É o exterior brilhante e a podridão por baixo. "

A desigualdade de riqueza tem sido um problema há muito tempo, como você pode ver neste gráfico do J.P. Morgan. COVID-19 é a pedra que quebrou as costas do camelo.

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 O crescente mercado de ações, juntamente com o aumento do desemprego, elevou a desigualdade de renda e riqueza a níveis extraordinários. Os Estados Unidos têm 13 milhões de empregos a menos do que em fevereiro. Enquanto isso, o patrimônio líquido de Jeff Bezos na semana passada ultrapassou US $ 200 bilhões. Para algum contexto, não que isso precise, apenas 28 empresas no SP 500 valem mais do que seu patrimônio. Ah, um detalhe, há pouco tempo se separou de sua mulher que ficou com metade se suas ações.


A pandemia de 1918


 COVID-19 é a pior pandemia que qualquer um de nós já viu. Desde 1918, o planeta nunca experimentou algo parecido.

Um século atrás, a gripe infectou 500 milhões de pessoas e matou 50 milhões, com uma estimativa de 675.000 ocorrendo apenas nos Estados Unidos.

Embora pareça que o número absoluto e relativo de mortes será muito menor desta vez, alguns pontos críticos como a cidade de Nova York não eram diferentes do surto de 1918.

Um relatório de pesquisa recente conclui que “A mortalidade associada ao COVID-19 durante a fase inicial do surto na cidade de Nova York, foi comparável ao pico de mortalidade observado durante a pandemia de influenza H1N1 de 1918”.

30.000 americanos morreram em agosto do vírus. Nossa existência será alterada para sempre por este surto horrível. Seu fim não deve chegar em breve.

 

A economia de 1929


 A Grande Depressão é a pior contração econômica da história dos EUA. Algumas estatísticas para comparação:

      ·          Produção industrial caiu 52%

      ·         Mais de 40% das hipotecas estavam inadimplentes

      ·         Receita federal caiu 50%

      ·         A U.S. Steel, primeira empresa a atingir US $ 1 bilhão em capitalização de mercado, reduziu 75% de sua força de trabalho para jornadas de meio período.

      ·         Desemprego atingiu 25%

2020 também não foi moleza.

      ·         PIB do segundo trimestre caiu 9,5% em relação ao ano anterior

      ·         A produção industrial caiu 16% a.a.

      ·         A folha de pagamento não agrícola caiu 20,8 milhões em abril. A pior perda no GFC foi de apenas 800 milhões.

      ·         Quase 15% da força de trabalho estava sem emprego em abril.

 A diferença entre então e agora é que a economia não apenas quebrou, para certas áreas, ela foi completamente desligada. Este gráfico mostra que as pessoas não saíam para comer e quase não iam a lugar nenhum.


Os movimentos sociais da década de 1960

 É triste que os negros estejam lutando a mesma batalha que resistem há décadas. Séculos, na verdade.

Atletas com voz e plataforma assumiram a causa. Na semana passada, os jogadores da NBA decidiram boicotar os jogos, na esperança de usar seu poder para promover mudanças reais. Esta não é a primeira vez que jogadores da NBA decidem agir por uma causa na qual acreditavam. No jogo All-Star em 1964, pouco antes do aviso, eles ameaçaram atacar a menos que algumas concessões fossem feitas

Sam Quinn da CBS Sports escreve:

Grandes concessões foram feitas em todos os níveis. Foi criado o primeiro plano de pensão para jogadores da NBA. Cada equipe foi obrigada a contratar um treinador esportivo. Os jogos da tarde de domingo não podiam mais ser agendados diretamente após as lutas de sábado à noite. A NBPA foi o primeiro sindicato a ser reconhecido nos principais esportes americanos. Beisebol (1966) e futebol americano (1968) logo seguiram o exemplo.

E isso não teria acontecido se os jogadores não estivessem dispostos a arriscar seus próprios meios de subsistência por mudanças em que acreditam. É uma mensagem que os jogadores modernos parecem ter internalizado, mesmo em circunstâncias diferentes.

 

A especulação de 1999


 … E quem poderia ter previsto o que aconteceria a seguir? Um coquetel de quarentena, comissões gratuitas e ações com altas verticais levou a uma explosão do comércio de varejo como não víamos desde 1999.

Naquele momento, e no auge da bolha, era comum o lançamento de novas ações (IPO) cujo preço subia 40% - 50% no próprio dia. A lista nas corretoras para participar desses lançamentos eram muito disputadas, e somente os clientes preferencias acabavam recebendo essa oportunidade.

O Wall Street Journal publicou um gráfico que mostra que os investidores individuais têm sido consistentemente responsáveis por ~ 15% das negociações de ações. Esse número saltou para cerca de 20% este ano.

Durante uma pandemia que fez as ações caírem 30% em 22 dias, durante uma pandemia que paralisou a economia por meses, durante uma pandemia que deixou milhões de pessoas desempregadas, as pessoas estão negociando ações como se não houvesse amanhã. A realidade, como dizem, é mais estranha que a ficção.

Este ano é uma série de contradições; há pessoas que vivem sua vida melhor, enquanto outras nunca viveram pior. As pessoas estão comprando casas enquanto outras não podem pagar o aluguel. As ações estão subindo, enquanto muitas partes da economia ainda estão contraindo.

Quando olharmos para 2020, lembraremos do vírus e como ele mudou nossas vidas. Mas, à medida que vivemos isso, devemos reconhecer que há muito mais nessa história, e cada um tem sua própria versão dela.

Somos bons em tecer narrativas usando informações díspares, mas 2020 desafia a coesão. É necessária uma séria ginástica mental para juntar todas essas peças. Não é certo se algum dia se conseguira. Mas é inegável que, esse ano registra essas “coincidências” de épocas passadas, com uma diferença, naquele momento, cada uma foi vivida no seu tempo, enquanto agora estão todas juntas!

Então, você quer que 2020 termine logo ou continue assim?

 No post pseudo-controle, Fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...”Não tenho muito o que acrescentar sobe a bolsa brasileira, acredito que está numa correção para subir a novas altas. Esse cenário fica um pouco mais comprometido, caso o Ibovespa caia abaixo de 97 mil. Nesse caso, eu teria que rever minhas premissas” ...

Quando iniciei a usar o MotiveWave, disse que em alguns ativos eu usava dois enfoques distintos, classificados em: red Count e blue Count. Por que essa explicação? Hoje vou publicar uma outra forma de analisar o Ibovespa, que embora tenha algumas consequências no curto prazo, não alteram o sentido de longo prazo. Vejam a seguir:


Nesse cenário, a correção poderia se mais extensa e atingir os níveis apontados acima (97.5/93.0/89 mil), sendo o mais provável os dois primeiros. Não gostaria de ver abaixo do último, pois mesmo não invalidando a continuidade da alta, recuaria mais que o esperado. Supondo que seja contido nessa região, o objetivo do próximo movimento deveria levar a bolsa a 132,5 mil (a ser mais bem calculado).

 A configuração do Ibovespa denota um movimento de correção, sendo assim, ainda mantenho minha recomendação de alta, o que pode ocorrer é uma queda maior no cenário exposto hoje.

Acredito que dentro em breve saberemos em qual dois panoramas, a bolsa irá se encaixar.

Sobre a recuperação econômica brasileira, queria compartilhar a publicação do nosso PMI a seguir, só poderia expressar como: espetacular!


O SP500 fechou a 3.580, com alta de 1,54%; o USDBRL a R$ 5,3474, com queda de 0,90%; o EURUSD a € 1,1853, com queda de 0,48%; e o ouro a U$ 1.943, com queda de 1,34%.

Fique ligado!

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