2020: O risco vai compensar?

31 de agosto de 2020

Mudanças despercebidas

 

Cada dia que passa, o índice que mede a evolução das ações de mercados emergentes se distancia do SP500, nem falar em relação ao Nasdaq 100. O SP 500 esmagou toda a competição já há algum tempo. Ações de pequena capitalização, ações de valor, ações estrangeiras, ações de mercados emergentes - nenhuma delas foi capaz de acompanhar o domínio da mega capitalização do SP 500.

Aqui está o desempenho do SP 500 em relação às ações de mercados emergentes desde o início de 2007:


Não está nem perto.

Existem muitas razões para este desempenho superior. O dólar se fortaleceu fortemente desde a Grande Recessão. Os mercados emergentes também dominaram o SP durante a maior parte do início dos anos 2000.

Outro motivo é que muitos investidores insistem nas diferenças setoriais entre os Estados Unidos e os mercados de ações estrangeiras. Eles dizem que essas diferenças ajudam a explicar a grande lacuna de avaliação entre esses mercados:

Os mercados emergentes são mais baratos em todas as métricas. Muitos investidores dizem que isso faz sentido, considerando que as ações dos mercados emergentes têm maiores parcelas de energia, materiais e finanças, enquanto os EUA são mais movidos por tecnologia e ações de consumo.

E esse foi um bom argumento em 2007 ou mesmo em 2015, mas não em 2020.

A composição das ações dos mercados emergentes mudou dramaticamente nos últimos anos. A Blackrock publicou as mudanças de setor em seu iShares Emerging Markets ETF (EEM) desde 2007:


Aqui estão algumas mudanças notáveis desde o início de 2007:

A energia passou de mais de 15% para menos de 6%

Os materiais estavam perto de 16% e agora estão em 7%

As finanças passaram de mais de 20% para 18% (e caíram de uma alta de 27% em 2015)

As ações discricionárias do consumidor passaram de cerca de 3% para 18%

A tecnologia é agora o maior setor, tendo subido de 13% em 2007 para mais de 18% agora

O setor financeiro ainda tem um grande peso, mas é uma participação de mercado cada vez menor em comparação com o passado. As empresas de energia e materiais combinadas são agora menos do que qualquer uma dessas categorias individualmente em 2007. E as ações de tecnologia agora constituem o maior setor do fundo.

Aqui estão as comparações do setor em relação ao S&P 500 ETF (SPY) no final de julho:


Ainda há diferenças aqui (principalmente na área de saúde) e, claro, as próprias empresas individuais não são as mesmas, mas isso parece muito mais próximo do que as coisas eram no passado. E, de longe, as maiores mudanças estão nos setores de tecnologia e consumo.

Um dos principais motivos pelos quais o mercado de ações dos EUA tem se saído tão bem é o desempenho monstruoso das gigantescas ações de tecnologia. Amazon, Apple, Microsoft, Facebook e Google, que atualmente representam cerca de 23% do S&P 500.

Os mercados emergentes agora têm uma concentração de tecnologia semelhante no topo. Estas são as 10 principais participações no ETF - EEM:

Os rótulos do setor podem ser confusos porque as linhas agora estão confusas entre os segmentos de consumo, comunicação e tecnologia do mercado, mas as 4 principais participações são basicamente ações de tecnologia em EM e representam 23% do MSCI Emerging Markets Index.

 De muitas maneiras, Alibaba, Tencent, Taiwan Semiconductor e Samsung são para os mercados emergentes o que Apple, Amazon, Microsoft, Facebook e Google são para os EUA.

Agora, não se sugere que as ações de mercados emergentes merecem um múltiplo semelhante ao SP 500. Existem outros fatores em jogo aqui, incluindo o estado de direito, a maturidade dos mercados financeiros, a confiança no sistema financeiro, a autonomia das corporações em vários países e como os acionistas são tratados pelos reguladores e funcionários do governo.

Mas as coisas mudaram drasticamente ao longo dos anos nos mercados emergentes e muitos investidores podem não saber disso porque suas ações estão muito defasadas.

Também é importante notar a natureza cíclica da relação entre esses mercados ao longo do tempo:

Essas datas de início e de término foram escolhidas a dedo, mas ainda assim são os números. E apesar das grandes diferenças no desempenho dependendo do ciclo, os retornos no período geral são quase idênticos - 10,7% ao ano para o S&P 500 e 10,4% para o Índice MSCI EM desde 1988.

Portanto, talvez os investidores não se importem tanto com os setores quanto com os outros fatores envolvidos ao investir em mercados em desenvolvimento.

Mas os mercados emergentes estão começando a se parecer mais com o SP 500 com o tempo. Eventualmente, isso deve ser uma coisa boa para os investidores nesses mercados voláteis.

Esses resultados indicam que o EEM está defasado, não por conta das empresas que constam embaixo dos índices, essas parecem de acordo com a nova preferência do investidor, mas provavelmente pela região em que se encontram. Em todo caso, vale a pena ficar de olho.

Já a nossa bolsa, está totalmente defasada com essa nova preferência, pois se não fosse assim, o Ibovespa estaria com um retorno acima do SP500, segundo a simulação feita pelo Credit Suisse, assumindo a mesma participação dos setores do SP500. Para que o leitor entenda, se os pesos dos setores da nossa bolsa fossem iguais ao do SP500, veja qual seria a performance abaixo.

O nosso índice que espelha as maiores companhias do país, é da velha economia, esse é talvez a maior explicação pela defasagem em relação a bolsa americana. Não fosse a recuperação das commodities nos mercados internacionais, os níveis do Ibovespa estariam ainda inferiores aos de agora.

 No post ficando-com-as-sobras, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” Como estava desconfiado, o dólar acabou suplantando o primeiro patamar sugerido para a reversão. Agora, permanece o segundo intervalo, que segundo os cálculos, assume um intervalo compreendido entre R$ 5,75/5,81/5,87, nessa sequência. Em algum desses níveis espero ocorra a reversão” ...


O dólar atingiu a máxima de R$ 5,6725 e a partir daí retrocedeu. A chance de que o movimento de baixa se iniciou, aumentou bastante, embora correção, é correção.

- David, não enrola, seu nível mais baixo era superior ao atingindo no mercado. Isso não é considerado um erro?

Foi bom você tocar nesse assunto, como já está cansado de saber, análise técnica trabalha com probabilidade, sendo assim, o nível exato depende de cada situação. O importante é que a perspectiva era de queda e isso acabou ocorrendo. Também, não posso afirmar que a retração está em curso, somente abaixo de R$ 5,25.


O primeiro objetivo para essa queda seria ao redor de R$ 4,96, seguido de um intervalo contendo R$ 4,71/4,57/4,45, sendo o mais provável, visto de hoje, R$ 4,57. Até o momento, não está claro se já estamos na descendente, ou o dólar ainda vai pregar uma surpresa. Para quem quer se envolver com um trade de venda de dólar, sugiro a entrada R$ 5,50 com stoploss a R$ 5,62, o Mosca vai aguardar.

O SP500 fechou a 3.500, com queda de 0,22%; o USDBRL a R$ 5,4764, com alta de 1,64%; o EURUSD a 1,1930, com alta de 0,24%; e o ouro a U$ 1.968, com alta de 0,20%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário