2020: O risco vai compensar?

28 de agosto de 2020

Chocante!

 

Por motivo de agenda, o post hoje será mais curto, mas não menos importante.

Se você está enfronhado no mercado de ações (se não está sugiro que comece, pois deveremos viver por um bom tempo com taxas de juros miseráveis), não deve aguentar mais a ênfase dada na concentração das 5 maiores empresas do mercado americano. FAANG: Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, são as coqueluches do momento.

Esse processo de concentração está ocorrendo já a um bom tempo, mas depois de 23 de março, ponto mínimo da bolsa neste ano, acelerou de forma assustadora. Veja o que ocorreu na última quarta-feira, um dia maluco.

A Salesforce, que começou o dia com uma capitalização de mercado de $ 195 bilhões, ganhou 26%. A Netflix, que começou o dia com uma capitalização de mercado de US $ 216 bilhões, ganhou 12%. O Facebook, que começou o dia com uma capitalização de mercado de $ 800 bilhões, ganhou 8%, ou $ 70 bilhões.

Em linguagem coloquial, "o que diabos está acontecendo aqui?"

Numa versão do gráfico de pizza, em julho de 2018, as cinco maiores ações do S&P 500 tinham uma capitalização de mercado que igualava as menores 282 ações do índice. Ahh, tempos mais simples. Esse número agora é 389.

Desde então, os cinco grandes adicionaram US $ 3,5 trilhões em capitalização de mercado. A Apple sozinha, a maior de todas, agora é tão grande quanto as 201 menores ações do índice.

Veja esse gráfico atualizado para 26 de agosto, não é chocante?



A moderna teoria da capitalização de mercado, ou MMCT, é a ideia de que não há limite superior para o crescimento de grandes ações. A Tesla pode teoricamente ter uma capitalização de mercado que excede o PIB americano. Tudo o que Elon Musk teria que fazer seria emitir 9,5 bilhões de ações e pronto.

É impossível não ficar temeroso ou surpreso, é possível continuar assim? De certa forma, tudo isso equivale ao conceito econômico de monopólio. No limite, o poder de barganha dessas empresas se torna tão poderoso que vai destruindo ou absorvendo as concorrentes, até não sobrar mais ninguém. E num futuro próximo teríamos: a Amazon se torna a única empresa de distribuição de produtos; a Apple a única fabricante de celulares e gadgets, além da receita dos serviços de aplicativos; A Google única empresa de serviços pela internet, e a Netflix a única empresa de entretenimento on line. Será que é para isso que caminhamos?

Queria aproveitar para dividir 2 gráficos com vocês: Depois do anúncio feito ontem pelo Fed, que como o Mosca, recebeu várias críticas (Bloomberg, Wall Street Journal), o mercado de Fed Funds futuro já não projeta juros negativos. Mas não fique animado, pois mesmo assim, encontra-se em quase 0%!


Outro é sobre a forma como os americanos estão se locomovendo depois de terminado lockdown. Seria razoável supor uma diminuição da circulação através de transporte público, mas ele representar agora somente 50% do que costumava ser, chamou a minha atenção. A locomoção foi substituída por carros e caminhar. Será que, essa mudança se perpetuará nesses níveis? Se sim, terá impacto em diversos setores. Mais um sub produto da pandemia.


No post past-copy-de-1920, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Não mudou ainda minha ideia de que os juros possam cair aos níveis acima definidos. Seria necessário que inicialmente rompesse a marca de 1% a.a. e principalmente 1,5%. O movimento recente pode ter sido uma rejeição da queda levando os juros a ficar mofando entre 0,6% a.a. e 0,8% a.a., como vem acontecendo desde final de março” ...

Eu não sei o que os traders estão fazendo para ganhar algum dinheiro nesse mercado. Oscilando entre 0,6% e 0,8% a.a., desde março, os títulos só podem estar em quarentena! O título de 10 anos está contido dentro da sua “casa” e não teve coragem de colocar seus pés para fora. Sendo assim, não se tem nada a fazer nesse mercado.



As 15h15 o SP500 estava a 3.495; o USDBRL a R$5,4190, com queda de 2,70%; o EURUSD a € 1,1888, com alta de 0,56; e o ouro a U$ 1.960.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário