2020: O risco vai compensar?

6 de agosto de 2020

Destruição Ilógica

O post de hoje tem uma certa continuidade com as informações contidas no post de ontem Destruição Criativa, razão do título de hoje. Inicialmente vou acrescentar alguns dados publicados que reforçam a hipótese levantada pelo Mosca, de um período de Destruição Criativa, conforme a teoria do economista, Joseph Schumpeter. A seguir condensei em apenas um gráfico os ISM de serviços dos EUA, Europa e Grã Bretanha. O detalhe não interessa muito, mas observando o setor de serviços, onde estão as empresas de tecnologia, não parece que estamos numa recessão.

Amanhã será publicado a taxa de desemprego dos EUA, e como de costume, na ante véspera se publica os dados do ADP usado como proxy do dado oficial. Como se pode observar no gráfico a seguir, está muito longe de indicar uma recuperação de emprego aos níveis anteriores.
Vejam a seguir um trecho do comentário sobre empregos do site Zero Hedge: “Quando milhões de americanos estavam perdendo seus empregos no início dessa pandemia, fomos informados a não se preocupar porque os bloqueios eram apenas temporários e praticamente todos esses trabalhadores voltariam aos seus antigos empregos, assim que os bloqueios terminassem. Bem, agora estamos descobrindo que não era nem perto da verdade. Nas últimas 18 semanas, mais de 52 milhões de americanos entraram com novos pedidos de subsídio de desemprego, e uma porcentagem muito grande deles está lidando com uma perda permanente de emprego. De fato, uma nova pesquisa descobriu que 47% de todos os trabalhadores desempregados agora acreditam que sua perda de emprego provavelmente será permanente”.

Nesses pontos a Covid-19 criou uma situação diferente das que ocorrem quando novos produtos e serviços substituem os antigos, conforme prega Schumpeter, a velocidade e extensão. Na verdade, a substituição de modelos antigos pelos modernos foi feita a toque de caixa, sem que houvesse tempo para acomodar a perda de empregos gerada.

Vamos colocar uma outra ideia que pode estar se aproximando, a da descoberta de uma vacina. Isso não seria uma boa notícia? Depende, para as pessoas, inclusive eu, seria ótima. Mas é para o mercado acionário? Um artigo publicado pela Bloomberg imagina que não!

 Os investidores devem considerar o risco de mercados, com a revelação de uma bem-sucedida vacina contra o coronavírus, provocando uma liquidação em títulos de renda fixa (entenda-se uma alta de juros) e uma rotação das ações de tecnologia para ações cíclicas, de acordo com o Goldman Sachs.

 O aumento da probabilidade de uma vacina aprovada até o final de novembro é subestimado pelos mercados acionários. Nos próximos meses, as ramificações das eleições nos EUA e a evolução do vírus - em parte com a reabertura das escolas - também devem ser os principais impulsionadores do mercado, disseram eles.

A aprovação de uma vacina pode "desafiar as suposições do mercado sobre ciclicidade e taxas reais eternamente negativas", acrescentando que esse cenário pode apoiar curvas de rendimento mais acentuadas, cíclicos tradicionais e bancos, enquanto desafia a liderança das ações de tecnologia.

Faz todo sentido esse raciocínio, pois desde que o surto começou as taxas de juros caíram, em função principalmente da injeção pelos governos, e acelerou a alta das ações de tecnologia em detrimento das ações de outras áreas, conforme relatei ontem. Com uma vacina nas mãos, voltaríamos a uma vida mais normal, e sairia um peso dos setores tão prejudicados. Ora, se a maior parte dos índices são concentrados em ações Tech, numa rotação, o índice deveria recuar, ocasionando uma Destruição Ilógica, teoria do Mosca! Hahaha ...

Mas tudo isso ainda são conjecturas, pois nem a vacina existe e nem se sabe se existira, o que parece pouco provável (que não exista).

A inflação, outro elemento de preocupação do Mosca, vai mostrando suas garras em alguns setores da economia americana. Naturalmente, está ocorrendo naqueles onde a demanda, ou necessidade, se elevou por conta da Covid.

Se eu perguntar para vocês qual deveria ser o impacto nos juros, subir ou cair, quando existe uma expectativa de elevação da inflação, tenho certeza de que todos responderiam alta, afinal como leitores que são do Mosca, são conhecedores de economia.

Muito bem, vejam a distorção que ocorre no mercado de títulos americanos. No gráfico a seguir, depois do início de março, a curva dos juros nominais de 10 anos, em comparação com a expectativa de inflação também para o mesmo prazo, começaram a divergir. Essa divergência é função da pesada intervenção do Fed na compra de títulos. Tudo bem, entendemos esse fator, mas em algum momento ou a expectativa cai, ou os juros nominas sobem!

No post O Waren que não é Buffet, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “Conforme aponto no gráfico abaixo, meu target de curto prazo passa a ser entre 111 mil e 111,5 mil. Depois deveríamos passar por um período de correção” ... Desde essa ultima atualização, a bolsa ficou estacionada praticamente no mesmo nível.

 Os leitores poderão se acostumar, daqui em diante, com atualizações nos níveis propostos, em função da maior precisão do aplicativo, bem como, de reanalises conforme o mercado evolui. Desta forma, os objetivos passam a ser entre 111.7 mil e 122,2 mil, para em seguida, ocorra uma correção que poderia levar o Ibovespa entre 105 mil a 100 mil.

É imperial que o nível de 105 mil seja ultrapassado, dando sequência aos níveis traçados acima. Como sempre enfatizo, trabalhamos com probabilidades, e parece que o gráfico do Ibovespa está seguindo as regras e parâmetros da teoria de Elliot Wave de maneira satisfatória, só espero que não apronte uma surpresa, mas, se isso acontecer, o stoploss é o nosso guardião.

Não sei se os leitores percebem que, investir dessa maneira permite se desconectar das eventuais ameaças que rondam o momento. A discrepância entre os dados econômicos, a volta da contaminação em locais que havia sido eliminada o coronavírus e um presidente como o Trump, que por estar em baixa é um grande perigo, já seria suficiente para ficar imobilizado. A grande boia que permite arriscar usando uma ferramenta técnica é o stoploss, que garante não consumir seu capital de forma descontrolada.

O SP500 fechou a 3.349, com alta de 0,64%; o USDBRL a R$ 5,3270, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1876, com alta de 0,13%; e o ouro a U$ 2.063, com alta de 1,17%.

Fique ligado!

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