2020: O risco vai compensar?

11 de agosto de 2020

Love is in the air

 

Com todas as más notícias que 2020 reservou ao planeta, alguns países se encontram em situações melhores e outros piores. A Europa como um todo já tinha diversos problemas antes da covid-19, com ela nem se fala. Christine Lagarde, a recém empossada presidente do ECB, resolveu sugerir uma cartada arriscada, ao propor diversas linhas de crédito e compra de títulos de países que estão em situação delicada, e pavimentou a emissão do Euro Bond com garantia supra nacional.

Não bastasse tudo isso, ainda resta o processo de saída da Grã Bretanha do euro, o que não é bom para ninguém.

Se tem algo conhecido entre os europeus é que tanto os franceses como os ingleses detestam os alemães. Isso já vem de longa data e foi mais acerbado com as guerras que ocorreram no passado, um desse trio está fora agora. O presidente Macron, negociador astuto, percebeu que firmando um compromisso de cooperação coma Alemanha só teria a ganhar, e para a Alemanha, ficar sozinha agora não seria recomendável. Sendo assim, estão in Love.

 Por tudo isso, o mercado resolveu apostar no euro, e houve uma mudança sísmica, segundo um artigo da Bloomberg.

Os investidores estão mais otimistas que já estiveram sobre as perspectivas para a moeda comum, após seu melhor mês em quase uma década. E a demanda por ativos europeus é tão alta que a moeda em contratos futuros, está ficando mais cara, pela primeira vez desde que as pressões de financiamento aumentaram no início deste ano.

Isso porque o fundo de resgate histórico da União Europeia percorreu um longo caminho para acalmar as preocupações sobre os riscos estruturais do bloco, e os esforços para controlar o coronavírus e reacender a economia parecem particularmente promissores em comparação com os EUA. Esses fatores estão preparando o terreno para uma mudança para o euro.

“Não se trata de crescimento neste ano ou no próximo ou de previsões sobre o ciclo - é realmente algo mais estrutural”, disse Nicolas Veron, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics. “O acordo orçamentário muda a forma como os mercados financeiros veem a zona do euro de uma forma significativa”, disse ele, acrescentando que “é um grande reforço da UE e do euro”.


A euforia com a virada do paradigma do euro é tamanha que as ações, que normalmente veem a demanda cair com o fortalecimento da moeda subjacente, estão subindo à medida que os traders capitalizam os diferenciais de crescimento entre a Europa e os EUA e as taxas de alguns dos títulos soberanos de maior rendimento no bloco de 27 membros, despencaram para níveis pré-bloqueio.

 A Grande Mudança

Sustentando a reversão de expectativa do euro está o pacote de 750 bilhões de euros da UE. O acordo, fechado em julho para apoiar a recuperação econômica, foi bem-sucedido onde anos de disputas políticas falharam. O fundo de resgate, que será financiado pela venda de títulos conjuntos, ajudou a acalmar os temores de uma separação.

Juntamente com os programas de flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu, a diferença no rendimento entre os títulos de referência italianos e alemães, uma medida de risco na Europa que disparou em março, é agora a menor desde fevereiro.

“É uma história poderosa para o euro”, disse Tony Small, estrategista do Morgan Stanley. “Uma grande parte do temor associado a uma ruptura do euro provavelmente será percebida como tendo desaparecido e será substituída por um emissor atraente de alta qualidade, que aumentará toda a qualidade de crédito do euro”.

Os fundamentos da moeda parecem especialmente fortes quando comparados com o dólar, que viu as posições líquidas vendidas contra os principais pares subirem para o valor mais alto desde 2012.

O dólar index sofreu seu pior mês de julho desde 2010, encerrando o mês perto do nível mais baixo em quase dois anos. Ele está sendo prejudicado pelo número crescente de infecções nos EUA, que ultrapassou 5 milhões, a resposta fragmentada do país ao vírus, um impasse de Washington sobre um novo projeto de lei de alívio econômico e o que pode ser uma eleição presidencial contenciosa em novembro.

Esses riscos jogam a favor do euro.

Há sinais de que a zona do euro conseguiu quebrar o vínculo entre a reabertura das economias e a escalada do vírus, ajudando a impulsionar as previsões de crescimento. Mesmo que o bloqueio da Europa e a retração inicial tenham sido maiores, o produto interno bruto deve crescer 5,5% em 2021, cerca de 1,5 pontos percentuais mais elevado do que os EUA, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg. Isso só aconteceu muito raramente na história.



Com os rendimentos reais nos EUA em baixa recorde e caindo mais rápido do que em outros lugares, os investimentos estão voltando para a Europa, onde a resposta do governo ao vírus é mais previsível.

Os dados da manufatura publicado recentemente sobre os principais países da zoina do euro, mostram uma melhora significativa dos níveis deprimidos atingidos em março último, quando a Itália e Espanha sofreram perdas significativas ao praticamente fechar o país.


A confiança dos investidores também apresenta uma recuperação potente, em virtude dos motivos citados acima. Um outro fator que impacta os mercados, é o fato do presidente Trump mirar seus canhões, no momento, contra a China, e com as eleições perto, e a vantagem atual de Biden, pode ser que a Europa estará livre desse mal.


A situação emocional de agora é semelhante ao término de uma guerra, neste momento a sobrevivência é mais forte que as diferenças existindo um espírito colaborativo. Mas tenho dúvidas sobre o longo prazo, o problema de ter um cambio fixo para tantos países diferentes, não mudou, e daqui algum tempo, a produtividade dos alemães vai pesar sobre os outros países, que teriam que baixar seus salários para poderem competir, o que é impossível.

Mas, vamos aproveitar enquanto Love is in the air, como diz a música.

No post Menos mal,fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “No gráfico a seguir, aponto os níveis aonde provavelmente ocorrerá uma reversão, para que novas altas se sucedam. Esse intervalo é compreendido entre U$ 2.105 até U$ 1.935. Essa dispersão entre esses níveis é função do movimento pujante de alta, em outras palavras, existe muitos investidores com lucro em níveis bem diferentes de entrada, o que pode ocasionar essa oscilação maior” ...


O ouro hoje está num momento de liquidação forte, com uma queda de U$ 100, alcançou praticamente o limite inferior apontado acima. Eu poderia deixar uma ordem de compra no nível mínimo, porém, a queda que ocorreu, foge aquilo que eu estava esperando, mais parecendo uma onda 3. Sendo assim, me reservo o direito de observar os próximos dias,


Agora não tenho uma estratégia para o ouro, enquanto a queda que está ocorrendo, seja contida nos seguintes intervalos:

- Intervalo entre U$ 1.928/U$ 1.896 – se o metal aguentar a realização, não caindo abaixo de U$ 1.896, é possível que, uma nova alta esteja mais a frente.

- Intervalo entre U$ 1.896/U$ 1.819 – Praticamente se pode esperar, na melhor das hipóteses, que o ouro entrou numa consolidação com poucas chances de novas altas.

- Abaixo de U$ 1.819 – Está terminado o período de alta do ouro, onde uma reformulação das hipóteses se tornará necessária. 

- David, como assim! Mudou de opinião do dia para a noite?

Antes de responder a sua pergunta, veja o perigo de entrar, ou estar, num mercado onde ninguém acha que o ativo pode cair, como se o céu fosse o limite. Acredito que isso ocorreu com o metal hoje, pois não ocorreu absolutamente nada que justificasse uma queda dessa magnitude.

Para responder a sua pergunta, eu ainda não mudei de opinião sobre o metal, continuo acreditando em novas altas, mas ele tem que fazer o seu trabalho e não cair abaixo dos níveis indicados acima. Tenho que confessar que, fiquei surpreso com essa queda, como não temos posições, vou aguardar o mercado dizer em que situação se coloca, e só depois posso sugerir algum trade.

A beleza da análise técnica é o fato de não se ter uma ideia fixa. Dependendo do que o mercado te diz, modifica sua estratégia, as vezes, de forma radical, mesmo que toda a evidência sugira o inverso. No caso do ouro, se por acaso houver uma mudança de rumo, significa que muita gente comprou o metal na onda dos argumentos, sem que houvesse as mudanças esperadas. Esses argumentos de compra se baseiam em: excesso de recursos injetados que vão gerar inflação; e juros muito baixos. Nunca se pode esquecer que, o ouro também não rende nada, e pode ter juro negativo se o preço cai.   

O SP500 fechou a 3.333, com queda de 0,80%; o USDBRL a R$ 5,3817, com queda de 1,82%; o EURUSD a 1,1744, sem variação; e o ouro a U$ 1.911, com queda expressiva de 5,72%.

Fique ligado!

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