2020: O risco vai compensar?

25 de agosto de 2020

Ex post é fácil

 

Tenho certeza de que você encontrou algum amigo que, sabendo que você está no mundo dos investimentos, soltou aquela frase “Eu falei para você que não tinha erro comprar a bolsa (Ibovespa) a 60.000”. Provavelmente, naquele momento ou você estava imobilizado com suas posições e preocupado qual poderia ser seu prejuízo final, ou já tinha realizado sua perda e estava feliz por não estar mais posicionado. Só imagino um investidor que não tinha nenhuma posição, arriscar uma compra naquele momento.

O articulista, Barry Ritholtz, publicou um artigo comentando esse aspecto na bolsa americana.

Muitos investidores gostam de se considerar bons de market timing, capazes de comprar na baixa e vender na alta de forma consistente. Alguns podem ter sorte de vez em quando, mas esses raros sucessos podem levar a um excesso de confiança delirante. Adicione a isso um montão de retenção seletiva quanto aos sucessos anteriores e você acaba com uma receita para a falsa crença na capacidade de entrar e sair dos mercados nos momentos certos.

Aqueles de vocês que fantasiam ser capazes de contornar as desacelerações, mas ainda participar das recuperações, devem responder estas perguntas simples: 1) Que processo repetitivo e não baseado no acaso, teria feito você vender ações no final de fevereiro perto do pico? 2) Qual processo você teria seguido para comprar de volta após o colapso de 34%? 3) Você teria tido disciplina para ignorar seus instintos de recomprar em tempo hábil próximo à mínima de 23 de março? Ambas as extremidades dessa operação são difíceis de controlar, emocionalmente desafiadoras de executar e mais caras do que muitas pessoas imaginam.

Fui lembrado dos riscos de tentar sincronizar o mercado por uma coluna recente da Bloomberg Opinion, de Farnoosh Torabi. No mês passado, Torabi explicou por que estava reduzindo sua exposição em ações de 81% de seu portfólio para 60%, e triplicando suas participações de renda fixa para 27%, em suas contas de aposentadoria. Por uma variedade de razões, incluindo a sua idade - ela tem décadas antes de se aposentar - eu o teria aconselhado contra esses movimentos.

Dadas as vendas do primeiro trimestre de 2020 e os novos máximos no terceiro trimestre, vamos considerar tudo o que é necessário para tentar ajustar o tempo do mercado, seus desafios emocionais e custos financeiros.

A Saída: O que motiva as pessoas a abandonar as ações, no todo ou em parte? Na maioria das vezes, é emoção. Quase nunca ouço investidores dizerem: “Tudo está indo muito bem, o mercado e a economia estão fantásticos. Vou liquidar todas as minhas posições imediatamente!” Mas isso é basicamente o que você precisaria fazer para alcançar o topo do mercado. Raramente é uma análise legal e contemplativa sobre um evento de alta probabilidade que ninguém mais vê. Esses são incrivelmente raros, assim como ter personalidade para gerenciar o processo.

O que tende a acontecer é que, à medida que os mercados caem, o som das más notícias se autoalimenta. Eventualmente, isso leva ao pânico. Muitas vezes, a saída faz parte do que os tipos técnicos chamam de "capitulação". A palavra significa “entrega total” e geralmente resulta em fazer o que for preciso para estancar a dor. Não faltam estudos que mostram que a estratégia nunca é a receita para fortes retornos de mercado.

A reentrada: voltar quando todos querem sair é ainda mais difícil de fazer. Nós evoluímos como primatas sociais, e nossas habilidades em cooperação e dinâmica de grupo criam uma vantagem de sobrevivência distinta. Fazer exatamente o oposto do que seus colegas estão fazendo requer lutar contra seus instintos mais básicos. Comprar em uma liquidação de pânico é muito mais fácil dizer do que fazer. Você tem a escolha de uma variedade de indicadores - técnicos, quantitativos, sentimento, momentum, econômicos - mas nenhum demonstrou confiabilidade em acertar os pontos baixos.

Alcançar o fundo do poço exige três coisas: primeiro, você deve ter uma percepção subjetiva de quando as ações atingiram seu ponto mais baixo e de que a venda terminou. Em segundo lugar, você deve ter convicção em sua capacidade de fazer o que quase todos os investidores não podem. E, por último, você deve ter disciplina para agir de acordo com suas crenças, seguindo seu plano de negociação, apesar do caos que ocorre perto do fundo do poço.

Se tudo isso fosse fácil, as pessoas acertariam os pontos baixos o tempo todo, mas sabemos que não.

Os custos: Não se esqueça de que você tem um parceiro em todas as suas negociações: o imposto de renda. Mesmo depois da Lei de cortes de impostos e empregos de 2017, os impostos sobre ganhos de capital ainda cobram um prêmio pesado para contas não qualificadas (impostos não diferidos). Este é um preço alto a pagar pela pequena chance de acertar o momento.

Dependendo do tempo que as ações estão na sua carteira, da sua faixa de impostos e do estado em que você mora, o governo pode acabar capturando mais de um terço dos seus ganhos. A taxa de imposto federal de curto prazo sobre ganhos de capital pode chegar a 23,8%; adicione impostos estaduais de até 13,3% e você perceberá rapidamente que o Tio Sam é mais do que um parceiro silencioso e júnior. (no caso brasileiro a alíquota de ganho de capital em ações é de 15%)

Este é um grande boogie a ser superado. Você não precisa apenas obter o topo e o fundo à direita, mas deve exceder os 20% a 30% na transação devido aos ganhos realizados causados ​​pela saída, apenas para empatar. Se você estivesse desde o fim da Grande Crise Financeira, seria uma enorme quantidade de impostos a pagar pela mera chance de contornar uma crise.

Acontece que a maioria das pessoas está muito melhor simplesmente aproveitando o mercado, do que tentando controlar o tempo do mercado. A menos que você tenha desenvolvido uma fórmula secreta que nenhum dos Ph.D. em Wall Street foi capaz de replicar e que garanta a capacidade de entrar e sair das ações com sucesso, faça um favor a si mesmo e fique longe do timing do mercado.

Eu ainda incluiria mais uma situação, suponha que você venda num preço intermediário e não entre na mínima e sim num nível mais elevado. Por exemplo, no caso do SP500, se tivesse vendido a 2.800 e retornando a 3.200, pois ficou com receio quando bateu a mínima em 2.200. Além de pagar o IR, ainda teria um custo na posição mais caro em 15%.

Acredito que para um portfolio de mais longo prazo, o critério de entrada e saída deve obedecer a seus critérios adotados. Se você está otimista com a economia e a bolsa tem um P/E que não considera caro, é um bom momento de entrar, e vice-versa, se a economia não se apresenta tão promissora e o P/E está elevado, talvez seja o momento de sair. Por último, não esqueça da análise gráfica, pode te auxiliar muito para evitar momentos perigosos, ou inversamente, atrativos.

No post mais-um-sub-produto-da-covid-19, fiz os seguintes comentários sobre o Nasdaq100: ...” O objetivo desse movimento de alta estaria compreendido entre 12.000 e 12.700. Embora seja um intervalo mais largo, é isso que é indicado nesse momento” ...

O gráfico a seguir tem janela semanal, como podem notar o índice teria um objetivo de 14.000, onde depois deveria ocorrer uma correção razoável, algo em torno de 10.600 (25%) podendo chegar a 9.000 (35%). Uallll nada trivial. Mas como poderia ocorrer isso num mercado que está dia após dia batendo recordes? O motivo é que, esse movimento começou em 6.500 e foi até 14.000, uma alta de 115%. Observando sob esse prisma nem parece tanto.


Mas sabemos como é a vida, o passado as pessoas esquecem, e já colocaram no bolso o lucro virtual, e nem todo mundo (quase ninguém) comprou na mínima.

- David, se isso ocorrer, você vai mudar seu call de alta?

Olhando mais a longo prazo, o Nasdaq 100 tem muito a subir, eu calculo que pode chegar a 30.000 daqui alguns anos. Não gosto muito de fazer esse tipo de previsão, pois pode mudar no meio do caminho, porém de acordo com minhas premissas hoje, é esse o objetivo de longo prazo.

O SP500 fechou a 3.443, com alta de 0,36%; o USDBRL a R$ 5,5167, com queda de 1,69%, estou observando o dólar e os movimentos de ontem e hoje, podem comprometer o nível de alta que eu estava esperando (R$ 5,71/5,81/5,87), acompanhe o Mosca para maiores detalhes; o EURUSD a 1,1833, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.926, com queda de 0,30%.

Fique ligado!

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