2020: O risco vai compensar?

20 de agosto de 2020

Pensando fora da caixa

 

Está semana tive acesso a um relatório da Gavekal que me impactou. Com um tom muito otimista visiona um cenário de crescimento longo. Tenho muito estima a essa casa pois suas visões diferem do meio comum, e dado a alta qualidade de seus colaboradores, publicam em sua maioria artigos excepcionais. Vou sintetizá-lo em breve nos próximos dias.

Para entrar no assunto de hoje, que de certa forma está em linha com o pensamento da Gavekal, assuma que o mundo vai crescer por muitos anos de uma forma diferente da que prevalecia até então.

Um artigo publicado pela Bloomberg aponta uma nova direção para muitos funcionários que perderam seus empregos, eles estão buscando novos tipos de trabalho por conta própria.

Seja por necessidade ou por gosto de trabalhar com a calça do pijama, os americanos estão preenchendo a papelada para se tornarem seus próprios patrões em um clipe que um economista chama de "fora dos gráficos".

O número de pessoas que se inscrevem para registrar novas empresas, dobrou nas últimas semanas em relação aos níveis do ano anterior e ultrapassou a taxa observada durante a Grande Recessão. A maioria são os chamados não empregadores, como proprietários individuais, embora os economistas tenham notado um aumento surpreendentemente forte nos aplicativos para empresas que provavelmente irão contratar funcionários.

Entre os novos empreendedores está Angie Bledsoe, uma profissional de análise digital de 43 anos de Kansas City, Missouri, que ganhava perto de US $ 150.000 por ano até perder o emprego no choque econômico da pandemia. Inicialmente esperava retornar ao seu antigo empregador quando a economia se recuperasse, mas ela começou a ligar para os contatos em busca de oportunidades de emprego quando isso parecia improvável.

Eventualmente, a pandemia a levou a reavaliar as coisas. Por que não abrir sua própria empresa de marketing digital e passar mais tempo em casa com os filhos? ela pensou.

Os pedidos de autônomo inicialmente caíram por algumas semanas a partir de março, conforme os estados fechavam suas economias, mas se recuperaram e agora aumentaram 16% nas primeiras 31 semanas de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. Os arquivamentos semanais dispararam particularmente no último mês, entre 87% e 142% a cada semana em comparação com o ano anterior, de acordo com o U.S. Census Bureau, que coleta e publica os números.

“Os indivíduos associados a isso estão pensando: “O que vou fazer?”, Disse John Haltiwanger, um professor da University of Maryland economics, que estuda a formação de novas empresas. “Particularmente, o que vou fazer neste novo normal?”

 O primeiro ano da Grande Recessão, 2008, viu um aumento mais gradual de 11%, e os números realmente não decolaram até alguns anos após o fim oficial da recessão em 2009, disse Haltiwanger.

Huiyu Li, economista sênior do Federal Reserve Bank de San Francisco, disse que os pedidos de empresas não empregadoras cresceram fortemente nos últimos anos, de modo que o recente surto de crescimento é menos surpreendente nesse contexto. No entanto, o aumento nas últimas semanas “tem sido extraordinário”, disse ela.

É possível que alguns estejam entrando com o IRS para reivindicar benefícios do programa federal de Assistência ao Desemprego Pandêmico, que ajuda empreiteiros autônomos e outros trabalhadores autônomos. Mas os estados geralmente exigem que as pessoas apresentem renda de 2019 para reivindicar esses benefícios.

Se o aumento é apenas uma medida paliativa de curto prazo para ajudar as pessoas em sua busca de emprego ou algo mais permanente, depende de quanto tempo o desemprego continua alto, disse Keith Hall, presidente-executivo da Associação Nacional de Trabalhadores Autônomos. Quanto mais rápida a recuperação, maior a probabilidade de as pessoas procurarem trabalho com um empregador, disse ele.

Pode ser que esse seja somente um movimento tipo “desespero” para quem perdeu seu emprego, ou talvez uma mudança das muitas que estamos vivenciando, onde as pessoas com mais qualificações conseguem, ao invés de empregos, prestar serviços.

 Vamos sonhar um minuto com essa ideia, supondo ser tudo isso seja possível, o que se pode criar de benefícios?

Para o empregador: poderá ter acesso a especialistas numa determinada função que antes somente as grandes empresas tinham acesso; possibilidade de encontrar o “melhor” da área em qualquer lugar do mundo; diminuição de todos custos indiretos de um funcionário; paga pelo serviço o necessário para seu trabalho sem ter ociosidade.

Para o empregado: Acesso a inúmeras oportunidades de trabalho em qualquer lugar do mundo; condições de obter uma remuneração maior; melhor eficiência e flexibilidade de seu horário sem a necessidade de se deslocar.

É natural que nem todos as tarefas são possíveis de encaixar nesse esquema. Nem eu nem ninguém pode imaginar qual a dimensão dessa ideia, mas o fato de que todas as empresas foram obrigadas a trabalhar a distância, percebendo que quase nada mudou, vai abrir inúmeras possibilidades no futuro próximo.

Vou citar um exemplo caseiro, minha enteada recém formada como arquiteta, e com um futuro promissor, resolveu pegar a planta de um apartamento da minha esposa, para ajustar as nossas necessidades em breve. Primeiro me apresentou um desenho com suas ideias de como ficaria o “mood”, sem dizer nada, perguntado o que eu achava. Pensei que estava falando do projeto de uma casa. Adorei! Em seguida pegou a planta e começou a redesenhar os ambientes, e depois de poucos dias, apresentou um layout espetacular para a área existente e nossas necessidades. Tudo isso fez em casa com um laptop.

Quando isso seria possível em outra época? O trabalho em casa permitiu que ela pudesse dividir as tarefas de seu empregador e esse projeto. Os jovens hoje conseguem executar multitarefas com facilidade, foram preparados para atuar dessa forma: ao estudar, responder o WhatsApp, consultar o Instagram, assistir à TV etc. tudo ao mesmo tempo. Nós não tivemos essa preparação.

Estou percebendo ser necessário daqui em diante uma mente aberta, e tomar muito cuidado com os julgamento feito pelos analistas, pois tendem a comparar com modelos antigos. É preciso pensar “fora da caixa”.

No post destruição-ilógica, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” Os leitores poderão se acostumar, daqui em diante, com atualizações nos níveis propostos, em função da maior precisão do aplicativo, bem como, de reanalises conforme o mercado evolui. Desta forma, os objetivos passam a ser entre 111.7 mil e 122,2 mil” ...


Como poderão notar, refiz as premissas de curto prazo para a bolsa. Até parece que estava pressentindo que isso iria acontecer (veja comentário acima). Nesses últimos dias, a correção tem se mostrado resiliente, e não faltaram notícias ruins nesse período.

Conforme apontado no gráfico abaixo, a correção poderia se estender até 98,3 mil e no máximo 93.5 mil, depois disso seria necessário repensar. Por outro lado, o tempo que está durando o movimento de 3 a 4 (em verde) estaria se esgotando, tudo indicando que por esse último quesito, podemos estar no final dela.


Eu fiz algumas modificações na forma de apresentar os gráficos para que ficassem mais claros, espero que vocês tenham gostado, senão, podem reclamar.

O SP500 fechou a 3.385, com alta de 0,32%; o USDBRL a R$ 5,5523, sem variação; o EURUSD a 1,1859, com alta de 0,19%; e o ouro a U$ 1.950, com alta de 1,09%.

Fique ligado!

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