2020: O risco vai compensar?

14 de agosto de 2020

Past copy de 1920?

 

Os tempos vividos agora geram mudanças de humor repentinas. Num determinado período ficamos animados com notícias de recuperação da economia, previsões sobre uma vacina para a Covid-19; em outros o receio que os mercados estão muito a frente da realidade com as métricas tradicionais de valorização nas alturas, com as elevadas posições detidas pelos investidores.

Por outro lado, estamos no meio de uma revolução digital e a destruição de valores com contra partida de novas tecnologias geram essa sensação de insegurança: por um lado das empresas que irão sumir, e o receio de novas empresas com pequeno ou nhenhum histórico.

Um artigo publicado pelo renomado economista Edward Yardeni faz uma comparação entre esse momento e a época denominada como Revolução Industrial.

Parece que vivemos tempos sem precedentes. Sempre parecemos estar vivendo em tempos sem precedentes, de acordo com a sabedoria convencional, principalmente porque não gastamos tempo suficiente estudando história. Certamente há um precedente para nossos tempos atuais no passado, um que era verdadeiramente sem precedentes naquela época.

A Primeira Guerra Mundial foi seguida pela pandemia da gripe espanhola de 1918, que infectou cerca de 500 milhões de pessoas e matou até 50 milhões. Dado que a população mundial era de 1,8 bilhões naquela época, isso implicava uma taxa de infecção de 28% e quase uma taxa de mortalidade de 3%. Ambas as estatísticas são significativamente mais baixas para a pandemia COVID-19. Hoje, a população global é de 7,5 bilhões. Houve 20 milhões de casos e 735.000 mortes em todo o mundo até ontem.

A boa notícia é que as más notícias do precedente anterior foram seguidas pelos loucos anos 20. Até agora, a década de 2020 começou com a pandemia, mas ainda faltam muitos anos para que a próspera década de 1920 se torne um precedente para a década atual. Nesse caso, o impulsionador do boom que se aproxima será a produtividade aprimorada pela tecnologia, como era durante os anos 1920.

Antes de irmos lá, vamos voltar ao final dos anos 1700 e relembrar as previsões sombrias de Thomas Malthus. Ele foi o primeiro economista e um pessimista. Em outras palavras, ele foi o primeiro malthusiano. Durante o final dos anos 1700, ele previu que as populações cresceriam mais rápido do que a produção de alimentos; o resultado seria um ciclo regular de fome e morte. Ele estava completamente errado. A agricultura foi uma das indústrias que mais se beneficiaram com a Revolução Industrial de 1800. O progresso tecnológico sempre confunde os pessimistas ao resolver problemas de recursos escassos. Também alimenta a produtividade e a prosperidade, como aconteceu na década de 1920 e poderia fazer novamente na década de 2020. Considere o seguinte:

(1) Tecnologia durante a década de 1920. Em 1920, 51% da população dos Estados Unidos vivia em cidades, ante 23% em 1870. Essa notável urbanização foi possibilitada por inovações em eletricidade e encanamento. As redes elétricas fornecem luz limpa e brilhante sem emitir fumaça. As redes urbanas de água forneciam água limpa e os sistemas de esgoto removiam os resíduos sem os odores pungentes de penicos e banheiros externos. Os telefones permitiam que as pessoas conversassem com amigos distantes.

O Modelo T de Henry Ford, construído entre 1908 e 1927, foi o primeiro carro inventado e ajudou as pessoas a viver uma vida mais fácil, tornando o transporte mais simples e rápido. Em 1900, apenas 8.000 automóveis foram registrados nos Estados Unidos, mas eram 9 milhões em 1920 e 23 milhões em 1929. Os bondes e os metrôs, inéditos em 1870, estavam em todas as grandes cidades em 1920. Os trens intermunicipais estavam se tornando cada vez mais rápidos e mais confiável. O policial William Potts de Detroit teve a ideia dos semáforos, inspirando-se nos sinais de trânsito das ferrovias. A General Electric comprou a ideia por $ 40.000 e logo os semáforos estavam por toda parte.

A inovação da linha de montagem da Ford aumentou a produtividade em muitas indústrias de manufatura, incluindo a indústria de alimentos processados. Marcas de alimentos nacionais - incluindo Heinz, Campbell’s, Quaker Oats, Jell-O e Coca-Cola - começaram a encher os armários. Vagões refrigerados e caixas de gelo internas significavam que os vegetais estavam disponíveis no inverno. Os restaurantes começaram a proliferar no início do século XX. Quando as pessoas passeando em seus Model Ts ficavam com fome, as opções eram poucas, mas a primeira rede de fast-food abriu suas portas em 1919, uma A&W (mais conhecida hoje por sua cerveja de raiz). As barracas de hambúrguer White Castle foram inauguradas em 1921, e o primeiro restaurante Howard Johnson's em 1925.

Cada vez mais, tudo o que não está disponível em uma loja local pode ser obtido por meio de um catálogo de pedidos pelo correio. O catálogo da Montgomery Ward foi publicado pela primeira vez em 1872, o catálogo da Sears em 1894. Em 1900, a Sears atendia a 100.000 pedidos por dia e seu catálogo apresentava casacos de pele, fornos, móveis e muito mais - incluindo casas. A Sears vendeu mais de 70.000 casas por correspondência entre 1908 e 1940. O negócio de catálogos foi ajudado pela Parcel Post, que chegou em 1913.

A penicilina é considerada uma das invenções mais importantes da década de 1920. Foi criado por Sir Alexander Fleming, Professor de Bacteriologia no Hospital St. Mary em Londres, após estudar bactérias em 1918. O antibiótico mata ou previne o crescimento de bactérias.

O bulldozer - usado hoje em todos os tipos de construção em todo o mundo - foi inventado em 1923 por James Cummings e J. Earl McLeod, originalmente para cavar canais.

Outra invenção popular encontrada em quase todas as casas em meados dos anos 1900 foi o rádio. Ouvir rádio se tornou um passatempo nacional, e muitas famílias se reuniram em suas salas para ouvir notícias de esportes, shows, sermões e notícias sobre o “Red Menace”. O fonógrafo - inventado em 1877 e amplamente utilizado na década de 1920 - oferecia outra opção de entretenimento: ouvir música de qualidade profissional em casa, algo inédito nas gerações anteriores. Fora de casa, ir a programas de cinema - que eram silenciosos até 1927 – era um passatempo muito acessível e popular.

(2) Tecnologia durante a década de 2020. Os pessimistas de hoje podem ser confundidos por inovações biotecnológicas que fornecem não apenas uma vacina para COVID-19, mas para todos os coronavírus. Os cientistas estão investigando uma variedade estonteante de abordagens para combater o COVID-19. Esperançosamente, além de encontrar uma cura ou uma vacina, um dos resultados benéficos de toda essa pesquisa será que os cientistas aprendam muito mais maneiras de combater doenças em geral e vírus em particular. Normalmente, leva cerca de uma década para uma nova vacina passar pelos vários estágios de desenvolvimento e teste. No entanto, a urgência da pandemia mobilizou recursos médicos globais como raramente visto na história humana. Bilhões de dólares, fornecidos pelos setores público e privado, estão financiando a campanha global para desenvolver testes, vacinas e curas para o vírus.

Jackie Doherty e Edward Yardeni tem escrito sobre tecnologias disruptivas há algum tempo. A incrível variedade de inovações tecnológicas futurísticas do “BRAIN” inclui biotecnologia, robótica e automação, inteligência artificial e nanotecnologia. Existem também inovações significativas em andamento em 5G para redes celulares, fabricação 3-D, veículos elétricos, armazenamento de bateria, blockchain e computação quântica e de ponta.

Segundo Yardeni escreveu em seu livro Predicting the markets

“Economia é usar tecnologia para aumentar o padrão de vida de todos. As inovações tecnológicas são impulsionadas pelos lucros que podem ser obtidos resolvendo os problemas colocados pelos recursos escassos. Os mercados livres fornecem incentivos de lucro para motivar os inovadores a resolver esse problema. Ao fazê-lo, os preços ao consumidor tendem a cair, impulsionados por suas inovações. O mercado distribui os benefícios resultantes a todos os consumidores. Da sua perspectiva, economia trata de criar e espalhar abundância, não de distribuir escassez”.

Agora, considere as seguintes estatísticas sobre gastos de capital em tecnologia nos EUA: Os gastos de alta tecnologia em equipamentos de TI, software e R&D aumentaram para um recorde de US $ 1,32 trilhão durante o segundo trimestre de 2020. Ele saltou para um recorde de 50,1% do gasto total de capital no PIB nominal durante o trimestre. Equipamentos e softwares representaram 31,1%, enquanto R&D representaram 19,1% dos gastos de capital no PIB nominal.


A década de 1920 terminou com um alta pujante do mercado de ações seguido por um colapso. A década de 2020 já pode estar testemunhando um derretimento, iniciado em 23 de março. Vivemos em tempos interessantes, embora não sem precedentes. Os “Roaring” 1920 podem ser um precedente para os “Roaring” 2020. Como observou Mark Twain: “A história não se repete, mas muitas vezes rima”.

Recebo de diversos analistas opiniões que a bolsa americana vai cair de um precipício, que o perigo é eminente. Seus argumentos fazem sentido, sob diversas óticas: resultados das companhias - P/L; economia ainda muito debilitada e dependente de subsídios; alta expressiva desde março, concentração do setor de tecnologia, e vários outros. Que uma correção vai ocorrer em algum momento é certeza, só não sabemos dizer quando. Mas que a bolsa vai desmanchar, pode até ser, mas não é meu cenário base atualmente. Vamos nos guiar pela análise técnica e ficar abertos para qualquer possibilidade.

No post incertezas-frente, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” os traders resolveram apostar na queda dos juros, fazendo com que as taxas ficassem abaixo do limite inferior de 0,60% a.a. Sendo assim, abre-se o primeiro objetivo de 0,30% e caso não segure nesse nível, o próximo seria 0,10% a.a.” ... ...” fiquei pensando se valeria a pena sugerir um trade nesses níveis, e conclui que teria um bom risco retorno. Sendo assim, vamos vender os juros a 0,56%, objetivando 0,10%, com um stoploss a 0,65%” ...

Nesta semana, com a publicação dos índices de inflação mais elevados, além de uma oferta gigante de venda de títulos pelo tesouro americano, fomos stopados na posição na terça-feira. Como havia adiantado, esse foi um trade oportunístico sem que existisse muita convicção.

Não mudou ainda minha ideia de que os juros possam cair aos níveis acima definidos. Seria necessário que inicialmente rompesse a marca de 1% a.a. e principalmente 1,5%. O movimento recente pode ter sido uma rejeição da queda levando os juros a ficar mofando entre 0,6% a.a. e 0,8% a.a., como vem acontecendo desde final de março.


 O SP500 fechou a 3.372, sem alteração; o USDBRL a R$ 5,4277, com alta de 1,09%; o EURUSD a € 1,1835, com alta de 0,20%; e o ouro a U$ 1.942, com queda de 0,55%.

Fique ligado!

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