Inflação: A Revanche

31 de março de 2017

Bye, bye


Foi dado o ponta-a-pé inicial no processo de separação da Grã-Bretanha com a União Europeia. Como qualquer separação, os conflitos de interesses afloram. Os europeus enviaram uma carta ao governo britânico dizendo que as discussões sobre um acordo de comércio de longo prazo poderão começar quando um “progresso suficiente” for alcançado.

Um ponto fundamental diz respeito a manter os direitos dos cidadãos ingleses que vivem na Europa e dos europeus que vivem na Grã-Bretanha; nesse quesito, não pode ter nenhuma dúvida. Outro ponto importante é sobre um pagamento que os ingleses têm que fazer para a UE; o valor estipulado pelos europeus é de $ 50 bilhões de libras.  Libras, mas a moeda da Europa não é o euro? Acho que os europeus querem facilitar para não ter troco! Hahaha .... A Primeira Ministra inglesa, Theresa May, e o Ministro do Brexit (!), David Davis (David ao quadrado), já disseram que vão querer um desconto expressivo.

E assim, esses diversos pontos, gerarão inúmeras discussões. Numa separação de casal, se existe concordância entre as partes, a chance de um acordo consensual é boa. Agora, se não existe, a parte que não queria a separação faz de tudo para complicar o processo; inclusive usando terceiros, que no caso seriam os filhos. Nessa situação, a Europa não queria de maneira nenhuma que isso acontecesse, pois embora a Grã-Bretanha possua sua própria moeda, esse precedente abre a chance para que membros da unidade europeia questionem sua permanência, como é o caso da França.

Os efeitos desta decisão já podem ser sentidos. Várias empresas instaladas na Grã-Bretanha se posicionaram dizendo que devem mudar de país, outras ainda aguardam maiores detalhes para decidir. As consequências são notadas no volume de investimentos que simplesmente despencaram desde o anúncio, como se pode verificar a seguir.


Por conta da expressiva desvalorização da libra contra o dólar, que um pouco antes do Brexit se encontrava em 1,50, agora a 1,25 equivale uma desvalorização de aproximadamente 20%. As empresas que possuíam imóveis nesse país sofreram perdas expressivas. O gráfico a seguir, que é um índice de acompanhamento de imóveis, aponta para uma perda de 19% em dólares. Excetuando o ano de 2008, onde houve uma desvalorização generalizada de todas as moedas em relação ao dólar, o caso do ano passado compara-se ao de 1992, que ficou famoso. Naquele episódio, o megainvestidor George Soros fez o BOE ficar de joelhos.
Já em termos de inflação, a expectativa explodiu. Pela elevada desvalorização, e também da insegurança de como será as tarifas impostas pelo novo acordo no futuro, os preços no varejo esperado pelas empresas desse setor subiram de forma expressiva.



Agora, será que os ingleses ficaram felizes e acreditam que seu futuro será melhor? Não parece ser isso que apontam as pesquisas. Desde o seu anuncio, o número de pessoas que acreditam que a economia inglesa ficará melhor vem diminuindo a cada novo resultado. Não seria o caso de tentar uma reconciliação? Sugiro que contratem um terapeuta de casal! Hahaha ...


Os mercados estão sem uma direção clara. No início do ano, o dólar estava com toda força e pela expectativa das medidas a serem implementadas por Trump, parecia lógico apostar nas verdinhas. Logo em seguida, os investidores começaram a ficar desconfiados das trapalhadas e de suas derrotas, isso fez com que o dólar recuasse. Mas, paralelamente, os dados publicados indicavam que a economia americana está em recuperação. Esta semana alguns surpreenderam positivamente, o que impulsionou o dólar novamente.

Nada disso foi muito expressivo, mas essas idas e vindas dão bem o tom da incerteza vivida no momento.

Eu venho repetindo que o mercado a se observar este ano é o de juros de 10 anos, na minha opinião é de lá que poderemos ter as pistas sobre o futuro. No post missão-quase-impossível, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” O gráfico acima espelha o movimento que considero mais provável até o momento. No primeiro caso (1) uma retração até o nível ao redor de 2,22% a.a. para em seguida iniciar uma nova tendência de alta, ou uma queda um pouco maior até 2,10 (2) para em seguida subir” ... ...” Não vou deixar nenhum trade no momento pré-agendado, pois cálculo que os juros deverão permanecer nessa correção por algum tempo, e além do mais, não tenho elementos suficientes para colocar esse trade” ...
 
Como se pode verificar no gráfico abaixo, nada está definido. Parece que o mercado está seguindo no rumo que tracei com uma pequena alta nos últimos dias.

Mantenho todos os parâmetros definidos anteriormente. Por enquanto, nenhuma dica desse mercado. Sendo assim, os outros irão ficar indo de lá para cá, e de cá para lá. Um ambiente nada propício para ganhar dinheiro!
O SP500 fechou a 2.362, com queda de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,1301, com queda de 0,58%; o EURUSD a 1,0670, sem variação; e o ouro a US$ 1.247, com alta de 0,34%.
Fique ligado!

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