Inflação: A Revanche

24 de março de 2017

"Je ne sais pas!"


Eu convivi com franceses ao meu redor por boa parte da minha vida profissional. Fiz diversas viagens a Paris em função do meu trabalho. Isso ocorreu durante os anos 80 e naquela época os parisienses em especial tratavam com desprezo os turistas. Eu falava muito mal francês e buscava minha comunicação através do inglês. Diversas vezes, ao indagar alguma questão na rua, fui hostilizado, “vous ne parlez pas français????”, em seguida, viravam as costas e iam embora. Mesmo que essas pessoas soubessem falar o inglês, recusavam-se a fazê-lo. Os tempos mudaram, assim como essa atitude mais hostil.

Numa determinada vez, me dirige a uma agencia de turismo para comprar uma passagem de trem. Ao chegar no guichê disse que queria um ticket para o período da tarde, ela imediatamente disse o valor e em seguida paguei o bilhete. Quando estava saindo, percebi que não havia nenhum horário marcado, voltei e perguntei que horas saia o trem. Ela me respondeu de forma grosseira, “não está vendo a lista? ”, apontando para o balcão. Em seguida, pedi para marcar num certo horário que me convinha e em seguida veio a resposta. “Agora, só na estação de trem”. Comecei a discutir, mas de nada adiantou; lá fui eu pegar o metro, e o pior, essa atendente estava no mesmo vagão que o meu, tive que ficar olhando para ela por algum tempo!

A eleição para Presidente na França acontecerá daqui um mês. As pesquisas de voto dão uma margem folgada para o candidato Macron. Marie Le Pen que já tem uma abreviação, MLP, não parece ter muita chance segundo essas estatísticas. Como demonstra a ilustração a seguir, o primeiro candidato já tem superioridade até no primeiro turno.


Na bolsa de apostas, o quadro se confirma: MLP possui uma probabilidade bastante baixa de 20%. Mas todos têm a lembrança dos dois últimos eventos, Brexit e Trump, onde as estatísticas erraram feio.


Ontem recebi um estudo minucioso elaborado pelo Goldman Sachs, analisando diversos aspectos dessa eleição. Não pretendo detalhar aqui, mas a conclusão é que se MLP ganhar as eleições, esse banco acredita numa queda dos mercados depois dos primeiros dias. Um provável controle de capitais e fechamento dos mercados, em função de uma regra denominada de controle de capital 2 e o receio sobre a sobrevivência do euro. Nessa situação, com eleições no primeiro trimestre de 2018, a Itália seria o próximo candidato natural a seguir o mesmo caminho.

Será que podemos confiar agora nas pesquisas, ou os franceses, como na situação que comentei, vão deixar para marcar seu voto na última hora? “Je ne sais pas! ”

Por outro lado, como venho comentando, hoje foi publicado o PMI da Europa. Com a marca de 56.8, muito próximo da melhor estatística desses últimos 6 anos. O emprego apontou uma marca acima de julho de 2007, tanto na indústria como nos serviços. A aceleração do crescimento, bem como a melhora em novos negócios, e aumento das contratações, sugere que um forte crescimento se pode esperar para o 2º trimestre.

 
Em função destes dados mais benignos, o mercado já começa a apostar num aumento dos juros pelo ECB ainda este ano. Abaixo a evolução dessa possibilidade. Só espero que o “Mini Mário” não invente, subindo de -0,25% a.a. para -0,15%!



No post moscacoin, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” parece que existe uma região magnética ao redor da cotação de R$ 3,11; quando o dólar tende a subir, uma força empurra-o para baixo, e quando tende a cair, uma força tende a fazer subir. Até a hora que uma força maior vai levar o dólar para fora dessa zona magnética. Parece que essa força é para baixo, ou seja, uma queda do dólar” ...

 
...“Os objetivos que tracei anteriormente para o dólar, caso a situação acima se materialize, passa a ser R$ 2,80/2,85. Poderia tentar novamente um trade na venda de dólar a R$ 3,10, mas o stoploss teria que ser fixado a R$ 3,18, o que resultaria um resultado salgado caso acontecesse. Fica a seu critério, mas eu vou esperar mais um pouco” .... Hoje pela manhã, resolvi ativar esse trade fazendo a venda a R$ 3,13; fica estabelecido um stoploss a R$ 3,20.

O motivo principal é a formação apresentada abaixo de uma sequência de 5 ondas completas (verde), o que indica que um movimento de baixa pode estar iniciando, além de uma formatação indicada em vermelho, que tem o formato de uma correção.



Quem acompanha Eliott Wave sabe que, quando uma sequência de 5 ondas é formada, a probabilidade de um movimento continuar nesse sentido é elevada. Essa é a principal razão dessa minha investida. Naturalmente, um acompanhamento em parâmetros de mais médio prazo também deve atender essa ideia, o que é o caso.


O SP500 fechou a 2,343, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1073, com queda de 0,94%; o EURUSD a 1,0797, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.243, com queda de 0,32%.
Fique ligado!

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