Inflação: A Revanche

8 de março de 2017

Marketing Chinês


Um dado anunciado nesta manhã colocou os analistas de cabelo em pé, para quem tem! A China, normalmente um país com elevados superávits comerciais, divulgou um déficit em janeiro de US$ 9,15 bilhões. As importações cresceram a uma taxa astronômica de 44,5% quando comparada a do ano anterior, enquanto as exportações meros 4,2%.


Existe um fator real para esses resultados, o ano Lunar Chinês que caiu em Janeiro, em contraste com o ano passado, que ocorreu em Fevereiro; podendo ser essa uma das causas. Com uma simples ressalva do gráfico acima, pode-se observar que em 2012 e 2014 foram relatados déficits até maiores que o atual. Ao analisar os detalhes das contas, observa-se um aumento substancial do preço de importação das commodities.

Alguns analistas disseram para não levarmos muito em consideração esse resultado, pois quando o mês contempla o ano Lunar, surgem grandes distorções. Desta forma, o mais correto seria considerar o conjunto de dois meses.

Coincidência ou não, o momento foi muito propício. Donald Trump está acusando a China de manipular sua moeda, o Yuan, para estimular com subsídios as exportações chinesas. Agora, se a China tem déficit e os EUA também, algum outro país estaria se beneficiando.  Afinal, se um país tem superávit algum outro deve ter déficit. Assim, fica difícil de acusar manipulação no câmbio. Um bom marketing Chinês, pelo menos ao curto prazo.

Coincidentemente, os EUA publicaram os dados de sua balança comercial. O saldo não apresentou nenhuma surpresa como, por exemplo, o anúncio de um superávit. O resultado líquido foi de um déficit um pouco inferior a US$ 50 bilhões, porém, foi o mais elevado em 5 anos. O que surpreendeu positivamente foi o crescimento tanto das exportações como das importações, que, em bases anuais, ficaram ao redor de 10%. Isso é um bom indicador de crescimento.



Mas, se os EUA apresentaram déficit e a China também, quem obteve superávit? Alemanha! Como se pode verificar no gráfico a seguir, suas exportações, quando medidas em relação ao PIB, são superiores às da China e também do México que, por sinal, apresenta déficit.


Os argumentos de Trump não se aplicam totalmente a esse país. Primeiro, não existe um subsidio implícito em seus produtos exportáveis, e se o problema é o câmbio, que ela vá reclamar com o ECB. A competição com os EUA é diferente no caso da China, onde os produtos são de baixo valor agregado. Em sua grande maioria não existe similar, pois não é fabricado nos EUA. Já no caso da Alemanha, onde são exportados máquinas e equipamentos eletrônicos, a competição é direta. Vai ser uma briga boa!

A publicação do ADP hoje, uma prévia do resultado de emprego a ser anunciado na próxima sexta-feira, arrasou! Foram criadas 298 mil vagas, um recorde dos últimos 6 anos. Será que já está acontecendo o efeito Trump? Hahaha ...


Tudo está indicando que, não só uma alta dos juros pelo FED acontecerá na próxima semana. Talvez na secção de perguntas e repostas uma sinalização de mais 2, ou quem sabe mais 3 altas esse ano.

Só falta combinar com os russos, porque ao verificar o GDP projetado pelo Federal Reserve de Atlanta, fiquei chocado com o resultado que o modelo aponta, um crescimento do PIB neste trimestre em apenas 1,2%. Será que o FED de Atlanta vai errar desta vez, ou o mercado levará um choque quando o dado for publicado em abril?


No post devemos-acreditar-no-fed, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” quero ressaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000” .... Hoje pela manhã o índice chegou a bater 64.500, o que representa uma queda de 7% de sua máxima.


O Mosca está apostando na opção azul (1), uma correção leve limitada ao nível de 63.000, com o potencial de levar o Ibovespa aos 74.000.

- David, vamos encher a mão! Afinal, quem não acredita que a bolsa vai subir?
Exatamente pelo motivo que você apontou – quem não acredita que a bolsa vai subir, é que temos que tomar muito cuidado. Você não me deixou nem completar o meu raciocínio.

Outra opção de correção levaria o índice a níveis bem inferiores. Eu apontei no gráfico em verde (2) onde poderia chegar, entre 56.000 e 59.000, uma queda bem razoável entre 10% a 15% sobre os níveis atuais.

Uma coisa que não me sai da cabeça é imaginar qual seria o impacto no Brasil se os juros de 10 anos atingirem os 3% que estamos apostando. Vai ser numa boa ou vai machucar? Por um lado, o motivo dessa alta é por um bom motivo, pois estaria dentro de um contexto de normalização dos juros pela economia americana estar melhorando. Por outro lado, deve haver uma realocação de recursos para aquele mercado - americano. Assim, existem bons motivos para a bolsa corrigir mais forte, afinal, da mínima, subiu quase 90% e tem muita gente no lucro.


Acho que estamos num momento de cautela e os preços não estão uma bargain! Vamos devagar, sem compras adicionais no momento.

O SP500 fechou a 2.362, com queda de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,1624, com alta de 1,40%; o EURUSD a 1,0542, com queda de 0,22%; e o ouro a US$ 1.207, com queda de 0,64%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário