Inflação: A Revanche

2 de março de 2017

A complacência é perigosa


Quando as bolsas de valores sobem da forma como vem acontecendo recentemente os investidores tendem a  reações distintas. Os que possuem posições acreditam que o céu é o limite e se sentem geniais por preverem a alta, enquanto os que não têm ações ficam torcendo pela bolsa cair e justificar sua inação passada. Ah, acabei esquecendo um pequeno grupo que apostou na queda, esse só sentira alívio quando seu stoploss for executado.

Nenhuma dessas reações é saudável e nem desejável. Para quem está ganhando, agora todo cuidado é pouco, podem adotar então duas táticas, uma a de fixar um limite de ganho e vender quando for atingida, a outra é ir atualizando os stoploss a cada nova alta. Para o segundo grupo, eu sugiro que entrem num determinado momento e definam quanto estão dispostos a perder, pois o erro de não ter entrado antes já aconteceu.

Usando essas posturas fica garantida uma atitude dinâmica não ficando preso a nenhum dogma que pode ser colocado pelos analistas. Não me entendam mal, eu acompanho as informações fundamentalistas, mas as uso como mais uma. Por exemplo, o gráfico a seguir mostra como o P/E está em níveis extremante elevado, quando comparado a um histórico de longo prazo.



Hoje será o dia em que as ações da Snapchat iniciam sua negociação na bolsa de valores. Do ponto de vista de valor a mesma foi precificada com o dobro do valor das ações do Facebook, quando de seu lançamento. Na área de tecnologia, as oscilações são enormes, algumas empresas dão muito certo, outras dão muito errado, o gráfico a seguir, dá essa dimensão.



Ontem foi publicada a inflação medida pelo PCE, critério que o FED usa no estabelecimento de sua política monetária. Como se pode notar, todos os indicadores apontam para uma aceleração desse indicador.


Outra variável interessante de se acompanhar é qual a expectativa do mercado quanto à inflação futura. Uma das formas de se avaliar é pela decomposição, que é calculada através dos títulos pré-fixados, comparados aos títulos indexados à inflação. Para saber se o mercado espera inflação crescente efetua-se a subtração da inflação calculada conforme exposto acima, entre os títulos de 2 anos de vencimento contra os de 10 anos. O que se pode notar no gráfico a seguir é que o mercado espera uma elevação da inflação de forma temporária com seu recrudescimento num prazo mais longo. Será?


E completando o rol de boas notícias, o ISM da manufatura aponta para um resultado acima das projeções e próximo às máximas após a crise de 2008. Vamos que vamos!



No post reservas-for-ever, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...”estamos diante de duas possibilidades que considero quase equiprováveis, vejamos:” ...

Last Kiss – Regiões polarizadas, do ponto de vista técnico, tendem a ser rompidas (neste caso para baixo). Depois de um pequeno período em queda, um movimento contrário leva as cotações ao nível de ruptura, para que em seguida voltem a cair.

False break – O mercado fica tentando romper um determinado nível, até que uma onda de vendas faz com que ocorra a ruptura (normalmente originada por quem já está vendido).  Acontece que, nesses novos níveis (abaixo da ruptura), aparecem mais compradores e praticamente nenhum vendedor novo, fazendo as cotações subirem. Aqueles vendidos ao perceberem essa situação, também resolvem zerar suas posições, criando uma reversão no mercado.

...”o dólar se encontra em um desses dois casos e não consigo dizer em qual deles. A única coisa prudente que tenho a fazer é apertar o stoploss para R$ 3,15”...





Com o mercado fechado durante o período de Carnaval nada ainda se pode concluir sobre o dólar, se o Last Kiss foi mais longo que o normal, ou se é um false break e o dólar está num processo de alta.

Observando sobre vários aspectos tenho argumentos para sugerir uma alta do dólar, bem como uma baixa. O nível de R$ 3,15 tem certa importância se rompido, mas nada garantindo ainda um movimento mais consiste de alta do dólar. Fiquei me perguntando se não seria o caso de zerar a posição. Existem dois aspectos que levei em consideração, primeiro que meus dados de momentum não indicam uma mudança significativa e segundo que o stoploss está próximo dos níveis atuais.


Situações como essa acontecessem na vida de um investidor. Minha reação normalmente é ficar sem posição. Não devo fugir a regra razão pela qual estou liquidando a R$ 3,1215. Com o fechamento a R$ 3,1560 não teria mais dúvida, a única diferença seria o resultado entre essas duas cotações de 0,77%. Mais importante é o conceito que busco seguir, na dúvida não se deve ter posições.

O SP500 fechou a 2.381, com queda de 0,59%; o USDBRL a R$ 3,1560, com alta de 2,17%; o EURUSD a 1,0506, com queda de 0,38%; e o ouro a US$ 1.234, com queda de 1,22%.
Fique ligado!

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