Inflação: A Revanche

29 de março de 2017

Negócio da China


A expressão “negócio da China” surgiu durante a Idade Média, quando a consolidação da burguesia europeia realizou a integração entre o Ocidente e o Oriente por meio de longas rotas terrestres e marítimas que buscavam as cobiçadas especiarias (sedas, temperos, ervas, etc...) oriundas dessa região. Ainda hoje, usa-se essa expressão quando alguém obtém algum tipo de acordo muito vantajoso.

O preço do petróleo é muito volátil. Com uma concentração no número de países produtores, a possibilidade de manipulação dos preços existe. Isso era muito mais verdade no passado, antes que os EUA revolucionassem a extração dessa commodity através do Shale Gas, que requer um tempo menor de instalação dos equipamentos que a forma tradicional.

Quando esse processo se tornou industrial, os preços do petróleo começaram a cair de forma abruta e chegaram a valer US$ 20. A Arábia Saudita começou a extrair mais petróleo, ajudando na queda de preços, com o objetivo de forçar a maioria dessas empresas a sair do negócio por não ter como competir.

Mas como é o espectro do custo de produção dos principais produtores?  A ilustração a seguir foi elaborada pela Rystad Energy, uma consultora nessa área de energia.

 
Porque o petróleo saudita custa tão barato? A Rystad Energy olha para 4 pontos no intuito de calcular o custo de extração do petróleo: Custo de capital; custo de produção; custo administrativo e de transporte; e taxas brutas. A seguir, o detalhamento desses custos no caso saudita.


Como demonstra o gráfico, esse país só precisa gastar US$ 3,50 de capital na extração do óleo. Nesse valor foi incluído o dinheiro investido, a perfuração, e seus equipamentos associados. O motivo de seu custo de capital ser tão baixo é porque o óleo nesse país se encontra muito próximo da superfície do deserto e agrupado em vastos campos. Em contraste com essa situação, outros países têm extensas plataformas offshore, como a Noruega e Grã-Bretanha, cujo custo de capital nesses casos é de US$ 13,76 e US$ 22,67, respectivamente.

Enquanto isso, a localização e o tamanho dos campos petrolíferos da Arábia Saudita também ajudam a manter seus custos de produção baixos. Embora não seja o mais barato do mundo, como vários países têm custos de produção em torno de US$ 2 por barril, ainda é uma fração dos custos de produção de um país como o Canadá, que paga US $ 11,56 para produzir um barril de petróleo. Uma das razões pelas quais o custo de produção do Canadá é tão alto é que as areias de petróleo constituem a maior parte de sua produção.

Em termos percentuais, a Arábia Saudita tem um dos maiores custos administrativos e de transporte do mundo, com 27,7% do total. No entanto, isso acontece porque suas outras despesas são baixas.

Finalmente, a falta de impostos é uma vantagem competitiva significativa para a Arábia Saudita e outros produtores de baixo custo, como o Irã e o Iraque. Exemplificando, se a Rússia não tivesse que pagar impostos, seus custos para o petróleo iriam cair de US $ 19,21 para US $ 10,77; o que é muito mais competitivo que seus rivais do Oriente Médio.

Como o xisto se compara com as outras formas de extração?

Durante anos a Arábia Saudita tinha sido o líder mundial indiscutido no mercado de petróleo. No entanto, graças aos avanços na tecnologia de perfuração de xisto, a produção de petróleo nos EUA recuperou anos de declínio e, num determinado momento, a América ultrapassou a Arábia Saudita como o maior produtor mundial.

Esse movimento de queda de preços obrigou os produtores de xisto a se tornarem muito mais eficientes, o que levou a uma redução significativa nos custos. Dito isto, os custos de capital do xisto estadunidenses são ainda mais que o dobro daqueles da Arábia Saudita, devido ao aumento das despesas.


Ainda assim, esses custos têm diminuído ao longo dos anos como os custos de capital. Por exemplo, no ano passado a produção de petróleo do principal produtor de xisto, EOG Resources, diminuiu menos de 1%, apesar de uma notável redução de 42% nos gastos de capital em relação a 2015. Despesas de produção, da mesma forma, decresceram acentuadamente. No caso da EOG Resources, seu custo por barril de óleo equivalente caiu 22% desde 2014.

A Arábia Saudita tem os menores custos de produção de petróleo do mundo graças a duas vantagens estratégicas: poços abundantes de petróleo perto da superfície e sem impostos sobre a produção. Por causa disso, ela pode ganhar dinheiro em quase qualquer ambiente de preço do petróleo. Logo, a Arábia Saudita cometeu um erro tentando usar seus baixos custos para matar a revolução do xisto; Ela só fez o xisto ficar mais forte.

No caso brasileiro, como se pode notar na primeira tabela, o custo de produção é bastante elevado, e com uma Petrobrás que estava preocupada somente em gerar recursos para os políticos, nada deve ter sido feito na redução de custos. O petróleo encontra-se hoje na casa dos US$ 50 e nesse nível todos os países têm margem para extração. Mas à U$ 9,00 o barril, a Arábia Saudita ainda tem um negócio da China!

No post trump-esta-caindo-na-real, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Minha sugestão é comprar ouro a US$ 1.230, com um stop a US$ 1.195. Esse primeiro movimento de alta, permite a entrada em níveis que caso se provem errados, imprimiram um pequeno prejuízo” ...


No gráfico acima a escala contempla um intervalo de 4 horas. Às vezes usa-se esta técnica para identificar eventuais movimentos que não ficam claros em intervalos maiores. Em outras situações, pode atrapalhar a visão mais ampla, assim seu uso deve ser com cuidado e sempre observando num trecho mais amplo. Hoje estou postando com o intervalo diário.



Eu anotei acima o último movimento que está relacionado no gráfico anterior, veja que muda bastante. Até o momento, o nível que eu estava desejando não foi alcançado, a menor cotação atingida foi de US$ 1.246. Se o ouro ultrapassar a barreira dos US$ 1.265, poderá atingir pelo menos US$ 1.330. Assim, vou propor um trade duplo, sendo que um elimina o outro. Veja a seguir os detalhes:
a)      Se o ouro continuar a subindo e não tocar no US$ 1.230, ao romper US$ 1.265 no fechamento, fica acionado a compra com um stop a US$ 1.230.


b)       Caso atinja US$ 1.230, o trade acima fica cancelado e vale as premissas anteriores explicitadas acima, cujo stoploss é de US$ 1.195.

O SP500 fechou a 2.361, com alta de 0,11%; o USDBRL a R$ 3,1193, com queda de 0,62%; o EURUSD a 1,0766, com queda de 0,46%; e o ouro a US$ 1.252, sem variação.
Fique ligado!

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