Inflação: A Revanche

10 de março de 2017

Mr. Trump: We have a (big) problem


Logo que eu assumi o comando da tesouraria no Banco Francês e brasileiro, não entendia nada sobre como funcionava a liquidez do banco. Na verdade, eu era responsável pelo banco comercial, de investimento, leasing, e duas distribuidoras. Hoje tenho certeza que a direção do banco fez uma aposta de risco, um garoto de 28 anos para tocar tudo isso.

Eu tinha uma mesa de operações com mais de 20 traders que, nos inícios dos anos 80, fechavam as operações por telefone. A maioria eram operações de over night, muito popular naquela época. A cada operação fechada, um boleto, se é que se poderia chamar aquele pedacinho de papel deste jeito, era passado para um controler que fica numa das bordas da mesa. O controle do lastro, uma vez que todas essas operações de trocas de reservas eram feitas através de lastro de títulos públicos com garantia, estava nas mãos desse rapaz que controlava o caixa e as posições de papéis. Naquela época já existia as LTNs e outro bastante conhecido era as NTN cambias.

Um belo dia eu entrei na mesa disposto a operar. Depois de observar um pouco as taxas de mercado, notei que o nível de taxa para operações em LTN era de 3% e nas de NTN de 4%. Pensei, vou ganhar uma fortuna hoje. Chamei meu chefe de mesa e disse: Toma tudo que puder em LTN e repassa em NTN. Essa operação gerava um spread de 1%, detalhe: ao mês, pois aquelas taxas eram mensais, e multiplicadas pelo volume que poderia operar daria uma bela grana.

Não esperei meu chefe de mesa fazer nenhum comentário e disse: Pau na máquina! Ao ver os operadores fechando essas operações pensei que não era tão difícil assim esse negócio.

Passado algum tempo, de repente o controle grita: Fu&%u!!!! Em seguida, perguntei por que. Sua resposta: Estamos furados R$ 3,0 bilhões em LTN! Foi quando caiu a ficha, essa operação maravilhosa que eu tinha imaginado trazia um pequeno detalhe para que fosse possível, eu teria que ter lastro suficiente em LTN. Não preciso dizer que os operadores passaram o dia inteiro revertendo essa operação, agora com um spread negativo para o banco de 1,5%.

Hoje foi divulgado os dados de emprego nos EUA, e foram criados 235 mil novos postos. O gráfico a seguir não deixa dúvidas da solidez do mercado de trabalho americano. Não bastasse isso, a taxa de desemprego caiu para 4,7%. Se isso não é pleno emprego, então o que seria?


Outro indicador que o FED acompanha também é a evolução dos salários que cresceram a uma taxa anual de 2,8%. Uma pesquisa feita com o RH das empresas, vários gerentes disseram ter dificuldades de encontrar pessoas qualificadas para as vagas abertas.


Imagino que a professora Yellen e o pessoal do FED não tenham dúvidas que devem elevar o juro agora em março, mas também se preparar para novas altas, o que poderá ser percebido na secção de perguntas e respostas do próximo comitê do FOMC, bem como nas projeções que serão publicadas. Por outro lado, ao ver o Presidente Trump apontar os empresários que tem suas fábricas fora dos EUA como sem espírito nacionalista, deve estar mais preocupada ainda, pois já não bastasse o aperto natural, mais uma pressão poderá advir dessa sua postura.

Assim como eu, no caso que contei acima, que não levei em consideração os dados para tomar minha decisão, parece que Trump também está cometendo o mesmo tipo de erro. Ficaria feio a professora pegar o telefone e dizer ao Trump, o que o controle me disse naquela ocasião. Sugiro que faça uma ligação e diga: Mr. Trump, we have a (big) problem! Está faltando lastro de trabalhadores! Hahaha ....

Aqui o IPCA de fevereiro foi de 0,33%, e ficou abaixo de expectativa do mercado que era de 0,44%. Em termos anuais, caiu de 5,4% a.a. para 4,8% a.a.; muito próximo do centro da meta que é de 4,5%. Tanto eu, como a torcida do Corinthians estamos convencidos que o BC vai baixar 100 pontos na próxima reunião do BCB. Eu me pergunto, porque não aumentaria para 150 pontos.

Desde que eu entrei na área financeira, eu digo que taxa de juros e de câmbio não tem data fixa para mudar. O que eu quero dizer é que, se a expectativa de queda dos juros é generalizada, ela já tem seus efeitos sentidos já, então para que esperar? O gráfico a seguir não deixa dúvidas que todos os subitens de inflação estão caindo.


Outro item que eu acompanho é o índice de difusão e também aqui as coisas estão indo muito bem, o nível foi de 50,9% um dos mais baixos da série histórica.


No post yes-we-can, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” A configuração parece com um triângulo, embora haja um detalhe que questiona essa assumpção. Mas isso não tem tanta importância desde de que, os juros ultrapassem a marca de 2,57% a.a.”...


Desde aquela data o mercado acabou seguindo favoravelmente a nossa posição e hoje se encontra no nível de 2,57% a.a.


Em função desse movimento, vou considerar que estamos num novo canal de alta com os objetivos que havia traçado anteriormente aliquota-alta-imposto-baixo...” minhas projeções de alta são 2,90%, depois 3,05 % (meu preferido) e por último 3,20%” ...

Vou implementar alguns ajustes administrativos, primeiro cancelando uma ordem antiga feita no post bcb-em-festa, à uma taxa de entrada de 2,22% a.a. Depois, como sugeri no trade atual ½ da posição, a outra metade, sugiro uma nova proposta a 2,45%, com o mesmo stoploss 2,30%. O motivo é que eu acredito numa pequena retração antes dos juros tomarem novo folego.

Complicado? Ganhar dinheiro dá trabalho! Hahaha ...


O SP500 fechou a 2,72, com alta de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,1380, com queda de 1,69%; o EURUSD a 1,0669, com alta de 0,89%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 0,31%.
Fique ligado!

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