Inflação: A Revanche

9 de março de 2017

Juros americanos a 6% a.a.!


Pois é, não foi somente o Mosca que fez essas previsões em relação aos juros americanos. Recomendo aos leitores a releitura do post inflação-revanche, tema principal para 2017. Destaco alguns pontos desse material: ...”o primeiro, que eu só anotei porque faz parte do script, embora eu praticamente não utilize, é de 5% a.a.; o segundo, que indicaria uma correção "leve" 7% a.a. e o terceiro, mais provável, 8,5% a.a. Para dizer a verdade, teria que apontar também o de 10,5% a.a.” ...


Jeffrey Gundlach, o guru do mercado de bonds americano, apresentou a seus investidores suas visões no último dia 07 de março. Vou separar aqui os principais pontos. Comentou que as economias atravessam o período mais sincronizado de melhoria dos últimos 7 anos. O índice de surpresas levantado pelo Citibank, que observa indicadores econômicos, está atuando conforme as expectativas. Vem subindo de forma estável nos EUA, na zona do Euro, nos mercados emergentes e em outras economias.

 
Seu receio está na inflação que vem subindo em todos os cantos, mas não acredita que a economia americana possa entrar recessão. Contudo, as taxas de juros desses diversos países não estão em sintonia, como se pode verificar no gráfico a seguir.



Assim como o Mosca, ele acredita que o ECB terá que alterar sua política monetária. Como exemplo, cita a distorção enorme que é vista na Alemanha, onde a inflação se encontra fortemente no território negativo.


A próxima apresentação é sua visão de como irá evoluir a inflação nos EUA, onde a mesma atingiria um pico de 2,9% durante este ano, para depois retroceder aos níveis de 2,0%, dependendo de quanto estiver o petróleo.


Mas a bomba veio ao final de sua apresentação, quando sugeriu que os juros dos títulos de 10 anos americanos poderão chegar a 6% a.a. “O peso da elevada dívida nos EUA será desencadeado. A inflação vai subir assim como o crescimento nominal do PIB, porque existe uma oferta maciça de bonds vencendo em alguns anos. Isso é resultado das emissões durante o QE1 (Quantitative easing), QE2 e QE3, aliado ao fato da necessidade de refinanciar os vencimentos de bonds corporativos e junk bonds. Isso virá ao mesmo tempo que um salto das despesas é projetado".

Eu imagino que os investidores ficaram chocados, mas ele habilmente disse que isso não será ruim para os fundos de bonds, dependendo de como eles forem administrados! Hahaha ... fez um marketing.

Posso dizer que estou em boa companhia nas minhas previsões, não tenho tanta segurança de que um gestor, por melhor que seja, vai conseguir passar numa boa esse período; mesmo ele. Com as taxas de juros subindo, e dependo do motivo, não teremos ganhadores nesse mercado. Mesmo deixando os recursos no curto prazo, imagino que a diferença de taxa (entre os juros curtos e longos) será muito grande. Não vamos nos estressar já, mas teremos que ficar atentos a essa possibilidade.

Resolvi complementar o raciocínio desenvolvido acima com a projeção da dívida pública americana nos próximos anos. Há de se adicionar o fato que o deverá FED começar a limpar seu balanço, haverá uma pressão adicional na oferta de títulos ao mercado.

 
No post em-cartaz-inflacao-revanche, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Ainda continuo com a previsão que novas altas deverão ocorrer. Para efeitos de trade, indiquei acima o nível ao redor de 2.230 que, caso ocorra, devo sugerir um trade de compra”... esta postagem ocorreu no início de fevereiro e desde então não houve nenhuma oportunidade de compra.


Depois de atingir a máxima de 2.400, acabou retorcendo um pouco e hoje se encontra a 2.362. Mas, o que fazer agora? Meu objetivo colocado há algum tempo é ao redor de 2.450, e caso ultrapasse, poderia atingir 2.850. Por vários motivos trabalho com o primeiro. Se a bolsa quiser se dirigir ao segundo, nós veremos o que fazer.

 
No gráfico acima, expus minhas projeções para o SP500, caso o nível de 2.450 seja respeitado. Será uma correção “forte” e com uma duração razoavelmente prolongada. Resolvi adicionar uma tabela com os possíveis níveis de retração e percentuais de queda.


Apontei em itálico a retração com maior possibilidade, mas não posso de maneira nenhuma descartar as inferiores; existiram motivos técnicos também. Mesmo a primeira, estamos falando de uma queda de 22% que ninguém vai gostar nenhum um pouco.

- David, essa é uma ótima oportunidade de venda! Por que não vender já se só tem um pouquinho a perder e muito a ganhar?!
Não sei de onde você tirou quem só tem um pouquinho a perder. Cálculo que se pode perder muito em valor e paciência. Em valor, porque num mercado de alta não se deve meter a besta e fazer uma posição contrária só porque atingiu seus objetivos: eles são mutáveis. Neste caso específico, eu disse que se ultrapassar 2.450, pode-se esperar 2.850; uma alta de 16%! Sobre a paciência, porque essa retração que eu estou imaginando pode demorar um tempo a se materializar e se você vender agora, vai poder ficar bem irritado observando o índice oscilando próximo do seu preço de venda por um bom tempo. Em mercados de alta, o Topping tende a ser dessa forma.


Meu objetivo hoje é alertar os leitores que a alta da bolsa americana estaria se preparando para um movimento mais expressivo de retração e por um prazo maior. Agora, para quem tem posição comprada, recomendo trabalhar com stops bem curtos. Por último, não posso garantir que o SP500 vai atingir os 2.450; pode ser que a máxima já aconteceu. Vou acompanhar de perto os próximos movimentos desse índice.

O SP500 fechou a 2,364, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1910, com alat de 0,92%; o EURUSD a 1,0585, com alta de 0,43%; e o ouro a US$ 1.210, com queda de 0,48%.
Fique ligado!

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