Inflação: A Revanche

23 de março de 2017

Missão quase impossível


Equilibrar a economia chinesa é uma tarefa muito complexa. Esse governo há mais de 20 anos decidiu que necessitava criar empregos para evitar uma revolução interna. Com uma população gigantesca, ou se enquadrava nos padrões mínimos do capitalismo, ou estaria fadada a ser uma economia obsoleta. Iniciou uma política de atrair indústrias estrangeiras através do baixo custo de mão de obra, e exportar a grande parte de sua produção. Com as divisas geradas acumulou um volume crescente de reservas e investiu pesadamente em infraestrutura.

Passados algumas décadas seu objetivo foi plenamente cumprido, torando-se a 2º maior economia do planeta. Mas em contrapartida criou uma série de desequilíbrios que deveriam ser corrigidos no tempo. Seus governantes sabem muito bem que não podem depender do crescimento infinito de suas exportações, principalmente quando o mundo se encontra numa situação tão frágil. Além disso, sabe bem que essa atitude eleva os riscos de políticas protecionistas, como a que Trump vem ameaçando recentemente. Para continuar em sua escalada de crescimento é necessário elevar o consumo interno, o que vem buscando fazer com pouco sucesso.

Muito sem tem comentado sobre a veracidade de seus dados publicados, com vários estudos apontando enormes distorções em relação aos dados oficias. O Gráfico abaixo aponta uma certa convergência recente. O PIB publicado estaria mais próximo do índice de atividade calculado por uma agência privada. Parece que a razão é mais por uma melhoria da economia que acabou coincidindo com o PIB publicado.


Uma outra forma de confirmar essa melhora se pode verificar nos últimos dados de exportações de Taiwan, cujo destino maior de seus produtos é a China. Um crescimento de 22% em termos anuais relembra os melhores dias.


Mas para conseguir esse crescimento espetacular suas empresas se endividaram de maneira perigosa. Crescendo em velocidade supersônica através de empréstimos é de se esperar que diversas indústrias caminham para bancarrota, bem como investimentos tornam-se sem valor como o caso de cidades inteiras abandonadas. Hoje existe excesso de capacidade nas indústrias pesadas e preços elevados em propriedades e outros ativos que elevam o risco de uma “quebra desorganizada” segundo a pesquisa publicada pela OECD.


A China tem sua moeda muito ligada a cotação do dólar americano, foi assim que promoveu seu desenvolvimento. No início houve uma desvalorização de 50% de sua moeda para colocar em prática seu plano. Passados vários anos, e mais especificamente a partir de 2005, deu início a uma valorização lenta que acumulou 35% até 2014. A partir daí, com o dólar se valorizando em relação as outras moedas, o yuan passou a se desvalorizar e hoje se encontra praticamente no meio do caminho – da valorização citada no período acima, a 6,90.


Por outro lado, o banco central Chinês está promovendo um aperto monetário. Isso se faz necessário para evitar uma desvalorização da sua moeda de forma desordenada, como alguns momentos vividos nos últimos anos. Desta forma a autoridade monetária tem adotado uma política de aperto desde o último outono do hemisfério norte, mas claramente, a elevação das taxas interbancárias recentes sugere que esse tom mais restritivo foi elevado.

Por esses e vários outros motivos o prêmio de liquidez, medido como a taxa acima dos níveis interbancários, para um segmento muito comum e denominado de Shadow Bank – mercado de crédito fora do sistema bancário, explodiu como se pode verificar a seguir.



 Uma economia do tamanho da chinesa já seria muito difícil estabelecer políticas econômicas num ambiente livre de competição. Com forte intervenção governamental fica muito mais difícil tomar medidas para dirigir a economia no caminho desejado. Agora parece ser um momento desses. As autoridades buscam liberalizar a economia, é bem verdade, no ritmo Chinês. Enquanto isso o mundo é obrigado a confiar que não será feito nenhuma barbeiragem que possa comprometer a saúde do sistema global.

No post atlanta-x-nova-york, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “O que acontecer dentro desse retângulo poderá esclarecer, se a alta de juros interrompeu por enquanto ou os objetivos acima ainda permanecem válidos. Quero ressaltar que minha visão de longo prazo não se altera pela dúvida levantada” ...



O movimento estendeu mais que o desejado se situando próximo de nosso stoploss a 2,40%. Várias hipóteses se abrem agora, inclusive a levantada no post acima de uma falha na última onda. Por enquanto é cedo para algo mais conclusivo e vamos ficar sem posição adicional até que se esclareça melhor, qual o cenário mais provável.
O gráfico acima espelha o movimento que considero mais provável até o momento. No primeiro caso (1) uma retração até o nível ao redor de 2,22% a.a. para em seguida iniciar uma nova tendência de alta, ou uma queda um pouco maior até 2,10 (2) para em seguida subir. Vale notar que, enquanto não formos stopados ainda vale os objetivos anteriores, embora achou pouco provável que isso aconteça.


Não vou deixar nenhum trade no momento pré-agendado, pois cálculo que os juros deverão permanecer nessa correção por algum tempo, e além do mais, não tenho elementos suficientes para colocar esse trade. Comentei diversas vezes que não se deve ter posições na maioria do tempo, algo como 70%, pois somente em 30% os movimentos sugerem operações com um bom risco retorno. 

O SP500 estava a 2.344 (*), com queda de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,1367, com alta de 1,61%; o EURUSD a 1,0785, sem variação; e o ouro a US$ 1.247, com queda de 0,12%.
(*) as 16:45 hs.
Fique ligado!

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