Inflação: A Revanche

13 de março de 2017

Estratégia Chinesa


Enquanto o mundo ocidental se vê envolvido com embates entre o radicalismo de direita e a democracia, discussões entre qual política monetária a se adotar, riscos geopolíticos, ataques terroristas no varejo ao redor do universo, nada se ouve falar da China. Com a segunda maior economia do mundo, apresentando crescimento de botar inveja em qualquer político que almeja o poder, continua em seu caminho de crescimento e desenvolvimento, andando a largos passos para se tornar a número 1.

Um país para se tornar uma potência são necessários 3 pré-requisitos:  extensão territorial, economia forte e um grande poderio militar. A China se enquadra em todos de forma não igual entre eles. Ela vem trabalhando para que sua moeda o Yuan se torne negociável nos mercados internacionais, abrindo mais uma porta importante, para demonstrar que possui uma economia robusta e fianças equilibradas, dando segurança aos investidores que desejam alocar seus recursos nesse país.

Nem as provocações de Trump geraram algum tipo de reação. Os chineses a partir do momento que anunciam alguma atitude, executam sem voltar atrás.

Uma das ameaças que pairavam na China era a constante redução de suas reservas, embora se encontram a níveis ainda muitíssimo confortáveis. No último mês depois de seguidas quedas, houve um pequeno ganho conforme se pode verificar a seguir.



Em termos de crescimento, a China se encontra a níveis ainda elevados quando comparados aos padrões mundiais atuais. Com uma previsão feita pelo governo de 6,5% para o ano corrente, só perde para a Índia, que vem confirmando uma elevada performance.


A sua moeda o yuan depois de um movimento de queda constante, que se acelerou durante o ano de 2016, conquistou uma certa estabilidade. Como havia mencionado anteriormente, do ponto de vista técnico a área entre 6,80 – 7,00 é crítica, e foi ao redor deste intervalo que o yuan se consolida no momento. Naturalmente o fato do dólar em relação a maioria das moedas estar também sem uma direção no momento contribuiu para essa estabilidade observada.


Porém tudo isso ainda não é um sinal que as coisas estão resolvidas na China. Um mercado muito observado também, é a evolução das cotações do Bitcoin, instrumento preferido pelos chineses para retirar recursos do país. E como se pode ver abaixo, as cotações continuam a subir de forma ininterrupta, sugerindo a formação de uma bolha.


Passados dois meses da posse de Trump, alguns analistas já começam a se questionar o que se poderia realmente esperar das promessas feitas em campanha. Uma delas era o embate com a China sobre sua política cambial, acusando esse país de promover a desvalorização de sua moeda com o objetivo de elevar suas exportações. A China por sua vez resolveu aguardar as ações dos EUA ao invés de responder aos ataques, essa é a estratégia chinesa, ficar quieta, pelo menos por enquanto.

No post salvadores-da-pátria, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” vou sugerir uma operação de compra de dólar a R$ 3,16 (no fechamento), com stop a R$ 3,10. Antes que o meu amigo pergunte, quero deixar claro que não mudei de ideia, ou seja, por enquanto o mercado é de queda no dólar. Mas posso mudar de opinião, e isso vai depender do que acontecer depois dos R$ 3,16, se acontecer! É uma posição especulativa, sugiro alocar ½ do valor” ...

Na quarta-feira, dia 08/03 nosso trade foi executado. No dia seguinte atingiu o nível de R$ 3,20, recuando na sexta-feira para R$ 3,13.


Muito pouco tempo se passou desde a execução e não há nada mais que eu possa acrescentar. Como se pode notar, o dólar está contido entre duas pequenas retas, e em algum momento haverá uma definição; ou subindo com maior pujança ou dando meia volta. Antes que meu amigo pergunte, quero reafirmar que esse é um trade especulativo, por enquanto o movimento maior do dólar é de queda. Let’s the market speak!

Um outro fator que ocorreu em fevereiro foi a forte saída de dólares pela via financeira, registrando um montante de US$ 8,1 bilhões. Não fosse o resultado positivo das transações comerciais de US$ 3,6 bilhões, advindo do forte movimento das exportações, o saldo seria muito superior ao efetivamente registrado de US$ 4,6 bilhões. Esse montante foi financiando através da elevação da posição vendida dos bancos que atingiu o volume de US$ 25,3 bilhões.


Na gestão Tombini o grande fornecedor de cobertura cambial foi o BC através das operações de swap, que chegou a atingir um montante de US$ 110 bilhões. Esse volume foi sendo diminuindo em 2016, mesmo antes de Ilan assumir o BC, porém acelerou quando assumiu. Hoje a quantia é da ordem de US$ 20 bilhões.

A posição dos investidores e principalmente dos fundos de multimercados, em sua grande maioria, é na venda de dólar exceção ao fundo verde que declarou recentemente uma pequena posição comprada. Assim, se o fluxo não reverter mais adiante, quem estiver apostando na queda do dólar poderá sofrer perdas, principalmente, se o dólar subir no exterior. Essas são as cartas abertas na mesa, façam as suas apostas!


O SP500 fechou a 2.373, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1523, com alta de 0,46%; o EURUSD a 1,0653, com queda de 0,15%; e o ouro a US$ 1.203, sem alteração.
Fique ligado!

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