Inflação: A Revanche

20 de março de 2017

Moscacoin


Depois da operação carne fraca deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, a mídia detonou as empresas mais conhecidas, principalmente a Friboi. Também, não teria como ser diferente: com relatos sobre alimentos estragados, conluio com fiscais para liberação de produtos fora da especificação e até a utilização de papelão junto da carne; o que se poderia esperar?

Contudo, tenho que confessar que não fiquei surpreso, não pelo fato em si, mas pela forma. Atualmente, o Brasil é um país de ética questionável, onde a corrupção está enraizada nos principais partidos políticos. Desde que a operação lavajato começou a ganhar força pelo engajamento cada vez maior do público, pessoas que se vêem envolvidas em situações de corrupção em seu local de trabalho, sentem-se mais confiantes de denunciar à Polícia Federal, que hoje é o órgão com maior credibilidade no país.

Tudo isso que vem acontecendo, encaro de forma muito positiva. Se por um lado causa um choque nas pessoas, por outro eleva o custo marginal das empresas que se envolvem em ilícitos. Quanto mais casos, menor a propensão marginal de novos casos. Agora, podem se preparar para mais inúmeros casos inacreditáveis a serem desvendados; chamaria de limpeza de estoque.

Queria deixa registrado que o atual Prefeito de São Paulo caminha a passos largos em sua batalha de tornar a cidade um lugar melhor para viver. Achei interessante sua atitude de ajudar a limpar literalmente a cidade, além de tudo é muito simbólico. Daqui a algum tempo, nós paulistanos vamos recuperar nossa cidadania e acredito que teremos um lugar melhor para morar.

Os leitores do Mosca sabem que eu não sou um fã da moeda eletrônica, o Bitcoin. Diversas vezes publiquei nos posts comentários sobre essa moeda. Nos últimos tempos, é através desse veículo que os chineses estão retirando suas poupanças da China, visto as restrições que o governo impõe. Como suas cotações vem subindo desde a sua criação, os chineses mantém seu estoque, ao invés de usar somente como uma ponte de saída.

O que eu não gosto desse instrumento é que seu lastro é baseado no conceito que seus criadores não irão emitir mais moeda, ou, se o fizerem, existe uma formula para tanto. Mas, qual é a segurança que isso se manterá no futuro? Afinal, as pessoas morrem e são substituídas.

Neste final de semana uma divergência entre seus criadores ocasionou uma queda de mais de 20% na cotação do Bitcoin. Não entendo como essa moeda é transacionada, nem como funciona sua custodia; se é que existe este conceito nesse caso. Essa discórdia se deve em função da forma como as transações são transmitidas: um grupo que manter a forma atual que consiste na transmissão denominado de “bloco”, que atualmente tem um limite de um megabyte e o outro grupo que tornar que essa transmissão seja ilimitada.


Como não conseguiram chegar num acordo, nem tão pouco conquistaram o apoio necessário dos principais players, um dos grupos ameaçou abandonar o Bitcoin e criar uma nova moeda. Esse foi o motivo da reação de queda dos preços.

E se a moda pega e surgem outros grupos interessados em criar moedas eletrônicas? Esse é um risco considerável para quem detêm Bitcoin. A possibilidade levantada na discussão atual revelou que o Bitcoin pode perder a exclusividade. Naturalmente, não é tão simples assim, mas se o Google resolvesse lançar uma Googlecoin não seria tão crível ou até mais que o Bitcoin atual? E assim podemos vislumbrar o Facebookcoin, Instargramcoin, Snapchatcoin e etc ... vai virar carne de vaca, ou melhor, aqui no Brasil, carne de papelão! Hahaha ...

Até que surge um startup lançando um aplicativo, dando a oportunidade para qualquer pessoa crie sua moeda eletrônica, e podem estar certos, vou criar a Moscacoin. Pronto, meu exercício futurológico já criou uma super oferta, onde todas virariam pó eletrônico!

Lógico que vocês não acham que eu acredito nessas divagações, mas meu intuito foi mostrar que uma moeda, sem a existência de um lastro, não pode prevalecer. Isso não significa que as moedas em circulação tenham algum lastro real, como o padrão ouro do passado, mas por enquanto aquela onda de descrédito, ora sobre o dólar, ora sobre o euro retrocedeu muito. Acredito que em situações dessas o ouro é o ativo que se mostrou adequado por muitos séculos, e na pior das hipóteses pode se transformar numa joia.

As grandes trapalhadas que o Trump se meteu desde que assumiu fez com que sua aprovação atingisse níveis muito baixos. Se continuar assim, vai discursar para meia dúzia de gatos pingados e seus adversários na vida política irão dificultar seu governo.


Outro fato que de certa forma preocupa na economia americana é que os dados considerados hard (dados reais) ainda continuam muito baixos e em dissonância aos soft (dados de expectativa). Se o último não virar o primeiro, no curto prazo haverá uma grande frustração nos mercados.


No post estrategia-chinesa, onde cometei que o dólar estava contido entre duas retas e que em algum momento haveria o seu rompimento: ...” ou subindo com maior pujança ou dando meia volta” ...Como se pode verificar a seguir, resolver dar meia volta.


Parece que existe uma região magnética ao redor da cotação de R$ 3,11; quando o dólar tende a subir, uma força empurra-o para baixo, e quando tende a cair, uma força tende a fazer subir. Até a hora que uma força maior vai levar o dólar para fora dessa zona magnética. Parece que essa força é para baixo, ou seja, uma queda do dólar.


Os objetivos que tracei anteriormente para o dólar, caso a situação acima se materialize, passa a ser R$ 2,80/2,85. Poderia tentar novamente um trade na venda de dólar a R$ 3,10, mas o stoploss teria que ser fixado a R$ 3,18, o que resultaria um resultado salgado caso acontecesse. Fica a seu critério, mas eu vou esperar mais um pouco. 

O SP500 fechou a 2.373, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 3.0720, com queda de 0,62%; o EURUSD a 1,0737, sem variação; o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

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