Inflação: A Revanche

14 de março de 2017

FED: Estilo "X" ou "Y"


Amanhã saberemos o resultado da tão esperada reunião do FED. Na verdade, todo mundo espera uma alta de 25 pontos na taxa de juros, o que não se sabe é o que os membros esperam para o futuro. Os últimos dados da economia apontam para uma recuperação e com taxas de juros tão baixas é de se supor uma normalização desse nível.

O mandato do FED tem como objetivo uma inflação de 2% a.a. e o pleno emprego. Em ambos os requisitos, seu objetivo já está próximo. Porém, o mercado ainda não está totalmente convencido que essa recuperação é consistente. Isso se pode notar nas projeções de crescimento para os próximos anos e, como consequência, a taxa de juros que está implícita nos contratos futuros.

Para o ano de 2017, hoje a probabilidade maior é de 3 altas de 25 pontos até o final do ano. O gráfico abaixo aponta como 60%. Isso já se modificou bastante se comparado com o que se esperava a 6 meses atrás.



Outra forma de observar essa nova perspectiva é através dos juros reais implícitos nos títulos mais longos. Durante o segundo semestre de 2016 esses juros estavam bastante próximos de 0%. A partir da eleição de Trump eles começaram a subir, encontrando-se agora ao redor de 0,60% a.a. Na ilustração abaixo, pode-se ver esse movimento.


Esse nível ainda é bastante baixo quando comparado aos valores históricos que são de 2% a.a. Para que vocês entendam a importância dessa medida, o fato de estar aumentando é porque as empresas estão indo ao mercado financeiro captando recursos para seus projetos. Mas nem sempre uma taxa alta significa algo saudável, as vezes um país tem que pagar mais caro por problemas de falta de confiança, como é o caso brasileiro.


Mas, o que será importante observar amanhã? A ilustração a seguir aponta a expectativa do Morgan Stanley para os juros no próximo ano (pontilhado em azul); já o mercado espera níveis inferiores (linha pontilhada em amarelo) ao próprio FED (bolinhas verdes). Contudo, o Mosca tem uma observação que talvez seja até mais importante, que é percebido pela dispersão das opiniões de seus membros, o que chamei de “X” e “Y”.


Quanto mais disperso (“Y”), menor a convicção da autoridade monetária de uma normalização da economia. Quero dizer que não faz nenhum sentido imaginar que os juros podem ser de 2% a.a. se uma economia cresce a 2% a.a., com uma inflação de 2% a.a. As previsões dos membros para os juros deveriam estar próximas dos 4% a.a. Assim, se o que eles publicarem amanhã tiver com uma cara de “Y” para 2018, e principalmente para 2019, o mercado vai continuar acreditando que as projeções não são para valer e a situação atual de descredito poderá continuar. Se for mais “X”, os juros implícitos nos títulos do governo tenderão a subir mais.

Antes de iniciar meus comentários técnicos, gostaria de enfatizar que a volatilidade não está baixa somente nas bolsas como se vê noticiado com mais frequência; está baixa na grande maioria dos mercados. A seguir, pode-se ter uma ideia da dimensão desta queda nos principais mercados financeiros globais: moedas (desenvolvidos e emergentes), títulos e bolsas. Situações como essa são características do cenário conhecido como Goldilocks, cuja definição corresponde a uma economia que não está nem muito aquecida, nem muito retraída. Paraiso!


No post warren-buffet-esculacha-os-gestores, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” A formação técnica desta semana pode antever novas quedas a frente. O gráfico a seguir fornece a pista neste sentido, nada definitivo, mas um bom começo” .... No post salvadores-da-patria, a recomendação do trade foi feita: ...” A formação técnica desta semana pode antever novas quedas a frente” ... ...” Vou aguardar a abertura na próxima semana para decidir se proponho um novo trade na venda” ... E esse dia chegou, proponho a venda a US$ 1.220 com stoploss a US$ 1.250.

 
Acabei não comentando quais seriam meus objetivos e minha ideia por trás dessa posição. Então, vamos separar por etapas. No curto prazo, está definido o stoploss em US$ 1.250. Abaixo de US$ 1.180 é um nível importante se o ouro tem intenções de cair mais. Em seguida, vem o nível ao redor de US$ 1.100 que, se rompido, aumentam muito as chances na busca de novas mínimas abaixo de US$ 1.050.


- Boa David, vai dar para ganhar uma bela grana!
Puxa, pensei que depois de mais de 5 anos de Mosca você tivesse aprendido a controlar suas emoções! O que você viu acima é a história do sucesso. Como se diz no jargão do mercado, trouxe a valor presente os ganhos futuros. Acontece que muita coisa tem que acontecer para toda a sua alegria se concretize. Agora, o ouro pode subir ao contrário de cair, por isso tem o stoploss.

Estou trabalhando com a queda e no momento é importante que os preços confirmem minha expectativa. Os níveis apontados acima são como se fossem os níveis de resistência de uma corrida. Tem que completar os 5K, depois os 10K e etc ... A única diferença em relação a corrida é que no caso do mercado, ele pode correr no sentido inverso!

O SP500 fechou a 2.365, com queda de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,1683, com alta de 0,51%; o EURUSD a 1,0602, com queda de 0,48%; e o ouro a US$ 1.198, com queda de 0,42%.
Fique ligado!


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