Inflação: A Revanche

22 de março de 2017

Trump está caindo na real

Fazia mais de 64 dias que a bolsa americana não experimentava uma queda de mais de 1%. Como se pode verificar no gráfico abaixo, um recorde. Acho incrível este tipo de estatística, para que serve e porque o nível de 1% foi o escolhido? A única informação útil é que isso mostra o baixíssimo nível de volatilidade das ações.


Mas ontem esse recorde foi quebrado, o índice SP500 caiu 1,2%. Como sempre tem que ter um culpado, no caso de ontem foi o Congresso americano. Existe um entendimento que para o plano de redução dos impostos os políticos querem a revogação (ou troca) do plano de saúde denominado de Obamacare, que deverá ser votado nesta quinta-feira. Parece que o mercado se conscientizou que o Trumpcare pode não passar no Senado e na Câmera.

Esse primeiro percalço deve estar mostrando a Trump que governar um país não é a mesma coisa que ser o CEO de uma empresa, no primeiro é necessária habilidade política de negociação para conseguir seus objetivos.

O mercado financeiro é muito criativo e adora criar índices, assim consegue medir qualquer coisa de forma evolutiva. Muito bem, o mais inventivo que tive acesso é o Trump Trade, uma salada de fruta de todos os mercados que deveriam ter algum impacto em função das medidas que anunciou quando assumiu a Presidência. Abaixo o índice criado que agora se encontra abaixo do nível quando do anúncio de sua vitória.


A inflação no Brasil continua surpreendendo positivamente, hoje foi publicado o IPCA -15, que mede a inflação nos primeiros quinze dias de março, o índice ficou em 0,15%. A taxa anual ficou em 4,7% a.a. Deve-se destacar que o grupo livre, onde se encontram os preços que não tem nenhuma influência que não a do mercado, desacelerou para 4,6% o menor nível desde 2010.   Outro fator importante é o índice de difusão que continua sua trajetória de queda em 53%, indicando pouca indexação dos preços.


A inflação continua em rota de desaceleração bastante positiva neste início de ano. Duas são as razões, primeiro uma sazonalidade atípica dos preços dos alimentos e a continua desaceleração da atividade e do mercado de trabalho afetando os demais preços livres. No gráfico a seguir que contem a projeção da Rosenberg para o IPCA em 2017, se pode notar que ao redor de agosto, a inflação acumulada em 12 meses irá beirar a casa dos 3% a.a., quase encostando na banda inferior da meta. Imagino que naquele momento a pressão pela queda de juros será enorme. Já existem analistas que esperam 4 x 100, isso significando que o BC irá baixar os juros na próximas 4 reuniões 100 pontos em cada uma, levando a taxa SELIC a 8,25% a.a. Será? Não apostaria nisso!


No post de ontem decidi liquidar a posição de ouro. No post fed-estilo-x-ou-y, fiz os seguintes comentários: ...” Abaixo de US$ 1.180 é um nível importante se o ouro tem intenções de cair mais” ... ...” estou trabalhando com a queda e no momento é importante que os preços confirmem minha expectativa” ... Além dos preços não terem confirmado, essa última alta abre a possibilidade de novas altas a frente.


Vou me aventurar na compra, porém aguardarei uma retração para entrar. Minha sugestão é comprar ouro a US$ 1.230, com um stop a US$ 1.195. Esse primeiro movimento de alta, permite a entrada em níveis que caso se provem errados, imprimiram um pequeno prejuízo. Quero deixar registrado que esses níveis poderão ser alterados, pois o movimento pode não estar completo. Acompanhem no Mosca qualquer alteração.

- David, você não fica nem vermelho ao mudar radicalmente de posição?

Não, mas mesmo que ficasse é melhor ficar com o rosto vermelho que ficar vermelho no bolso! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.348, com alta de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,0870, com alta de 0,10%; o EURUSD a 1,0795, com baixa de 0,16%; e o ouro a US$ 1.248, com alta de 0,24%.
Fique ligado!

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