Inflação: A Revanche

6 de março de 2017

E nós com isso!


Não se pode reclamar do FED, pelo menos no que se refere a indicar aos economistas, quais serão seus próximos passos. O mercado já trabalha com uma probabilidade de 94% de elevação dos juros agora na reunião de março. Eles telegrafaram, informaram em seus discursos, avisaram que o gato estava no telhado e tudo mais. O próximo comitê será realizado no dia 13 de março e somente um desastre nos dados de emprego, a serem publicados nesta próxima sexta-feira, poderia alterar essa decisão.


O mercado assimilou bem esse movimento, também, com uma inflação de 2% a.a. e uma economia começando a ganhar folego, não existe nenhum motivo para continuar com uma política monetária tão frouxa. Mas a discussão sobre o futuro é algo mais incerto, por exemplo, o gráfico a seguir mostra como ainda, o mercado não trabalha com a mesma projeção sobre as taxas futuras que as do FED. Exceção feita a empresa de pesquisa econômica independente capital economics, que prevê uma trajetória muito acima de todos os participantes, um peixe fora da água!


Naturalmente um banco central que se preze tem como objetivo evitar o aumento da inflação. Sobre esse assunto o Wall Street Journal traz uma reportagem indagando a perplexidade dos economistas. Milton Friedman, “o monetarista” dos últimos tempos costumava dizer que a inflação é um fator monetário. De forma simplista explicava que se numa economia se fabrica 2 carros e existe US$ 2,00 em circulação, cada carro valeria US$ 1,00. Se o banco central injetasse mais US$ 2,00, o valor de cada carro passaria a US$ 2,00. Também faz parte do livro texto de economia, a teoria que baixar os juros alimenta a inflação.

Todos esses indícios do que vem acontecendo nesses últimos anos levou os economistas a concluirem que, os bancos centrais não possuem ferramentas para controlar a inflação. Por outro lado, uma evidencia sugere que a inflação está mais ligada aos preços das commodities, fato esse que não está nas mãos dos bancos centrais o seu controle.


Considerando tudo isso, o que esse movimento projetado pelo FED pode mexer com nossas vidas aqui no Brasil. O Deutsche Bank realizou um estudo para identificar quais foram os impactos de uma possível alta do dólar associada ao aumento de juros. O gráfico a seguir mostra a vulnerabilidade da apreciação do dólar no crescimento global, durante o período compreendido entre 2014-2015.


As economias dos mercados emergentes são também afetadas quando tem sua dívida muito exposta a moeda americana. Se aliado a isso, o novo governo americano decidir por aumentar as tarifárias alfandegarias, segundo seus estudos, esse movimento poderia impulsionar o dólar em 25%. No próximo gráfico fica evidente o impacto possível em nossa economia, uma vez que, a quase totalidade de nossa dívida externa é indexada ao dólar.


O BCB na sua última publicação da ata do COPOM externou diversos motivos que levam a autoridade monetária a transitar de uma forma mais suave, a queda dos juros. Um dos motivos levantados é o risco externo, e seguramente estão olhando para a possibilidade que levantei acima. 

Olhando de hoje, não existe uma preocupação eminente num horizonte de curto prazo, esses movimentos tendem a ser mais lentos, exceção feita a eventuais mudanças na política alfandegaria. Certamente, caso isso tudo ocorra, a inflação poderá subir novamente motivada pela alta do dólar, estancando a euforia vivida pelos mercados financeiros nacionais. Fica o alerta!

No post deutsche-euro, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” estou perdendo uma oportunidade de lucro? A resposta mais pragmática seria sim, afinal eu ainda acredito que o euro vai pelo menos para a paridade. Porém, tenho que responder a outra pergunta; é um bom risco x retorno? Aqui a resposta não é tão evidente” ...


Nestes últimos tempos, diversas vezes passaram pela minha cabeça a ideia de comprar e também a de vender a moeda única, aliás fizemos isso recentemente. Mas passado alguns dias tenho a impressão que as cotações não saíram do lugar, estão por volta de 1,06, ou um pouco abaixo. Hoje não é exceção a 1,0586.


É bem verdade que ultimamente o euro se encontra mais na parte inferior (2), diferentemente do 2º semestre de 2016 (1) onde se encontrava próximo da parte superior. Desde do final de 2014, ou seja, há 24 meses que o euro está circunscrito entre as cotações de 1,15/1,16 e 1,045/1,055. Nesse período muita coisa aconteceu na Europa e no mundo, porém “teimosamente” não mostra uma direção clara. Eu mesmo venho anunciando que o momento está chegando para que os traders possam ter alguma alegria, pois até o momento o mais provável é uma sucessão de prejuízos.

Pode ser que alguns operadores mais espertinhos, compram quando o euro se aproxima do limite inferior e vendem quando beira o limite superior. Por enquanto deu muito certo, e imagino que sua confiança nessa estratégia aumente conforme o tempo passa. Lembro a esses traders para que tenham muito cuidado pois isso irá funcionar até o dia que não vai mais.

Em algum momento não distante a moeda única começará um movimento mais direcional. O que eu não consigo dizer ainda e se haverá ainda mais uma queda para atingir o tão esperado target de 1,00, ou o euro entrará num movimento de alta que poderá, em alguns anos, ultrapassar o nível de 1,60! Dúvida?

O SP500 fechou a 2.375, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,1383, com alta de 0,77%; o EURUSD a 1,0580, com queda de 0,37%/ e o ouro a US$ 1.225, com queda de 0,38%.

Fique ligado!

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