2020: O risco vai compensar?

14 de julho de 2020

All in sem piscar



Para quem segue o Mosca de longa data, sabe da intervenção inédita que o Banco Central da Suíça (SNB) fez no mercado cambial em 2011, e novamente em 2015. Antes do primeiro evento, a moeda valorizou quase 40%, pois, naquela época, a Europa vivia momentos muito tensos. Para estancar essa dinâmica, o SNB resolveu “fixar” o franco suíço em relação ao euro, estabelecendo um limite de SFr 1.20. Ou seja, se a moeda negociasse acima desse limite, a autoridade monetária compraria euro e venderia o franco suíço.

A partir daquele momento, o franco suíço devolveu parte desse ganho, situando-se em relação ao dólar, próximo da paridade. Para conseguir seu intento, o SNB fez diversas incursões no mercado acumulando euros em sua posição.

Em 2015, sem que houvesse nenhum fator mais importante, chocou os mercados financeiros, eliminando o teto de três anos no franco, fazendo com que a moeda subisse contra o dólar e contra o euro.

A surpresa foi grande, pois, alguns dias antes, as autoridades do SNB haviam descrito o nível de 1.20 francos para o teto, introduzidos em 2011, para evitar a deflação e a recessão, como alicerce da política monetária.

Nota: o eixo está invertido para melhor compreensão dos leitores

Depois dessas medidas antagônicas e até certo ponto desesperadas, parecia que a autoridade suíça se retirava deixando o mercado encontrar seu equilíbrio. Mas não foi o que fizeram, mantiveram- se sempre atuantes pois acreditam que sua moeda tinha atingindo um nível que desinteressava do ponto de vista econômico.

Mas recentemente, O presidente do banco central Suíço, Thomas Jordan declarou que a intervenção cambial é uma ferramenta política "essencial" para a Suíça, em uma resposta aos EUA, que tem o país em uma lista de observação por supostamente manipular sua taxa de câmbio.

"Embora ainda tenhamos margem para cortes adicionais nas taxas de juros, permanece o fato de que não se pode baixar as taxas de juros indefinidamente", disse o presidente do Banco Nacional Suíço, em uma palestra para o Fundo Monetário Internacional. "Por esse motivo, as intervenções no mercado de câmbio, no qual compramos moedas estrangeiras e vendemos francos suíços, também desempenham um papel central em nosso mix de políticas".


O Tesouro dos EUA no início deste ano colocou a Suíça de volta em uma lista de países que acredita estar manipulando suas taxas de câmbio para obter ganhos competitivos, citando o alto excedente em conta corrente do país e a balança comercial bilateral como evidência.

No entanto, os formuladores de políticas suíços há muito dependem de intervenções para evitar, valorização demais no franco, para a qual os investidores tendem a se aglomerar em momentos de estresse.

Apesar das inúmeras tentativas ao longo dos anos de limitar seu aumento - incluindo a imposição da menor taxa de juros do mundo em menos 0,75% - o franco ainda é aproximadamente um terço mais forte em relação ao euro do que há uma década.

Mais cortes nas taxas de juros correm o risco de distorcer a economia, perturbando os poupadores e onerando ainda mais os bancos suíços, que afirmam que a política diminui seus lucros.

Pelo menos em público, as autoridades suíças sinalizaram que não estão preocupadas em estar na lista de observação, dizendo que os EUA entendem sua posição. O FMI disse no ano passado que as ações cambiais da Suíça são "apropriadas".

"Nossa experiência mostra que as intervenções no mercado de câmbio e a taxa de juros negativa são essenciais para uma pequena economia aberta com uma moeda de refúgio em um ambiente global de baixa taxa de juros", disse Jordan. "A combinação desses dois instrumentos de política monetária é mais eficaz e resulta em menos efeitos colaterais indesejáveis em geral do que se concentrar em apenas um deles."

Não sou conhecedor em detalhes da situação econômica da Suíça, nem mesmo dos seus indicadores econômicos, mas essa política cambial adotada no passado parece não surtir resultados, quando ela se torna recorrente. Uma intervenção pontual originada por alguma anomalia, não parece comprometer uma moeda no longo prazo.

A Suíça tem uma balança de pagamentos superavitária de longa data, esse excesso de reservas em outras moedas é um fator que tende a apreciar sua moeda. Nesse caso, o Banco Central Suíço, para evitar essa valorização, acaba esterilizando esse efeito. Em outras palavras, se o BC Suíço não intervisse no câmbio, o franco suíço estaria muito mais valorizado.

Em relação a taxa de juros negativas, adotada por diversos países europeus, além das inúmeras distorções, criou uma sui generis. A venda de títulos do governo alemão criou uma receita para o tesouro. Inacreditável, vender bonds ajuda a equilibrar as contas! Não espalhem essa informação, pois se os políticos brasileiros souberem, vão pressionar o BC. Hahaha ...


Existem duas moedas tidas como refúgio, o yen japonês e o franco suíço. Nos momentos em que o mercado está sob stress, os investidores buscam essas duas moedas para se proteger. Essa atitude, ou crença, existe desde muito tempo. O BOJ não atua no mercado de forma sistemática desde a década passada, o mesmo não acontecendo com o SNB que vem atuando de forma recorrente.

Não sei se, os investidores que buscam o refúgio do franco suíço, levam isso em consideração, em outras palavras quando trocam sua moeda: euro, dólar ... e compram a moeda suíça, na verdade, estão comprando de volta um pedaço das mesmas, que se encontra no estoque desse banco central. Sendo assim, o franco suíço não é tão seguro como antes, e fica cada vez menos. Mas o SNB não tem como voltar atrás, fez uma aposta All In sem piscar!

No post o-histórico-japonês, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Como podem notar as 2 possibilidades continuam abertas e a linha “Maginot” permanece sendo de elevada importância. Caso essa retração esperada ocorra, os níveis estarão compreendidos entre 2.989 a 2.714, em clusters destacados em azul. Para sua compreensão, em cada destaque em azul, os níveis apontados são os mais prováveis” ...


O mercado resolveu respeitar a linha “Maginot” estabelecido pelo Mosca. Ontem encostou nesse nível e imediatamente reverteu, fechando em queda. Deixando a ironia de lado, notem a importância de alguns pontos técnicos. Sendo assim, tudo está mantido igual ao descrito acima, mas agora com uma diferença, se ultrapassar essa linha, vou sugerir uma operação de compra do SP500.


Ainda é muito cedo para qualquer conclusão em relação ao curto prazo. A grande polemica no momento, é a polarização dos ganhos concentrado em poucas ações do conjunto Mega Tech. Por qualquer métrica que se observa, a diferença entre esse grupo e as outras, é muito grande. O gráfico a seguir, com uma carteira contendo 11 dessas empresas, abocanharam toda a alta da bolsa. Será que essa distorção (se é que podemos assim chamar) vai se manter, ou haverá um catch up?


Estou estudando o índice Nasdaq-100 para inclui-lo em minha análise técnica. Já tenho uma configuração, porém, prefiro aguardar mais um pouco antes de publicar de forma sistemática.

O SP500 fechou a 3.197, com alta de 1,34%; o USDBRL a R$ 5,3539, com queda de 0,93%; o EURUSD a 1,1390, com alta de 0,44%; e o ouro a U$ 1.808, com alta de 0,34%.

Fique ligado!

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