2020: O risco vai compensar?

9 de julho de 2020

É bolha ou não!



Todos os investidores estão perplexos com a alta das bolsas de valores, quando se espera muitas quebras de companhias, bem como o anúncio de queda nos lucros. Alguns comentaristas estão aventando a hipótese de que estamos vivendo uma bolha. Esse raciocínio é ainda mais presente quando a análise é sobre as empresas de tecnologia.

O articulista Micahel Batnick, fez uma comparação entre a situação atual com a bolha vivida no final dos anos 90, conhecida como pontocom.

Há alguns anos, as pessoas vêm comparando a alta das mega empresas de tecnologia com o final dos anos 90. Acredito que essas comparações são um pouco equivocadas.

Os ganhos foram extraordinários nos últimos cinco anos, com o Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google crescendo de US $ 1,2 trilhão para US $ 6,5 trilhões.

Estas 5 ações agora:

Representam 23,3% do S&P 500
Valem tanto quanto as 369 empresas menores do índice
São três vezes maiores que todo o Russell 2000

E, no entanto, mesmo com esse crescimento maciço, em termos de retorno geral, a bolha tecnológica faz com que esse período pareça singular em comparação ao período pontocom.



De abril de 2015 até hoje, US $ 1 investido no Nasdaq-100 cresceu para US $ 2,42 (apenas preço), totalizando 18,4% ao ano. Na bolha das pontocom, US $ 1 se transformou em US $ 11,82 (no pico), crescendo 60% ao ano!


Um artigo bem conhecido naquela época da Barron's, Burning Up, que derramou combustível no fogo e talvez até provocou a bolha, apontou que 74% das empresas de internet tinham fluxo de caixa negativo e estavam ficando sem folego. Jack Willoughby escreveu:

“Talvez uma das empresas mais conhecidas da nossa lista, a Amazon, se encontra com apenas 10 meses em dinheiro restantes no caixa”

É fácil rir agora, mas a Amazon caiu de um máximo de US $ 113 para um mínimo de US $ 5,51. Como tantas empresas na época, suas elevadas avaliações eram usadas para chamada de capital, que seus fundamentos não justificavam.

As estimativas eram obviamente ridículas na época e completamente distanciadas da realidade, mas em nenhum momento você poderia ter usado isso para sua vantagem, pelo menos no caminho da alta. E o caminho pode durar anos, como estamos aprendendo hoje.

O gráfico abaixo mostra a ascensão e queda do múltiplo de ganhos com ações de crescimento - growth. As ações de hoje não são tão loucas quanto na época, mas isso não significa que elas não sejam um pouco loucas.

A lição da bolha das pontocom, e o que quer que chamamos esse período, é que as tendências podem durar muito mais tempo do que pensamos ser possível. E se você está convencido de que estamos nos últimos minutos do segundo tempo, do domínio da tecnologia, deve ter uma mente aberta para o fato de que talvez não estejamos. Convido você a ouvir o podcast com Patrick O'Shaughnessy e Brad Gerstner, que tem algumas ideias fascinantes sobre o futuro deste espaço.

Sabemos que a bolha das pontocom terminou em cinzas, mas não sabemos como essa se desenrola. O melhor que podemos fazer é estar aberto a qualquer resultado e não apostar todos os recursos, em um futuro que possa parecer diferente do passado.

Eu acrescentaria três grandes diferenças entra aquele momento e hoje: o primeiro e mais importante é o volume de recursos injetados pelos principais bancos centrais e governos do mundo; os finais dos anos 90 foram anos de crescimento do PIB superiores ao vividos atualmente; e por ultimo a taxa de juros dos títulos de 10 anos era na média desse período em 6% a.a., enquanto atualmente de 2,0% a.a. Ou seja, em termos financeiros as condições atuais são muito mais frouxas, porem em termos de crescimento muito mais fraco.


No post  reserva-de-valor, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “ Para que surja algum sinal mais claro, que uma correção poderia estar em andamento, o nível de U$ 1.745 deveria ser rompido como primeiro patamar. Porém, U$ 1.670 é o divisor de águas, pois abaixo, podemos ter uma oportunidade de entrada em condições melhores de risco” ...

O ouro passou do nível de U$ 1.800, que parecia uma marca de difícil transposição, embora se encontre muito perto ainda. O ouro tem desfiado os analistas técnicos mais recentemente, os motivos é que não apresenta uma configuração que forneça confiança. Mas, por outro lado, tem caminhado consistentemente para cima.


Considerando uma hipótese que se encaixa melhor com os movimentos apresentados, podemos estimar alguns objetivos de curto prazo entre U$ 1.827 e U$1.908, sendo o primeiro mais provável, e o stoploss a U$ 1.745. Nessas condições, não me parece um bom risco x retorno.

Outro fator que me incomoda é a inclinação do movimento, bem como a velocidade dos preços, desde a mínima atingida em 05/06. Deveria estar bem mais forte. Let´s see!

O SP500 fechou a 3.152, com queda de 0,56%; o USDBRL a R$ 5,3386, sem variação; o EURUSD a 1,1280, com queda de 0,43%; e o ouro a U$ 1.803, com queda de 0,37%.

Fique ligado!

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