2020: O risco vai compensar?

2 de julho de 2020

Momento de reflexão



O segundo trimestre e, com ele, o primeiro semestre estão agora para trás. No meio do ano, muitas pessoas estão coçando a cabeça, confusas com os resultados de como lidam com os mercados.

Se você não estiver satisfeito com seu portfólio em 2020, talvez faça cinco perguntas a si mesmo ao iniciarmos a segunda metade do ano:

1. Qual é o meu plano? Não apenas um pressentimento, ou o que você pode sentir, ou ainda seu instinto, mas um plano escrito que explica para o seu (ou de outros) futuro, o que você está fazendo, pensando e por quê. Sem um plano, você está apenas pulando de um estímulo de curto prazo para o próximo, um escravo das notícias e comentários aleatórios.

Seu plano inclui uma avaliação de suas circunstâncias financeiras atuais, sua renda futura esperada, seus planos de gastos futuros, passivos fiscais e patrimoniais e seus requisitos de poupança. O planejamento permite que você os entenda melhor e os gerencie ativamente. A preparação é fundamental - deixe a improvisação para os atores.

2. Quais são meus objetivos? Por que você está colocando em risco o capital? É especular, por diversão ou por valorização do capital? Você está economizando para um item específico - casa, faculdade, aposentadoria, filantropia, impacto? É para um pool de capital perpétuo que tem um propósito? Sem responder a essas perguntas, como você pode modular quanto risco assumir, que tipo de duração seus investimentos devem ter e que tipo de passivos futuros você deseja gerenciar.

3. Como sei quando estou errado? Independentemente de suas posições, qual é a sua medida objetiva que informa que algo que você fez estava errado? Se você não possui nenhum tipo de métrica que determine facilmente se uma posição ou alocação ou mesmo uma crença está errada, como você pode corrigir o curso?

Muitos de nós odeiam admitir erros. Todo mundo está errado o tempo todo, e se recusando a reconhecer, é falta toda humildade. Estar errado apresenta uma maravilhosa oportunidade de aprendizado, crescimento e melhoria. Não esconda seus erros, aceite.

4. Como estou gerenciando minhas emoções? O que você está fazendo sobre o fluxo regular de endorfinas e adrenalina que percorre suas veias? Como você está gerenciando sua resposta de luta ou fuga? Você já descobriu uma maneira de compensar o bombardeio diário de notícias negativas, e outros que podem apertar seus botões emocionais?

Apesar de tudo isso ser bem entendido por décadas, ainda é um problema para muitas pessoas. O medo não é o que deve direcionar suas alocações de ativos; as emoções devem ser uma parte válida das suas decisões de "Compra / Venda" (veja gráfico abaixo). Mas é da natureza humana que isso o influencie regularmente e nos piores momentos possíveis! Tenha uma abordagem que administre isso bem.


5. Que mudanças estou disposto a fazer? Agora, a parte difícil: se o que você está fazendo não está funcionando, fazer a mesma coisa repetidamente não corrige nada. Quanto do que você acredita ter sido provado falso deve ser descartado? O que você está assistindo / lendo / ouvindo é contraproducente? Que medidas você deixou de seguir que são prementes e muito abordadas? O que você está disposto a fazer para realizar reparos?

Mudar nunca é fácil e é especialmente difícil quando dinheiro - e ego - estão envolvidos. Mas quando uma situação que não está (ou não estava) funcionando, é a única maneira de melhorar seus resultados.

Mesmo que você não tenha todas as respostas, ter boas perguntas ajudará muito a encontrar as respostas necessárias.

Essa lista publicada pelo analista, Micahel Batnick, vem em bom momento. Acredito que ele conseguiu de forma didática, elencar os principais pontos que estabelecem o perfil de risco que cada investidor. Assim, quando algum amigo comentar que investiu na bolsa em março deste ano, e ganhou uma nota, isso não deveria te afetar, pois ele assumiu um risco que talvez você não estivesse disposto a assumir. Essa é a pergunta que você deveria se fazer (qual o nível de risco estou disposto a assumir), pois ex-post todos somos machos e gênios.

Como amanhã é feriado nos EUA, os dados de emprego foram publicados hoje. Foram criados 4,8 milhões de empregos, muito acima da expectativa dos economistas, levando ao mercado acreditar que a recuperação será em V. Vou publicar pela última vez o gráfico relativo a esses dados, pois são de quase nenhuma validade. Por que a última? Como podem notar, a escala do eixo horizontal é de 20 anos, que é o que vai demorar para, esses dados de 2020, ficarem de fora, e daqui a 20 anos, não acredito que o Mosca vai estar ativo (ou será que não! Hahaha ...).


Tão chocante como como esse dado, foi a taxa de desemprego. Esse indicador deveria subir para 19% em maio, depois da publicação de abril em 14,7%, acabou declinando para 13,3% nesse mês, e agora, para 11,1%, muito melhor que os 12,5% esperados. Esses dados foram tão positivos que fez com que o presidente Trump, que se encontrava quieto no seu canto, publicar um Twitter “ Great Job Numbers”

Os dados de PMI da manufatura também estão melhores que a expectativa, com um resultado de 52,6 indicam expansão. Algumas observações se fazem necessária, pois com a paralização ocorrida nos últimos 3 meses, e possível que essa melhora seja resultado de reposição de estoques. Outro fator interessante de se observar no gráfico abaixo é que, a queda nesse indicador foi muito mais profunda em 2008 que agora. Intrigante!


No post o-maior-cassino-do-mundo, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “ Neste momento não se pode saber se a bolsa está pronta para romper o nível de 97.5 mil, que é um osso duro de roer, ou ainda se encontra na correção. Como marquei no gráfico a seguir, o objetivo estaria contido dentro do retângulo verde entre 106,5 mil e 110 mil” ... ... “Conforme antecipado, a área marcada em amarelo, eu antevejo uma região aonde o Ibovespa entraria numa correção de curto prazo. Mas também pode ser o final desse movimento de alta desde março. Como mencionado acima, acredito ainda numa alta” ...


Hoje a bolsa ameaçou romper o nível de 97.500 e recuou levemente. Parece que existe uma certa indefinição no ar que “segura” o Ibovespa nesse nível. Está faltando um catalizador para esse rompimento. Espero que ninguém comente esse fato com nosso presidente, pois qualquer declaração sua, é mais provável que a bolsa caminhe no outro sentido. Pelo menos é o que seu track record tem mostrado! Hahaha ...

O gráfico de mais curto prazo mostra a formação de um triangulo ascendente cujo mais provável é que rompa no sentido da alta.

Por outro lado, os estrangeiros, segundo os últimos dados publicados pelo BCB, apontam apenas para uma diminuição da saída de bolsa, embora essas informações correspondam ao mês de maio. Uma ajuda desse grupo seria bem-vinda.


O SP500 fechou a 3.130, com alta de 0,45%; o USDBRL a R$ 5,3601, com alta de 0,80%; o EURUSD a € 1,1238, com queda de 0,12%; e o ouro a U$ 1.775, com alta de 0,33%.

Fique ligado!

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