2020: O risco vai compensar?

22 de julho de 2020

Cachaça virá vodca



Ontem foi anunciado um acordo fechado pelos países da Europa de 750 bilhões de euros.  O acordo coloca todos os 27 países da UE em risco de endividar-se para ajudar a sustentar as finanças dos países mais pobres da UE, um movimento que os alemães, liderados por Merkel, rejeitam há mais de uma década.

A maior parte da atenção dada ao acordo de fundos de recuperação da União Europeia, garantido na manhã de terça-feira, focado como os 750 bilhões de euros acordados seriam distribuídos em doações e quanto em empréstimos. Isso é compreensível, negociar esse equilíbrio foi uma das principais razões pelas quais as conversas se arrastaram para o quinto dia. Mas, no que diz respeito aos investidores, O tamanho relativo dos subsídios e empréstimos está entre os aspectos menos significativos do acordo.

Muito mais importante é o precedente de longo prazo que estabelece, abrindo caminho para um eventual ministro das finanças da UE, capaz de emitir dívida, aumentar impostos e gastar o produto por si só. Mas embora esse elemento do acordo é importante e pode muito bem ser encarado como um marco no desenvolvimento de uma UE federal, nunca esteve realisticamente em dúvida.

Como resultado, a consequência prática mais importante do acordo será como afeta as trajetórias das economias da Europa nos próximos dois a três anos e o que isso significa para os mercados e moedas de ativos da UE. Aqui é provável que o impacto se mostre tangível no curto prazo, reduzindo consideravelmente assimetria da recuperação da Europa pelas paralisações do Covid-19, e reforçando a mudança de risco nos mercados financeiros europeus.

O acordo autoriza a Comissão Europeia a emitir até 750 bilhões de euros em títulos de longo prazo para financiar programas de recuperação da Covid, distribuir € 390 bilhões aos governos membros sob a forma de doações, e 360 bilhões de euros em empréstimos.

Assim, nos próximos anos, Bruxelas emitirá uma série de dívidas e prestará serviços a dívida através do seu novo poder de aumentar os impostos trans europeus. Os detalhes ainda serão resolvidos, mas o comunicado de terça-feira mencionava a possibilidade de um imposto sobre plásticos, uma taxa de fronteira sobre carbono, uma taxa digital, um comércio expandido de emissões regime e um imposto sobre as transações financeiras. Tudo isso soa como potencialmente um grande negócio, e assim pode se provar a longo prazo. Mas se a CE - European Conformity, puder emitir títulos de 30 anos a 0,5%, o que parece provável, para atender aos pagamentos anuais de juros em 750 bilhões de euros, não precisa aumentar mais a receita a cada ano do que uns modestos 3,75 bilhões de euros.

E o que a Europa receberá pelo seu dinheiro? A CE distribuirá doações e empréstimos para financiar programas de recuperação nas economias da UE mais atingidos pelo Covid-19. Na prática, isso significará a Itália e a Espanha em particular, ambas as quais A CE, espera sofrer contrações de cerca de -11% do PIB este ano. Este compara-se com a Alemanha, onde se prevê que o PIB diminua menos relativamente -6%. E enquanto as recuperações de 2021 na Itália e na Espanha. Provavelmente serão mais rápidas, pois sairão de bases muito mais baixas. Na ausência do apoio do fundo de recuperação, até o final de 2021, o PIB real na Itália seria -5,5%, abaixo do nível de 2019, enquanto na Alemanha cairia apenas -0,8%.

Em suma, como as coisas estão atualmente, o Covid-19 deveria aumentar a divergência entre as economias da Europa, especialmente quando a Alemanha lança um estímulo fiscal de € 130 bilhões e a França segue com um plano próprio de € 100 bilhões, enquanto o os governos da Itália e da Espanha lutam para reunir seus próprios recursos fiscais, constrangidos por temores sobre a sustentabilidade da dívida.

É essa divergência e as tensões políticas e econômicas que ameaça exacerbar, é o que o fundo de recuperação da UE se destina a resolver. Considerando a ponderação desproporcional dos pagamentos para os países do Mediterrâneo, a Itália poderia receber 4,5% de seu PIB de 2019 em doações, complementado com outros 7,1% do PIB em empréstimos a taxas reduzidas. Para a Espanha, os números podem ser de 5,5% e 5,7%.

Além disso, o apoio fiscal da CE, juntamente com a compra de títulos pelo Banco Central Europeu, ajudará a suprimir os custos de empréstimos dos governos nacionais, permitindo que eles mobilizassem mais recursos fiscais por direito próprio, estreitando a diferença de crescimento entre o sul e o norte da UE.

Na margem, esse estreitamento da divergência econômica norte-sul da EU será claramente positivo para os ativos da zona do euro como um todo. Mas também existem os efeitos do surgimento da CE como principal emissor em seu próprio direito de considerar. Pode-se esperar que a dívida da CE com classificação de AAA ou AA seja negociada entre os títulos alemães, sua emissão tende a diminuir o spread entre os dois. Além disso, com o BCE na oferta de títulos da CE - o BCE possui relativamente pouca dívida supranacional - os rendimentos permanecerão pesados ​​em geral. Como resultado, a redução estrutural do risco europeu resultante da terça-feira, o acordo é positivo tanto para os ativos de risco da zona do euro quanto para o euro.

Em outras palavras, criou-se um mecanismo de emissão de dívida com a chancela do EU, que será direcionada para os países que teriam dificuldade de fazê-lo, tanto pelo aspecto custo, quanto aos limites de endividamento impostos para cada país.

Embora os efeitos de curto prazo sejam positivos para a região do euro, ainda existe um problema quase impossível de se resolver. A competitividade entre os países é muito distinta desde a criação da EU. De maneira geral, a mão de obra alemã é mais eficiente que as da Itália e da Espanha. Essa distorção poderia ser corrigida por uma moeda mais fraca, ou por salários menores, nesses últimos. O primeiro é impossível, pois todos tem a mesma moeda e o segundo parece ser difícil de acontecer.

Esse novo programa desafia a ordem financeira, os países com elevado risco poderão se usufruir do custo financeiro do de menos risco. É como se a cachaça virasse vodca. Agora se a vodca virar cachaça aí não tem mais jeito! Hahaha ...

No post carregando-nas-costas, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “apontei dois intervalos como objetivo para esse movimento de alta. O primeiro ao entre 107 mil e 109 mil, e o seguinte entre 118 mil e 119 mil”


A bolsa está caminhando de forma lenta para os objetivos traçados. No gráfico a seguir, busco explicar os próximos movimentos. Uma continuidade da alta atual deveria levar a bolsa ao nível entre 107.5/108 mil, em seguida uma queda a ser contida entre 102.5/103.5 mil, e por último, uma alta final levando a 110 mil.


Com a utilização desse novo software é possível calcular com detalhe os movimentos de qualquer prazo, bastando que, esteja correto as premissas, e os objetivos nos níveis mais prováveis. Porém, quero enfatizar que, não se deve usar esses níveis de forma automática: vende dobrado a 108 mil para zerar a posição que temos e se aproveitar da queda, comprar dobrado a 103 mil, e finalmente vender dobrado a 110 mil. Se fosse assim fácil, estaríamos todos ricos.

Ao publicar esse post, fiquei em dúvida se deveria entrar tanto no detalhe, ou seria melhor apenas apresentar o resultado mais amplo, por exemplo os 110 mil. Vou esperar a repercussão dos leitores orientado sua preferência.

Em todo caso, e provável que todo esse movimento se estenda pelo mês de agosto, ou início de setembro. Do ponto de vista prático, vou manter o stoploss da bolsa, e ajustar o stoploss do dólar para R$ 5,22, além de liquidar a posição de euro a 1,1580, não que eu acredite que o movimento tenha terminado, mas vou aguardar um melhor momento para reentrar na posição.

O SP500 fechou a 3.276, com alta de 0,57%; o USDBRL a R$ 5,1120, com queda de 1,15%; o EURUSD a 1,1568, com alta de 0,37%; e o ouro a U$ 1.871, com alta de 1,63%.

Fique ligado!

Um comentário:

  1. Gostei do detalhamento técnico. Fica melhor de entender o raciocínio por trás do objetivo final.

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