2020: O risco vai compensar?

24 de julho de 2020

Out of Business



Quando ainda se viajava com alguma frequência ao exterior, de vez em quando, nos deparávamos com uma plaquinha Out of Business, em algum lugar que tínhamos frequentado no passado. O primeiro impacto era: como pode ter fechado um lugar que nos remetia tão boas recordações.

Se hoje fossemos viajar, encontraríamos inúmeros desses cartazes. Qual seria nosso impacto? A tabela a seguir dá uma dimensão do que ocorre nos estabelecimentos americanos onde existe um risco maior de contaminação.

O fechamento permanente de negócios está aumentando à medida que os impactos econômicos das paralisações governamentais induzidas por coronavírus continuam agitando a economia.

O fechamento de negócios no Yelp atingiu 177.000 em 19 de abril e caiu para 132.500 em 10 de julho, quando os estados permitiram a abertura de suas economias. Porém, mesmo com o declínio do número total de empresas fechadas, o número de paralisações permanentes aumentou. Segundo o Yelp, dessas 132.500 empresas fechadas, 72.842 foram encerradas permanentemente. Isso significa que, em 10 de julho, os fechamentos permanentes representavam 55% de todos os negócios fechados desde 1º de março.

Os dados refletem apenas as empresas listadas no site do Yelp, mas fornecem uma visão geral da economia americana em geral.

A indústria de restaurantes está sofrendo mais fechamentos. Mais de 15.000 restaurantes fecharam permanentemente. Bares e boates também foram responsáveis ​​por um número significativo, sendo 44% das permanentes. Os negócios de compras e varejo sofreram 26.119 fechamentos totais de negócios, com 12.454 paralisações.

O número de fechamentos permanentes de negócios quase certamente aumentará à medida que o dinheiro do estímulo acabar. E, como foi aventado no início da pandemia, os problemas de fluxo de caixa provavelmente afundarão mais negócios.

A paralisação forçada colocou um tremendo estresse sobre as empresas - particularmente as pequenas empresas que operam com margens reduzidas. Muitos deles foram forçados a assumir mais dívidas devido à pandemia e ao bloqueio subsequente. Como disse um proprietário de uma pequena empresa em Kentucky “Exceto para transações em dinheiro, provavelmente haverá um ponto morto de 60 a 120 dias no fluxo de receita comercial. E isso está no topo da parada induzida pela receita ".

Vivemos em uma economia baseada em crédito. A maioria das transações tem prazo de pagamento de pelo menos 30 dias. Dependendo do número de transações na cadeia de suprimentos de um produto, pode levar meses para reabastecer o pipeline de fluxo de caixa. Enquanto isso, o proprietário da empresa ainda precisa fazer a folha de pagamento e pagar todas as suas contas mensais recorrentes, como aluguel e serviços públicos.

De fato, muitos proprietários de pequenas empresas não acham que conseguirão. Uma pesquisa realizada pela empresa de serviços financeiros Azlo descobriu que quase metade dos pequenos empresários pensam que acabarão tendo que fechar seus negócios para sempre. Quarenta e sete por cento dos pequenos empresários pesquisados disseram que antecipam o fechamento e 41% disseram que estão procurando trabalho em período integral em outro lugar.

Isso deve lançar mais dúvidas sobre a noção de uma rápida recuperação em “V”. E não são apenas os problemas que as pequenas empresas enfrentam. Existe a onda crescente de despejos, o crescente número de inadimplências, o crescente número de empresas zumbis super alavancadas e o tsunami de inadimplências e falências no horizonte. Dadas as profundas feridas infligidas à economia pelas paralisações, não devemos esperar um retorno rápido, mesmo com uma vacina. Parece que a cura do coronavírus não curará a economia.

O restante da economia parece estar estacionando num platô desde junho, em função do aumento de casos da Covid-19. Embora, nenhum governador tenha tomando alguma medida mais radical, as pessoas estão se cuidando, evitando ir a locais aonde o risco é mais elevado.

Como comentei em um post esta semana, esses serviços representam 12 % do PIB e empregam 25% da força de trabalho. Não é muito relevante do ponto de vista econômico, mas é do ponto de vista social. Nos EUA uma grande parte desses trabalhos são feitos por pessoas sem muita qualificação, ou jovens que usam esses recursos para financiar seus estudos. O que poderiam fazer essas pessoas? Virar entregador do Rappi americano?

Essa situação me deixa bastante aborrecido, pois todos esses negócios não fizeram nada de errado para merecer terminar desse jeito. É verdade que, existem situações ocasionadas por fenômenos naturais que causam impacto semelhante, embora normalmente, por serem localizados numa região restrita, não possuem o alcance desse.

Eu gosto de ter o controle da situação, talvez oriundo da minha genética e alimentado pela minha profissão. Quando grandes mudanças ocorrem, tendo a ficar imobilizado, no mercado, o stoploss é meu guardião. Pensamos ter domínio da nossa vida, até quando a vida nos mostra que somos apenas um grão no Universo. Minha terapeuta sempre dizia que em situações dessa magnitude devemos confiar em nossos recursos, ele nos permite enfrentar momentos difíceis como esses que centenas de milhares de pessoas estão vivenciando.

Além do risco de vida vive-se o risco de sobrevivência.

No post sob-dois-ângulos, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “Embora o ouro esteja abaixo de U$ 1.800, não existe nenhum indicador do ponto de vista técnico que altera os níveis observados acima” ... ... “Caso minha visualização do mercado esteja correta, e em ultrapassando a marca de U$ 1.817, o próximo objetivo seria ao redor de U$ 1.890” ... E foi o que acabou acontecendo, o ouro rompeu a marca de U$ 1.817 e agora está “namorando” o nível acima, a U$ 1.899 (on sale? Hahaha ...)


- David, quis ser pão duro e acabou acertando a direção mas perdeu o movimento! Hahaha ...
Tem toda razão, só podia ser pior se eu tivesse sugerido um trade de venda. Mas você sabe bem que eu estava desconfiado com o movimento do ouro, sendo assim, é natural que eu fique mais cauteloso. Mas não se preocupe, o jogo não terminou ( no mercado nunca termina), vamos comprar quando acontecer uma correção.

Nessa nova fase, o ouro seguiu o protocolo e agora se encontra na região do primeiro objetivo, um pouco acima conforme destaco na figura abaixo. Caso ultrapasse, o próximo objetivo seria em U$ 1.950, ultrapassando a marca histórica atingida em 2011.


Queria enfatizar o cenário apontado no post do final de 2019, aonde externei 2 possibilidades:

“Ouro brilha” – depois de atingir U$ 1.720 o ouro continua a alta e;
“Derrete” – o metal reverte a U$ 1.720 e começa a queda.

Prevaleceu o “Ouro brilha”

Vejam meus comentários no post em questão ouro-caminho-incerto: ... “
- David, entendi, mas o que fazer se atingir U$ 1.720 como você está prevendo?
Como você notou nas previsões que já publiquei até hoje, o cenário para 2019 não parece muito linear, na maioria dos ativos em algum momento, o movimento ocorrido no passado recente poderá terminar e reverter. Do ponto de vista técnico, o próximo ano sugere muita cautela e disciplina, que deve ser encarado de forma agnóstica” ...

Confesso que ao ler esse comentário fiquei estarrecido, pois a análise técnica estava avisando sobre algum perigo a frente. Por um segundo pensei que naquele momento, estava alertando sobre algo importante como a Covid-19. Mas, logo em seguida, retornei à realidade, é sei que, ninguém poderia prever uma catástrofe dessas. Mas que existia um sinal estampado nos gráficos com grande indecisão, existia! Não vamos esquecer o lema do Mosca para 2020.

2020: O risco vai compensar?

- David, fiquei preocupado, está virando esotérico também? Hahaha ...


O SP500 fechou a 3.215, com queda de 0,62%; o USDBRL a R$ 5,2294, com alta de 0,35%; o EURUSD a 1,1655, com alta de 0,51%; o ouro a U$ 1.900, com alta de 0,74%.

Fique ligado!

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